Factópoles: entenda a briga pública entre Itaú e Metrópoles
Banco cria site para rebater notícias e informações do portal, alegando falta de direito de resposta; veículo propõe pagar auditoria para confirmar dados

(Crédito: Shutterstock)
O Itaú Unibanco anunciou nessa quarta-feira, 1º de julho, o lançamento do Factópoles, um site para, de acordo com o banco, registrar seus posicionamentos oficiais e assegurar o direto de resposta em relação a notícias publicadas por um “veículo de imprensa específico”.
Embora não cite o nome do portal no site, o Itaú refere-se ao Metrópoles, uma vez que todos os links que compõem o conteúdo do Factópoles – acompanhado da resposta do banco – são de reportagens publicadas pelo veículo.
De acordo com o Itaú Unibanco, “em um intervalo de 70 dias, foram publicadas 42 matérias e cerca de 50 de posts em redes sociais com informações distorcidas e sem o espaço de resposta condizente com a prática jornalística e os códigos de ética da profissão”.
Além da criação do Factópoles, o Itaú também envio notificação extrajudicial ao Metrópoles demandando direto de respostas e correções em reportagens em notas que a empresa considera estarem incorretas.
“O banco mantém histórico de atuação colaborativa, transparente e tempestiva com a imprensa, disponibilizando dados, relatórios, porta-vozes e notas, inclusive para os temas mais sensíveis, complexos ou controversos. O banco destaca que o Factópoles não é um canal de checagem de notícias falsas — para esse fim, a instituição mantém o ÉFake”, diz o Itaú, no comunicado que explica a criação do portal.
“Trata-se de um registro público de fatos, que reúne os dados, contextos e posicionamentos oficiais do Itaú que foram omitidos ou desconsiderados na apuração original, na busca por restabeler o equilíbrio do debate e a transparência das informações para o mercado, clientes e investidores. O Itaú Unibanco reafirma seu respeito à liberdade de imprensa, ao livre acesso às fontes, ao sigilo profissional e ao jornalismo investigativo, fundamentais para fiscalizar as instituições e fortalecer a democracia. O limite que estabelece é o da legalidade, das normas éticas e do equilíbrio no debate público”, segue o banco.
O que diz o Metrópoles?
Em publicações feitas em seu site, o Metrópoles rebate as afirmações do Itaú e propõe a realização de uma auditoria, que seria custeada pelo próprio portal jornalístico, para comprovar o conteúdo das reportagens veiculadas pelo Metrópoles.
Entre os assuntos publicados pelo portal nas últimas semanas estão informações sobre supostas cobranças irregulares que o Itaú teria feito para seus clientes ao longo de 14 anos, o que, segundo o Metrópoles, pode ter gerado o ingresso de R$ 16 bilhões a R$ 33 bilhões nas contas da instituição financeira.
“O Metrópoles substituirá as projeções pelos números reais desde que o Itaú permita que uma auditoria contratada pelo portal, com as ressalvas de confidencialidade que o assunto exige, verifique as contas-correntes e as faturas dos cartões de crédito dos seus clientes no período mencionado e possa, assim, revelar com precisão o montante efetivamente arrecadado e o número de correntistas lesados”, diz o portal de notícias.
O Metrópoles diz, ainda, em outra publicação, que o “nome do site criado pelo Itaú, em vez de “Factópoles” deveria ser “Falsópoles”, dadas as inverdades, meias-verdades e sofismas contidos nas publicações da página gerada pelo banco”.
O portal ainda coloca-se “à disposição do Banco Itaú para publicar novas matérias baseadas nos seguintes documentos: comprovação de que os clientes contrataram os seguros e serviços pelos quais foram cobrados e de cujos contratos provavelmente se esqueceram; quantificação precisa dos prejuízos causados aos clientes, mediante relatório de auditoria independente custeada pelo Metrópoles que informe o número de clientes atingidos pela prática; e os valores abatidos indevidamente dos saldos dos correntistas”, diz a nota.
Por fim, o veículo reafirma seu compromisso em levar informação de “qualidade, transparente, sem se intimidar com pressões de quem quer que seja”,
