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Quais os perfis dos torcedores da Copa do Mundo Fifa?

Estudo da HSR Specialist Researchers aponta quais são as características de cada estilo de torcedor que acompanhará o torneio de seleções

i 7 de abril de 2026 - 15h15

Torcedores estão propensos a mudar o hábito de consumo durante a Copa do Mundo (Crédito: Focus-Pix-shutterstock)

Torcedores estão propensos a mudar o hábito de consumo durante a Copa do Mundo (Crédito: Focus-Pix-shutterstock)

A Copa do Mundo é um evento que impacta diretamente os hábitos de consumo, tendo em vista que, em torno da competição, é criado um calendário linkado aos jogos, com descontos, pré-jogo, pós-jogo, baseado em resultado e promoções.

Não à toa, um relatório da Warc Media, Global Ad Trends, aponta que torneio deve injetar US$ 10,5 bilhões no mercado global de publicidade durante o trimestre em que o evento ocorre, número expressivo, mesmo com uma queda de incremento de US$ 12,6 bilhões da Copa de 2018 na Rússia, e um ganho de somente 1,1% em relação à Copa de 2022 no Catar.

Por isso, a HSR Specialist Researchers apresenta o estudo “Personas da Copa”, que tem o objetivo de analisar o perfil de torcedores e seu comportamento durante a Copa do Mundo, competição com alta probabilidade de alterar os hábitos de consumo das pessoas.

A pesquisa aponta que que 76% dos brasileiros declaram um interesse alto no torneio de seleções e que 80% dos respondentes pretendem assistir aos jogos em casa, com a família. Além disso, o instituto identificou três grupos de torcedores, com recortes específicos, ligado a personas (veja tabela abaixo).

OS HARDCORES (Amor & Pertencimento)
Este grupo é o “núcleo duro” da audiência, com alto envolvimento emocional e planejamento de consumo. Consumo total de mídia, foco em produtos oficiais e campanhas institucionais
Loucos por Copa Patriotas Mulheres Fanáticas

Interesse: 100% possuem interesse extremo pelo evento.
Local de Visualização: Transformam a casa em um centro de consumo, preferindo assistir com a família (62%) ou amigos (55%)

Gatilhos de Compra: Embora 76% planejem suas compras, 44% são vulneráveis ao impulso, especialmente se a marca reforçar o ritual da partida

Segunda Tela: 47% utilizam o celular o tempo todo durante os jogos

Perfil: São os principais tomadores de decisão do lar (household decision-makers), com 57% sendo casados ou em união estável

Fidelidade: 74% assistirão a todos os jogos possíveis, priorizando o conforto e a segurança da família (66%)

Conexão: Sentem-se mais nacionalistas e vibram intensamente com as cores do Brasil durante o torneio
Digital & Social: Têm dominância absoluta no Instagram (92%) e são o grupo mais conectado a rituais e superstições (21%)

Sensibilidade Ética: Possuem o maior alinhamento com ESG; 70% escolhem patrocinadores que cuidam das pessoas e do meio ambiente, contra 47% da média nacional

Segunda Tela: Lideram a intensidade de uso de celular, com 49% conectadas o tempo todo
OS SOCIAIS (Humor & FOMO) ANALÍTICOS (Informação e Qualidade)
Para este grupo, a Copa é um evento social ininterrupto, onde o jogo muitas vezes serve de pano de fundo para a interação. Segunda tela intensa, foco na festa, memes e consumo impulsivo. Mais interessado em bens de consumo rápido (bebidas/snacks) e conteúdo viral Este grupo valoriza a excelência técnica e a profundidade da informação, rejeitando distrações ou ruídos excessivos. Consumo premium, foco em bens duráveis (tech) e serviços exclusivos
Turma do Boteco Concentrados

Ambiente: Possuem 100% de afinidade com bares e restaurantes

Consumo de Conteúdo: O engajamento foca na repercussão imediata: 76% consomem memes e 70% buscam vídeos curtos com lances e reações

Comunicação: Exigem mensagens de “baixa fricção cognitiva”, como visuais impactantes e frases de efeito sonoras devido ao barulho do ambiente

Estilo: Praticam o “Tradicionalismo Híbrido”; preferem o silêncio, a calma e o ambiente familiar (37%) para não perder nenhum lance

Foco: Assistem aos jogos de forma focada e vivem cada momento intensamente
Os das Redes (34% da audiência) Turma do Vinho
Onipresença Digital: Utilizam a segunda tela em 100% do tempo; para eles, o jogo não existe sem o comentário digital simultâneo

Interação: Buscam a interação social acima de tudo: poder comentar, ver enquetes e participar da conversa global

Perfil Socioeconômico: Perfil SEL A/B superior (13% na classe A e 51% na classe B)

Exigência Técnica: São altamente exigentes com a tecnologia; 53% priorizam imagem 4K e som de alta fidelidade

Posicionamento de Marca: Valorizam a exclusividade, a sofisticação e serviços premium que justifiquem um preço superior (price premium)

Entre esses, os perfis personificam comportamentos distintos e podem atuar de acordo com gatilhos variados. O levantamento levou em conta o envolvimento emocional de cada tipo de torcedor com o torneio. Exemplo disso, são os Hardcores, que têm como premissa amor e pertencimento, entendendo o futebol como uma comunidade.

Dentro desse grupo, o consumo é com foco em produtos oficiais e campanhas institucionais, pois para 50% deles, o humor é altamente afetado pelo resultado dos jogos. Lucas Pestalozzi, sócio e head de inovação da HSR Specialist Researchers, comenta que os grupos que têm suas emoções mais atreladas a Copa são mais vulneráveis a um impulso de compra.

Já os Loucos por Copa, embora 76% planejem suas compras, 44% de dizem vulneráveis a gatilhos, enquanto 47% utilizam o celular o tempo todo durante os jogos, em um momento em que podem ser diretamente impactados por campanhas.

Copa e os rituais de compras

Os dados da pesquisa revelam que 21% das pessoas que pertencem ao grupo de mulheres fanáticas têm rituais e superstições ligadas ao jogo, um terreno que pode ser bastante explorado pelas marcas gerando oportunidades de abrir uma conversa.

A entidade aponta que 59% dos brasileiros dizem que vão gastar entre R$ 500 e R$ 5.000 com itens relacionados à Copa, seja comida, bebida, produtos, viagem entre outros itens. Dentre esses, 43% associam o motivo do gasto celebração. Os itens mais consumidos são pipoca e salgadinho (59%), refrigerante, (56%), cerveja (46%) e pizza (45%).

“A pergunta que as mercas devem se fazer é ‘quais gatilhos de ritual de partida podem ser criados para converter o impulso em receita real?’. E é isso o que os dados vão mostrar”, explica Pestalozzi.
O executivo diz, ainda, que ao avaliar o que influência na decisão de compra, 66% dos gatilhos são gerados por promoções e preços, enquanto 54% são qualidade. A celebração e tradição são a resposta de 14% dos espectadores.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em janeiro de 2026, com 1.200 brasileiros, com idade acima de 18 anos, de todas as regiões e classes sociais do País.

Os dados foram a base para a construção das personas sintéticas, que fez uso de modelagem estatística e IA generativa e que, posteriormente, foram validadas por grupo controle para garantir consistência comportamental. Esses personagens foram expostos a simulações de decisão de compra, interação digital e percepção de marca para entender as reações.

De acordo com a HSR, o estudo inaugura um monitoramento em quatro ondas no primeiro semestre de 2026, integrando mensuração tradicional e simulação em tempo real.