Como a Strava está construindo uma comunidade no Brasil?
Aumento dos clubes de corridas, atletas verificados e parceria com marcas fazem parte da estratégia da plataforma

Strava quer aprimorar relacionamento com a comunidade de atletas no Brasil (Crédito: -jacob-lund-adobestock)
Oficialmente no Brasil desde 2019, a Strava chegou ao País como uma plataforma com foco na comunidade de corredores e ciclistas. Hoje, o app mantém uma base mais eclética e visa conquistar o público que, cada vez mais, se conecta com uma vida saudável e com a prática de exercícios físicos.
De acordo com dados do Relatório Anual de Tendências do Ano no Esporte, de 2025, o app tem 180 milhões de usuários em mais de 185 países. O relatório que analisou as atividades da comunidade global do Strava, juntamente com dados de pesquisa de mais de 30 mil pessoas (usuários e não usuários), identificou que metade da geração Z planeja usar mais o Strava em 2026, enquanto a maioria diz que usará o Instagram e o TikTok na mesma quantidade ou menos.
A corrida é, ainda, o principal esporte registrado, graças à ascensão das provas. Nesse caso, a geração Z tem 75% mais probabilidade do que a geração X de dizer que sua principal motivação para o exercício é uma corrida ou evento.
O relatório apontou, ainda, que a musculação tem crescido, especialmente entre as mulheres da GenZ – elas também tinham 21% a mais de probabilidade de registrar Treino de Força no Strava em 2025.
Por isso, um dos trabalhos que a plataforma vem fazendo no Brasil é a construção de uma comunidade engajada. Louisa Wee, CMO Global da plataforma, explica que isso é parte essencial do trabalho da companhia no País.
“O Brasil é um país muito importante para o Strava em diversos aspectos. Ele possui uma base de usuários enorme e extremamente apaixonada, que já representa uma parcela muito grande e importante em modalidades como corrida e ciclismo”, avalia.
A executiva completa afirmando que, para os brasileiros, o Strava é mais que uma plataforma de corrida, mas sim uma forma de registrar a vida por completo. “É muito empolgante”, comenta.
Clubes, atletas e apaixonados
Um dos aspectos relevantes para esse relacionamento foi o crescimento dos clubes de corrida. A plataforma permite, hoje, que os próprios usuários desenvolvam os seus grupos.
Isso proporcionou um crescimento nesse tipo de comunidade. Segundo dados do Strava, 56% dos usuários brasileiros veem os clubes como o principal lugar para conhecer pessoas, globalmente esse número é de 37%.
Para Louisa, esse tipo de atividade se tornou parte integrante do app, ajudando os usuários a encontrarem parceiros para se manterem ativos. “Os clubes de corrida no Brasil cresceram oito vezes no ano passado”, revela.
Um segundo ponto são os atletas verificados. Nesse caso, essas personalidades são usuários autênticos do produto e que, de fato, consomem a plataforma cm frequência.
Essa comunidade ajuda a colaborar com as melhorias do app, com feedbacks, além de compartilhar suas conquistas com outras pessoas de forma genuína.
Neste caso, não são, necessariamente, pessoas que são pagas para essas atividades, mas sim usuários reais falando com seus seguidores sobre como usam o Strava e como ele os tem ajudado.

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Por fim, a comunidade de amigos, que é impulsionada por recursos da própria plataforma. “Oferecemos ferramentas que reconhecem quando você e outra pessoa estão fazendo uma atividade juntos, permitindo o registro compartilhado e a marcação mútua”, explica Louisa.
Conexão com marcas
Uma das parcerias com marcas não endêmicas que tem ajudado a construir essa relação foi com Heineken, com o Heineken 0.0 Finish Line Club, que consiste em circuitos de corrida personalizados no aplicativo, terminando em bares e cafés locais, com um clube de marca dedicado oferecendo desafios e recompensas exclusivas.
A Strava aponta que somente no Rio de Janeiros e em São Paulo, 50 mil atletas já participaram de ações como essa.
Louisa explica que o interessante sobre essas parcerias é, na verdade, o reconhecimento de um comportamento que já existia entre os consumidores. Muitas vezes, a corrida é apenas o início de uma interação social: há o momento do treino e, em seguida, a socialização pós-corrida.
Por isso, ao no entendimento da plataforma, foi algo natural a aproximação com Heineken, tendo em vista que a cerveja é um elemento de socialização. Ações como essas, são utilizadas pelas marcas para se inserir genuinamente no momento da corrida e se conectar com os consumidores.
“Não se trata apenas da corrida, mas das amizades feitas durante o percurso e do momento de descontração que vem depois”, comenta.
