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Copa do Mundo fica esquecida nos debates da NRF

Mesmo sediando a competição da Fifa este ano, varejistas dos Estados Unidos não mencionaram expectativas ou planos para atrair os fãs do futebol

i 20 de janeiro de 2026 - 6h02

Copa do Mundo NRF

(Crédito: Shutterstock)

O clima de Copa do Mundo ainda não chegou nos Estados Unidos, país que voltará a sediar a maior competição de futebol do mundo após 32 anos, em junho.

Durante a Retail’s Big Show, maior evento global de varejo, promovido pela National Retail Federation (NRF) na semana passada, o Mundial de seleções da Fifa não foi citado em nenhum dos painéis e debates quando o assunto eram as oportunidades que o mercado varejista terá em 2026.

Na abertura do evento, em que a associação que reúne alguns dos maiores varejistas do planeta geralmente aborda o cenário que o segmento terá pela frente, não houve menção à Copa do Mundo.

Chairman e membro do board da NRF, Bob Eddy abriu os trabalhos do evento lembrando que o varejo nos Estados Unidos encerrou o ano de 2025 com provável crescimento de 2,7% a 3,7% e que a meta para 2026 é continuar trabalhando para manter “os preços no patamar mais baixo possível”.

Mesmo destacando que o setor confia na resiliência tanto das empresas quanto dos consumidores norte-americanos para manter as taxas de crescimento, o representante da NRF não citou a Copa do Mundo como um dos fatores que pode movimentar o varejo no ano.

“O varejo manterá, em 2026, o contínuo investimento em pessoas, tecnologias e parceiros para manter o poder dessa indústria. Teremos mais investimento em customer experience, para oferecer experiências com mais humanidade. A inteligência artificial será cada vez mais utilizada e não para substituir a criatividade e sim para ampliá-la”, disse Eddy, sem citar o evento da Fifa.

Nem mesmo em paineis dedicados a abordar as oportunidades e desafios econômicos para o ano de 2026 a Copa do Mundo foi citada.

O economista-chefe da Deloitte, Ira Kalish, dedicou a maior parte de sua apresentação a apontar os riscos da ‘bolha’ da inteligência artificial e de seus possíveis impactos no PIB e investimentos no País. O principal ponto abordado pelo especialista foi a maior demanda por energia, gerada pelos data centers, e de como isso pode aumentar os preços e impactar os negócios. O porta-voz da Deloitte falou também sobre a política tarifária do presidente Donald Trump, mas não tocou no assunto do evento de futebol.

Nem mesmo as marcas ligadas ao esporte sinalizaram alguma expectativa de negócios relacionada à Copa do Mundo. O debate de abertura do evento contou com a participação do chairman da Dick’s Sporting Goods, a rede de artigos esportivos mais popular do país, que conta com quase 800 lojas no território.

Ed Stack, executive chairman da companhia, falou sobre as estratégias de inovação e de uso de inteligência artificial nos processos e até comentou sobre o movimento de expansão que a Dick’s pretende seguir após ter adquirido a rede Foot Locker, também dedicada ao esporte.

Embora atender aos amantes de diferentes modalidades esportivas seja o cerne do negócio, o representante da marca não falou sobre as expectativas em torno da Copa do Mundo e dos efeitos que o Mundial pode ter em seus negócios.

O mesmo aconteceu no painel de Michael Rubin, CEO e fundador da plataforma de negócios esportivos Fanatics. Dona de diversos negócios, a empresa, que já vale cerca de US$ 32 bilhões, é estruturada em três divisões, sendo a primeira — e mais tradicional – a plataforma de e-commerce, o Fanatics Commerce. A empresa comercializa artigos esportivos de diversos segmentos e possui parcerias com gigantes como NBA e NFL.

Rubin disse que a Fanatics pretende ampliar seus negócios no segmento de iGaming, no qual já atua desde 2023 e anunciou que a companhia passará também a oferecer crédito aos clientes, inaugurando uma operação financeira. Planos para a Copa, contudo, não foram citados.

Os Estados Unidos serão a casa da Copa de 2026 junto de México e Canadá, marcando a primeira vez que a Fifa escolhe três países diferentes como sede da mesma edição da competição. A disputa também será a maior da história, com a participação de 48 seleções e mais de 100 jogos.