Target é acusada de racismo nos EUA e pede desculpas
Rede publicou anúncio de fantasia que evocava a prática de blackface; episódio acontece após retração nos investimentos em diversidade e inclusão

(Crédito: Reprodução/X)
Por Adrianne Pasquarelli, do Ad Age
A Target, rede de lojas de departamento dos Estados Unidos, está enfrentando novamente um boicote e acusações de racismo — desta vez, por conta de uma fantasia de Halloween que a própria empresa admitiu, posteriormente, que era ofensiva.

Marcas recuam nos eventos de diversidade
Algumas pessoas afirmaram que o “Kids’ Glows Under Blacklight Circus Clown Halloween Costume Bodysuit”, uma fantasia criada pela Hyde & Eek, marca própria da Target, é evocativa de blackface e da iconografia dos antigos minstrel shows.
Após a recente repercussão negativa, a Target removeu a fantasia de seu site e publicou um pedido de desculpas nessa segunda-feira, 24, reconhecendo que o produto é “especialmente doloroso” para “clientes, membros da equipe e parceiros negros”.
“Como empresa, sabemos que erramos e pedimos desculpas profundas. A fantasia é ofensiva e nunca deveria ter feito parte do nosso sortimento”, dizia o comunicado. A Target planeja revisar seus procedimentos sobre como a fantasia chegou ao mercado para “garantir que isso não aconteça novamente”, afirmou a nota.
An apology from us: We pulled an offensive Halloween costume that should never have been part of our assortment. It is no longer for sale. As a company, we got this wrong, and we are deeply sorry. We know this is especially hurtful for our Black guests, team members and partners.…
— Target News (@TargetNews) August 24, 2026
O rápido pedido de desculpas da Target foi uma atitude correta, de acordo com Lola Bakare, assessora de CMO, estrategista de marketing inclusivo e autora de “Responsible Marketing”, que observou que as marcas costumam cometer o erro de fazer um “falso pedido de desculpas” que, muitas vezes, vacila ao assumir a responsabilidade.
“Eles fizeram exatamente a coisa certa no que diz respeito a não inventar desculpas, admitir o erro e se dirigir especificamente às comunidades que foram prejudicadas, além de falar sobre o que pretendem fazer no futuro”, disse ela. “Precisaremos ver o cumprimento disso na prática”, acrescentou, destacando o recente recuo da Target em relação à inclusão.
Outra crise da Target
Embora a resposta da Target tenha sido rápida, o deslize é apenas a mais recente crise de imagem enfrentada pela rede dos EUA. A empresa, na verdade, tem enfrentado críticas e boicotes devido ao retrocesso em suas metas e iniciativas de DEI, o que já se reverteu em quedas generalizadas nas vendas.
Ainda assim, seus resultados mais recentes indicavam possíveis sinais de recuperação. Na semana passada, a Target registrou um aumento de 5,3% nas vendas líquidas do segundo trimestre fiscal, atingindo US$ 26,5 bilhões, e um aumento de 3,8% nas vendas no conceito de mesmas lojas, seu segundo trimestre consecutivo de vendas positivas.
“No geral, os números proporcionam uma confiança crescente de que os anos difíceis da Target estão chegando ao fim”, escreveu Neil Saunders, analista de varejo da GlobalData, em uma nota de pesquisa na semana passada, destacando que a varejista está fazendo investimentos muito necessários em operações, sortimento de produtos e lojas físicas. “A recuperação não será necessariamente uniforme e suave, mas agora existe um caminho a seguir de uma forma que não existia há alguns anos.”
O progresso da Target, disse Bakare, depende de como ela enxerga a comunidade negra, destacando que a fantasia de Halloween parecia, à primeira vista, ser direcionada a esse grupo de consumidores.
“Você entende essa comunidade ou quer usá-la em benefício próprio?”, disse ela. “Isso cai do lado errado desse princípio e demonstra o que acontece quando uma empresa se afasta do valor da inclusão — não é surpresa que o recuo no compromisso leve a um erro de produto como este”, encerrou.