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Keeta adia estreia no Rio e cita barreiras de exclusividade

Braço da chinesa Meituan suspende lançamento e questiona acordos de iFood e 99 com restaurantes no Cade

i 26 de fevereiro de 2026 - 19h58

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CEO da Keeta aponta entraves em contratos de exclusividade como motivo para adiar início das operações no Rio de Janeiro (Créditos: Melinda Nagy/Shutterstock)

A Keeta, da gigante chinesa Meituan, anunciou o adiamento por tempo indeterminado de sua estreia no Rio de Janeiro. O movimento incluiu o cancelamento de um evento oficial de lançamento que ocorreria nesta quinta-feira (26) com autoridades municipais.

A decisão de recuar estrategicamente na capital fluminense está fundamentada no cenário de concorrência local. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o CEO da Keeta, Tony Qiu, afirmou que as cláusulas de exclusividade mantidas pelos players dominantes, iFood e 99Food, criam um ambiente de entrada mais hostil do que o encontrado pela empresa em São Paulo. “O cenário é ainda pior do que havíamos projetado, e pior do que encontramos em São Paulo”, declarou Qiu à Folha.

De acordo com o executivo, o mapeamento da empresa identificou cerca de 800 grandes redes de restaurantes no Rio de Janeiro, das quais mais de 400 estariam vinculadas a contratos que impedem a atuação em outras plataformas. Para a Keeta, esse volume de ativos “presos” compromete a viabilidade da operação e a eficiência da equipe.

Resposta das plataformas e regulação

O mercado de delivery no Brasil é monitorado de perto pelo Cade. Atualmente, o iFood — líder isolado do setor — opera sob restrições impostas por um acordo com o órgão, que limita a receita e a quantidade de lojas exclusivas por cidade. Por sua vez, a 99Food defendeu em petição ao Cade que seus contratos são legais, temporários e restritos a uma parcela pequena do mercado.

A Keeta, no entanto, sinaliza que o diálogo com as autoridades regulatórias será intensificado. Segundo Qiu, a empresa pretende levar os novos dados sobre o Rio de Janeiro ao conselho para discutir “problemas de concorrência desleal” antes de considerar qualquer medida na esfera judicial.