Pesquisa

Inteligência artificial ganha peso na decisão de compra

Pesquisa da Conversion mostra como recomendações automatizadas levam empresas a rever estratégias de visibilidade

i 5 de novembro de 2026 - 6h00

Assistentes de IA passam a influenciar escolhas de consumo (Créditos: Igor - Adobestock)

Assistentes de IA passam a influenciar escolhas de consumo (Créditos: Igor – Adobestock)

Um levantamento da Conversion, em parceria com o Opinion Box, aponta que 55% dos consumidores já deixaram de comprar de uma marca que não foi recomendada por ferramentas de inteligência artificial.

O levantamento “Jornada de compra na era da IA” ouviu 1.121 consumidores que utilizam essas ferramentas e 365 profissionais que aplicam a tecnologia no trabalho.

Os resultados mostram que a influência da inteligência artificial já vai além da pesquisa por informações: entre os entrevistados que pediram recomendações de produtos, 79% afirmam que a tecnologia foi decisiva para resolver dúvidas sobre o que comprar. Outros 69% já mudaram de opinião sobre uma marca ou produto após uma indicação.

Esse comportamento também deve ganhar força. Entre os consumidores que já recorrem à IA para recomendações, 76% esperam utilizar essas ferramentas mais ou muito mais nos próximos 12 meses para pesquisar produtos e serviços. Além disso, 74% acreditam que, no futuro, a maioria das pessoas fará compras com o auxílio da tecnologia.

Da busca à recomendação

A mudança também aparece na maneira como os consumidores pesquisam antes de comprar. As visões gerais produzidas por inteligência artificial no Google já foram vistas por 89% dos entrevistados. Para 28%, dependendo da resposta apresentada, o resumo é suficiente para encerrar a pesquisa, sem a necessidade de acessar outros resultados.

O comportamento, porém, ainda não representa o abandono dos buscadores tradicionais. Enquanto 33% leem o resumo gerado pela IA e depois consultam os links, 19% preferem aprofundar a conversa com a ferramenta e 14% acessam as fontes indicadas. A avaliação desse recurso é positiva para 80% dos entrevistados, enquanto 66% dizem confiar, ao menos parcialmente, nas informações apresentadas.

A confiança, no entanto, não elimina a necessidade de checagem. Quando uma ferramenta recomenda uma marca desconhecida, 83% dos consumidores afirmam que procuram outras informações antes de decidir pela compra. Google (59%), Reclame Aqui (46%) e o próprio site da empresa (42%) estão entre os principais canais utilizados nessa verificação.

As recomendações de assistentes de IA já aparecem entre as fontes de confiança de 62% dos entrevistados, próximas das indicações de amigos e familiares (66%) e das avaliações de outros clientes (68%). O índice supera o de vídeos e informações divulgadas pelas próprias marcas (53%) e o de influenciadores (43%).

Empresas disputam espaço

A transformação no comportamento dos consumidores começa a se refletir nas estratégias das empresas. Para 61% dos profissionais ouvidos, a maioria das pessoas passará a fazer perguntas diretamente aos assistentes de IA, em vez de recorrer ao Google ou navegar por sites. Apenas 2% acreditam que o hábito de clicar em links nos buscadores tradicionais será mantido.

Nesse cenário, a otimização para mecanismos generativos, conhecida como GEO (Generative Engine Optimization), ganha espaço entre as prioridades do mercado. Segundo o estudo, 56% dos profissionais apontam a adaptação de sites e dados para que suas empresas sejam recomendadas e citadas pelas ferramentas como principal estratégia. Em comparação, apenas 3% pretendem reforçar os investimentos em anúncios pagos.

A publicidade dentro das conversas com IA também aparece como um ponto de atenção. Entre os consumidores, 41% dizem não gostar do formato. Para aqueles que aceitam esse tipo de anúncio, a relevância das recomendações (27%) e a frequência de exibição (20%) são fatores importantes.

Mesmo diante das resistências e das dúvidas sobre a confiabilidade das respostas, os investimentos corporativos devem crescer. Cerca de 77% dos profissionais esperam ampliar os gastos com ferramentas e treinamentos de inteligência artificial nos próximos dois anos.

O receio de receber recomendações fraudulentas, entretanto, permanece: 39% dos consumidores dizem temer que a IA indique sites falsos ou golpistas. Outros 36% apontam resultados pouco confiáveis e 34% mencionam informações incorretas entre as desvantagens da tecnologia.