Como o CEO da Fanatics quer criar a melhor empresa do mundo
Michael Rubin conta como construiu um negócio de US$ 32 bilhões e como pretende continuar popularizando a marca no mundo

Com pilar de vendas, colecionáveis e apostas Fanatics quer se aproximar dos consumidores (Crédito: JHVEPhoto-shutterstock)
A jornada do fã de esporte já ultrapassou o momento do jogo e da transmissão e virou algo contínuo, como parte do lifestyle. Para muitos torcedores das mais variadas modalidades, uma marca que se associa ao seu clube ou franquia favoritos já se torna uma opção de compra.
Segundo dados do do Sponsorlink, pesquisa do Ibope Repucom sobre hábitos, perfil, atitudes, consumo de meios e comportamento de compra entre fãs de esportes, os torcedores da NFL são 35% da população ou 41 milhões de brasileiros. O número representa crescimento de 310% no volume de indivíduos em comparação a 2014.
Embora a modalidade não seja um esporte nativo brasileiro, esses dados comprovam o quanto o esporte se tornou global e como o torcedor se importa com esse consumo.
Por isso, a Fanatics enxerga nesse nicho um território muito fértil para o seu crescimento, mesmo sendo extremamente competitivo. A plataforma digital, dona de diversos negócios, já é uma empresa que vale cerca de R$ 32 bilhões de dólares, segundo o CEO e fundador, Michael Rubin.
Durante presentação na Retail’s Big Show (NRF) neste domingo, 11, o executivo explicou que sua intenção é construir a “maior empresa do mundo”, focando em expandir o seu mercado e atingir diversos públicos. “Temos um balanço patrimonial muito bom, sem necessidade de liquidez, apenas queremos construir a melhor empresa do mundo”, disse durante a apresentação.
Promovendo experiências
Para consumar sua ambição, a Fanatics tem atualmente três negócios primordiais. O primeiro deles — e mais tradicional – é a plataforma de e-commerce, o Fanatics Commerce. O executivo explicou que essa parte de seu negócio vale cerca de US$ 7 bilhões de dólares, sendo o ativo mais valioso da companhia no momento.
Essa fatia do negócio foi crescendo com o passar do tempo. Em 2011, ano de sua fundação, a marca valia US$ 250 milhões e para atingir esse patamar, Rubin explica que a companhia precisou se diferenciar dos negócios tradicionais.
Segundo o executivo, a Fanatics precisou se reinventar e se transformar em uma plataforma única. “Hoje temos mais de 140 milhões de clientes. Eu diria que a Fanatics é uma das marcas mais importantes no esporte e acho que estamos apenas começando”, explicou.
Agora, a companhia já se tornou omnicanal e busca encontrar o cliente em todos os pontos de contato. De todo o lucro da parte de vendas, o CEO disse que três quartos vêm do consumidor direto. Desses, dois terços são de vendas pela internet enquanto apenas um terço consome pelo varejo físico.
Por fim, o restante da verba saí do modelo atacado. “Não operamos apenas o site principal da Fanatics, mas também o e-commerce de muitas ligas e times individuais”, disse.
Hoje a companhia possui cerca de mil parceiros em ligas como National Football League (NFL), National Basketball Association (NBA), além de universidades e outros esportes. Essa prospecção, para a marca, é importante e a ajuda a crescer no cenário para competir com outras empresas, inclusive com as que são parceiras da Fanatics.
Aproximação e exclusividade
O segundo negócio da Fanatics é a linha de colecionáveis. Com isso, a companhia lucra cerca de US$ 4 bilhões. Essa faz parte de uma estratégia de aproximar as pessoas de seus ídolos ou times.
De acordo com Rubin, com isso, a empresa está pensando no que o cliente quer, e em como fazer o melhor para o seu consumidor. “Não entramos em nada se não pudermos tornar materialmente melhor para o cliente e lucrar pelo menos um bilhão de dólares. Os colecionáveis passam por esse funil”, completa.
Aposta de alto investimento
Outro segmento que vem crescendo no core da Fanatics é no iGaming, que trata do mercado de apostas esportivas. Embora no Brasil o setor já esteja regularizado e bem consolidado, com uma grande quantidade de empresas, nos Estados Unidos o cenário é diferente.
Apesar de existir um duopólio no país entre a FanDuel, que tem jogos de cassino e apostas, e a DraftKings, que também tem fantasy games em seu portfólio, a Fanatics decidiu entrar neste negócio.
Hoje o segmento se aproxima dos US$ 2 bilhões para a empresa. “O que fizemos foi criar uma proposta de valor melhor. Para isso, investimentos em dois pilares principais. O primeiro é que toda vez que você aposta no Fanatics Sportsbook ou Cassino, nós te damos o ‘Fan Cash’”, disse.
O Fan Cash é como a moeda do esporte e o apostador pode usá-la em qualquer um dos parceiros da companhia. O executivo comentou que neste ano a empresa deva emitir um bilhão de dólares neste ativo em 2026.
“O segundo ponto é que mesmo que seu jogador se machuque no primeiro tempo, nós garantimos sua aposta e o removemos da sua aposta combinada. No ano passado, tivemos alguns milhões de apostas que teriam sido perdidas, mas como o jogador se machucou, nós o removemos e as pessoas venceram esses eventos”, completou.
A Fanatics entrou no iGaming em 2023 e, desde então, já ultrapassou 25 bilhões de apostas. O executivo conta que essa a sua principal aposta para esse ano. “Gastamos cerca de US$ 2 bilhões (incluindo aquisições) para chegar à lucratividade, comparado aos US$ 7 bilhões dos concorrentes. Acreditamos que em 2030 será nosso maior e mais lucrativo negócio”, conclui.
Crédito: o quarto negócio da Fanatics
Além desses três negócios, Michael Rubin aproveitou a sua presença na NRF para anunciar mais um investimento da companhia, que acontecerá no setor de crédito.
A partir deste ano, os consumidores terão acesso a um cartão de crédito da marca, que é algo inédito para a companhia. Com isso, o executivo acredita que isso tornará as pessoas mais engajadas, já que elas terão mais benefícios, como ganhar mais Fan Cash sendo usuário do cartão, acesso prioritário às filas dos colecionáveis, descontos e cashback no marketplace.
“O nosso cartão será um divisor de águas para os fãs de esportes.Temos conectividade com todas as propriedades esportivas e relacionamentos com todos os jogadores. É a habilidade de fazer algo melhor para o fã e ganhar dinheiro ao mesmo tempo”, finalizou.
