Recuperação extrajudicial: Chilli Beans amplia lista de empresas
Rede de óticas e acessórios tenta renegociar dívida de R$ 340 milhões; Ri Happy, Estrela, Grupo Pão de Açúcar e Habib’s também entraram com pedido

(Crédito: Divulgação)
Mais uma empresa nacional entrou com pedido de recuperação extrajudicial. Na última sexta-feira, 31, a rede de óticas e acessórios Chilli Beans comunicou seu plano de recuperação a fim de negociar uma dívida bancária de R$ 340 milhões.
Em comunicado, a empresa explicou que o acordo, alinhado com seus principais credores, também prevê aporte de até R$ 50 milhões para fortalecer a reestruturação da marca. Esse montante será financiado por Itaú, Akron e Vega.
Ao longo desse processo, a Chilli Beans diz que os “fornecedores, colaboradores e demais parceiros serão preservados”.
No comunicado, o fundador e CEO da Chilli Beans, Caito Maia, comentou a situação. “Estamos muito otimistas, lançando produtos incríveis, abrindo novas lojas na América Latina e prontos para celebrar três décadas de história em 2027 com a energia que é a nossa maior característica”, declarou.
A situação financeira da Chilli Beans
Em setembro, a Chilli Beans havia anunciado um plano já para tentar renegociar as dívidas com seus credores.
Na ocasião, a empresa comunicou que, a partir de outubro, o executivo André Dela Togna, profissional com experiência em processos de gestão e transformação empresarial, assumiria o cargo de vice-presidente, apoiando diretamente e operacionalmente o CEO Caito Maia.
Dela Togna é conselheiro da Klin e fundador da aceleradora CelUp e chega ao negócio com a proposta de auxiliar a companhia a melhorar sua situação financeira.
A Chilli Beans completará 30 anos em 2027 e surgiu a partir de uma aposta de Caito Maia na criação de um estande de óculos escuros no Mercado Mundo Mix, em São Paulo. O próprio fundador da companhia contou a história da marca e falou sobre os planos para o futuro durante participação no podcast A Ideia, em setembro. Veja:
Outros casos
A Chilli Beans une-se a outras empresas que, neste ano, também entraram com pedido de recuperação extrajudicial para tentar negociar suas dívidas.
O exemplo mais recente é o da rede de lojas de brinquedos Ri Happy, que pediu recuperação extrajudicial no último dia 18, juntamente com outras empresas do grupo, que conta com nomes como PB Kids e New Toys. A proposta é renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas.
Antes disso, em 2023, a companhia já havia feito um pedido de recuperação para negociar cerca de R$ 292 milhões com bancos, mas a iniciativa não surtiu o efeito econômico desejado.
A Ri Happy não foi a única corporação neste ano a tentar a renegociação de suas dívidas de forma extrajudicial, ou seja, sem envolver a justiça, negociando diretamente com os seus credores.
Em agosto, a Braskem aprovou o pedido para reestruturar cerca de U$10,9 bilhões em dívidas financeiras. Já a Raízen, joint-venture formada pela Cosan e Shell, tinha como objetivo sanar dívidas que ultrapassam o montante de R$ 65,1 bilhões.
No setor de varejo alimentar, Grupo Pão de Açúcar (GPA) desenvolveu um plano que, segundo comunicado, tinha como objetivo renegociar uma dívida de R$ 4,5 bilhões. O plano não abrangia as obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas.
Além da Ri Happy, a Estrela, que também é do segmento de brinquedos, enfrenta dificuldades financeiras. Em maio deste ano, a fabricante entrou com um pedido de recuperação judicial. Neste caso, diferente do que acontece com a varejista, o processo acontece todo dentro da Justiça, sob a supervisão de um juiz e atinge todas as classes de dívidas, incluindo as trabalhistas.
Entre as empresas que solicitaram recuperação judicial recentemente estão Grupo Gennius, dono de Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill; Casas Bahia e Grupo Toky, dono das varejistas de móveis Tok&Stok e Mobly.
