SAÚDE

Como fica a disputa por preço das canetas emagrecedoras?

Anvisa aprovou novos registros na última semana e alimenta expectativa de queda nos valores

i 4 de agosto de 2026 - 6h00

Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou cinco registros de novos medicamentos injetáveis de agonistas do receptor de GLP-1, as populares “canetas emagrecedoras”.

Canetas injetoras azuis e brancas em linha de montagem industrial.

Na última quarta-feira, 29, Anvisa aprovou cinco registros de novos medicamentos (Crédito: Shutterstock)

Todos os registros aprovados pela Anvisa na última quarta-feira, 29, possuem como princípio ativo a semaglutida – que ficou conhecida pelo Ozempic, da Novo Nordisk – obtida por via sintética e são indicados para o tratamento de pacientes adultos com diabetes tipo 2.

Entre as farmacêuticas com medicamentos aprovados está a Hypera Pharma que vai comercializar a caneta Semavy. A previsão é que o remédio esteja disponível nas farmácias brasileiras em até dois meses, considerando a conclusão das etapas operacionais e comerciais necessárias.

A Hypera ainda não divulgou os valores da sua caneta, mas o aumento da oferta dos agonistas de GLP-1 e da produção nacional alimenta uma expectativa de queda nos preços que já era discutida antes mesmo do fim da patente da semaglutida, em março.

Os preços da semaglutida no Brasil

Dois meses depois, em maio, a EMS foi a primeira a conquistar a aprovação da Anvisa para produzir sua caneta à base de semaglutida. A caneta Ozivy chegou ao mercado em 15 de junho, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2, com matéria-prima sintética. Atualmente, a caneta avulsa está sendo vendida nos sites e aplicativos por cerca de R$ 464,81.

A EMS também ampliou as condições de acesso por meio do Programa Vida+Leve. Pacientes elegíveis podem comprar três canetas de 1mg por R$ 999 (R$ 333 por caneta). Também segue disponível no programa a modalidade com duas canetas de 1mg por R$ 863,22 (R$ 431,61 por caneta).

A dinamarquesa Novo Nordisk, que desenvolveu a semaglutida e foi detentora da exclusividade por 20 anos, comercializa o Ozempic (indicado para diabetes tipo 2) e Wegovy (indicado para obesidade e sobrepeso) a partir da semaglutida biológica. Ou seja, produzida com células vivas.

No programa NovoDia, da Novo Nordisk, os pacientes encontram as canetas avulsas de Wegovy e Ozempic de 1mg, no e-commerce, por R$ 999. Além dos injetáveis, o portfólio da farmacêutica também conta com o Rybelsus, semaglutida de via oral.

Desde 2025, a Novo Nordisk mantém uma parceria com a Eurofarma para comercializar no País os medicamentos Extensior (indicado para diabetes tipo 2) e Poviztra (indicado para obesidade e sobrepeso). Ambos produzidos com semaglutida biológica.

Em abril, a empresa lançou o programa de suporte ao paciente EuroCuida e, em junho, uma redução nos preços dos medicamentos. Individualmente, as canetas Poviztra e Extensior de 1mg podem ser adquiridas no programa por R$ 490. Se compradas na modalidade de início de tratamento, o preço chega a R$ 309.

Patente da tirzepatida e falsificações

Enquanto a oferta de medicamentos à base de semaglutida aumenta, a patente da tirzepatida no Brasil pertence à Eli Lilly com término previsto para 2036. Presente no Mounjaro, a tirzepatida age em dois receptores hormonais ao mesmo tempo, o GLP-1 e o GIP.

Hoje, no programa Lilly Melhor Para Você, o combo de início de tratamento do Mounjaro com uma caixa de 2,5mg e uma de 5mg é vendido por R$ 2.250 (R$ 1.125 por caixa). O programa também conta com duas opções de combos de manutenção.

Os desafios desse setor não se limitam ao aumento da concorrência entre as farmacêuticas aprovadas pela Anvisa. Segundo o Anuário da Falsificação, da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), o mercado ilegal de medicamentos movimenta R$ 16,8 bilhões por ano no Brasil.

O número representa um aumento de 46% na comparação com 2024. O avanço, para a Associação, teria uma relação direta com a procura por análogos de GLP-1.