Marketing

As marcas mais valiosas de 2026: Nvidia avança e Apple lidera

Brand Finance ainda destaca Itaú como a única brasileira no ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo

i 20 de janeiro de 2026 - 7h30

Em meio à corrida pela dominância do mercado de inteligência artificial (IA), a fabricante de chips e software Nvidia se tornou a quinta marca mais valiosa do mundo, segundo relatório da Brand Finance, publicado nesta terça-feira, 20. O valor da marca Nvidia mais do que dobrou na comparação com 2025, alcançando US$ 184,3 bilhões neste ano.

As marcas mais valiosas de 2026

Enquanto Apple segue na liderança, Nvidia avançou quatro posições (Crédito: Gina Hsu/Paolo Bona/Shutterstock)

A liderança do ranking segue com a Apple, que cresceu 6% no ano, atingindo US$ 607,6 bilhões. Na sequência, aparecem Microsoft, segunda marca mais valiosa do mundo, que ultrapassou US$ 565,2 bilhões com crescimento de 23%. O Google ocupa a terceira posição, valendo US$ 433,1 bilhões e crescimento de 5%, e a Amazon se mantém na quarta posição, com valor de marca em US$ 369,9 bilhões e crescimento de 4%.

Para alcançar a quinta posição, a Nvidia superou TikTok/Douyin, Walmart, Samsung Group e Facebook em valor de marca. Outro expoente do mercado de IA, a OpenAI, dona do modelo ChatGPT, apareceu pela primeira vez no ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo na 178ª posição, com um valor de marca avaliado em US$ 14,1 bilhões.

A Intel, em contrapartida, perdeu cerca de 3% em valor de marca com um montante de US$ 13,9 bilhões. A metodologia da Brand Finance avalia a força das marcas e quantifica seu valor financeiro ao combinar dados do seu banco e a avaliação de especialistas.

Brand Finance Global 500 2026
Ranking 2026 Ranking 2025 Empresa Valor de
marca 2026
(em US$ bilhões)
Valor de
marca 2025
(em US$ bilhões)
Apple 607,6 574,5
Microsoft 565,2 461
Google 433 412,9
Amazon 369,8 356,3
Nvidia 184,3 87,8
TikTok 153,5 105,7
Walmart 140,9 137,1
Samsung 119,2 110,5
Facebook 107 91,4
10º 10º State Grid Corporation
of China
102,4 85,6

Itaú entre as mais valiosas

Única marca brasileira no ranking das 500 mais valiosas, o Itaú cresceu 15% em valor de marca em 2026, alcançando US$ 9,9 bilhões. O crescimento permitiu que a marca avançasse 20 posições e, agora, ocupa o 254º lugar na listagem global.

“O crescimento do valor de marca do Itaú, em 2026, reflete a performance robusta e os ganhos em receita e market share no Brasil, impulsionados pelo forte crescimento do crédito, pela adoção do banco digital e por campanhas publicitárias eficazes, como a “Feito de Futuro”, que contou com personalidades de destaque”, analisou Eduardo Chaves, managing director da Brand Finance no Brasil. Confira o ranking brasileiro de 2025.

Crescimento global e força do YouTube

O valor total das 500 marcas mais valiosas do mundo cresceu 11%, na comparação com 2025. Juntas, hoje, elas somam US$ 10,4 trilhões. As dez primeiras marcas do ranking correspondem a 27% do total e seis são companhias sediadas nos Estados Unidos.

Quando o assunto é força de marca, o Brand Strength Index (BSI), da Brand Finance, elegeu o YouTube como marca global mais forte. A companhia saiu da oitava posição em 2025 para a primeira com um crescimento de quase cinco pontos percentuais.

Geopolítica e soft power 

Em outra frente de análises, o Brand Finance apresentou o Global Soft Power Index, que analisa o cenário global de soft power, em um contexto de mudanças geopolíticas relevantes, com impactos sobre reputação, governança, valores e atratividade dos países.

 

Global Soft Power Index 2026 
Ranking Awareness Soft Power Index Score
Estados Unidos    Estados Unidos   
China China
Canadá  Japão 
Japão  Reino Unido
Reino Unido Alemanha

A pesquisa revela um mundo em transição acelerada. Os Estados Unidos seguem como a nação mais influente, mas sofre forte desgaste reputacional sob Donald Trump, com quedas em governança, valores, relações internacionais, facilidade de negócios e compromisso climático. Ainda assim, mantém liderança em familiaridade, influência, cultura, entretenimento, tecnologia e marcas, sustentados pela centralidade midiática e diplomática daquele país.

A China consolida sua posição como principal alternativa ao domínio americano. Avança em reputação, governança, valores e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que reforça a percepção de economia forte e estável, reduzindo fragilidades históricas e ganhando credibilidade global.

O índice também aponta uma erosão generalizada das percepções internacionais, especialmente no Ocidente. Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Suécia e Austrália perdem relevância e sofrem com narrativas de estagnação econômica, fragilidade institucional e subinvestimento em soft power. A Suíça se mostra mais resiliente, apoiada na consistência de sua marca histórica.

Alguns países conseguem se destacar nesse ambiente adverso. O Japão sobe impulsionado pelo turismo e pelo apelo cultural; a Itália registra a menor queda entre as grandes economias, beneficiada por alinhamentos políticos globais; Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar ganham espaço como parceiros pragmáticos; e a Coreia do Sul avança graças ao poder cultural e à indústria de conteúdo.

Em paralelo, o enfraquecimento do Ocidente abre espaço para o avanço simbólico de países associados ao hard power. Rússia, Coreia do Norte e Burkina Faso sobem no ranking, embora com ganhos potencialmente frágeis. Já países percebidos como incoerentes entre discurso e prática, como Israel e Ruanda, sofrem quedas relevantes.

O quadro geral indica uma redistribuição do soft power global: influência passa a depender menos de força econômica ou militar isolada e mais de reputação, coerência estratégica e capacidade de sustentar narrativas críveis em um mundo mais cético.