As marcas mais valiosas de 2026: Nvidia avança e Apple lidera
Brand Finance ainda destaca Itaú como a única brasileira no ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo
Em meio à corrida pela dominância do mercado de inteligência artificial (IA), a fabricante de chips e software Nvidia se tornou a quinta marca mais valiosa do mundo, segundo relatório da Brand Finance, publicado nesta terça-feira, 20. O valor da marca Nvidia mais do que dobrou na comparação com 2025, alcançando US$ 184,3 bilhões neste ano.

Enquanto Apple segue na liderança, Nvidia avançou quatro posições (Crédito: Gina Hsu/Paolo Bona/Shutterstock)
A liderança do ranking segue com a Apple, que cresceu 6% no ano, atingindo US$ 607,6 bilhões. Na sequência, aparecem Microsoft, segunda marca mais valiosa do mundo, que ultrapassou US$ 565,2 bilhões com crescimento de 23%. O Google ocupa a terceira posição, valendo US$ 433,1 bilhões e crescimento de 5%, e a Amazon se mantém na quarta posição, com valor de marca em US$ 369,9 bilhões e crescimento de 4%.
Para alcançar a quinta posição, a Nvidia superou TikTok/Douyin, Walmart, Samsung Group e Facebook em valor de marca. Outro expoente do mercado de IA, a OpenAI, dona do modelo ChatGPT, apareceu pela primeira vez no ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo na 178ª posição, com um valor de marca avaliado em US$ 14,1 bilhões.
A Intel, em contrapartida, perdeu cerca de 3% em valor de marca com um montante de US$ 13,9 bilhões. A metodologia da Brand Finance avalia a força das marcas e quantifica seu valor financeiro ao combinar dados do seu banco e a avaliação de especialistas.
| Brand Finance Global 500 2026 | ||||
| Ranking 2026 | Ranking 2025 | Empresa | Valor de marca 2026 (em US$ bilhões) |
Valor de marca 2025 (em US$ bilhões) |
| 1º | 1º | Apple | 607,6 | 574,5 |
| 2º | 2º | Microsoft | 565,2 | 461 |
| 3º | 3º | 433 | 412,9 | |
| 4º | 4º | Amazon | 369,8 | 356,3 |
| 5º | 9º | Nvidia | 184,3 | 87,8 |
| 6º | 7º | TikTok | 153,5 | 105,7 |
| 7º | 5º | Walmart | 140,9 | 137,1 |
| 8º | 6º | Samsung | 119,2 | 110,5 |
| 9º | 8º | 107 | 91,4 | |
| 10º | 10º | State Grid Corporation of China |
102,4 | 85,6 |
Itaú entre as mais valiosas
Única marca brasileira no ranking das 500 mais valiosas, o Itaú cresceu 15% em valor de marca em 2026, alcançando US$ 9,9 bilhões. O crescimento permitiu que a marca avançasse 20 posições e, agora, ocupa o 254º lugar na listagem global.
“O crescimento do valor de marca do Itaú, em 2026, reflete a performance robusta e os ganhos em receita e market share no Brasil, impulsionados pelo forte crescimento do crédito, pela adoção do banco digital e por campanhas publicitárias eficazes, como a “Feito de Futuro”, que contou com personalidades de destaque”, analisou Eduardo Chaves, managing director da Brand Finance no Brasil. Confira o ranking brasileiro de 2025.
Crescimento global e força do YouTube
O valor total das 500 marcas mais valiosas do mundo cresceu 11%, na comparação com 2025. Juntas, hoje, elas somam US$ 10,4 trilhões. As dez primeiras marcas do ranking correspondem a 27% do total e seis são companhias sediadas nos Estados Unidos.
Quando o assunto é força de marca, o Brand Strength Index (BSI), da Brand Finance, elegeu o YouTube como marca global mais forte. A companhia saiu da oitava posição em 2025 para a primeira com um crescimento de quase cinco pontos percentuais.
Geopolítica e soft power
Em outra frente de análises, o Brand Finance apresentou o Global Soft Power Index, que analisa o cenário global de soft power, em um contexto de mudanças geopolíticas relevantes, com impactos sobre reputação, governança, valores e atratividade dos países.
| Global Soft Power Index 2026 | ||
| Ranking | Awareness | Soft Power Index Score |
| 1º | Estados Unidos | Estados Unidos |
| 2º | China | China |
| 3º | Canadá | Japão |
| 4º | Japão | Reino Unido |
| 5º | Reino Unido | Alemanha |
A pesquisa revela um mundo em transição acelerada. Os Estados Unidos seguem como a nação mais influente, mas sofre forte desgaste reputacional sob Donald Trump, com quedas em governança, valores, relações internacionais, facilidade de negócios e compromisso climático. Ainda assim, mantém liderança em familiaridade, influência, cultura, entretenimento, tecnologia e marcas, sustentados pela centralidade midiática e diplomática daquele país.
A China consolida sua posição como principal alternativa ao domínio americano. Avança em reputação, governança, valores e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que reforça a percepção de economia forte e estável, reduzindo fragilidades históricas e ganhando credibilidade global.
O índice também aponta uma erosão generalizada das percepções internacionais, especialmente no Ocidente. Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Suécia e Austrália perdem relevância e sofrem com narrativas de estagnação econômica, fragilidade institucional e subinvestimento em soft power. A Suíça se mostra mais resiliente, apoiada na consistência de sua marca histórica.
Alguns países conseguem se destacar nesse ambiente adverso. O Japão sobe impulsionado pelo turismo e pelo apelo cultural; a Itália registra a menor queda entre as grandes economias, beneficiada por alinhamentos políticos globais; Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar ganham espaço como parceiros pragmáticos; e a Coreia do Sul avança graças ao poder cultural e à indústria de conteúdo.
Em paralelo, o enfraquecimento do Ocidente abre espaço para o avanço simbólico de países associados ao hard power. Rússia, Coreia do Norte e Burkina Faso sobem no ranking, embora com ganhos potencialmente frágeis. Já países percebidos como incoerentes entre discurso e prática, como Israel e Ruanda, sofrem quedas relevantes.
O quadro geral indica uma redistribuição do soft power global: influência passa a depender menos de força econômica ou militar isolada e mais de reputação, coerência estratégica e capacidade de sustentar narrativas críveis em um mundo mais cético.

