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Vendas de Páscoa devem bater recorde em 2026, com R$ 3,57 bi

Apesar disso, cesta de bens e serviços típicos dessa data deve registrar reajuste médio de 6,2%, segundo CNC

i 27 de março de 2026 - 12h33

Páscoa

Alta do cacau impacta preços do chocolates nesta Páscoa (Crédito: Blossom Stock Studio/Shutterstock)

As vendas de Páscoa no varejo devem atingir R$ 3,57 bilhões em 2026, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Isso representará uma alta de 2,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, batendo o recorde para a data, desde a série histórica iniciada em 2005 pelo CNC.

Apesar da expectativa de crescimento, neste ano, a cesta de bens e serviços típicos dessa data deve registrar reajuste médio de 6,2%, ficando acima da inflação pelo terceiro ano consecutivo. O principal fator para isso é a alta do chocolate, que deve esperar um aumento de 14,9% mesmo para marcas nacionais.

Segundo o CNC, essa alta é reflexo da valorização do cacau no mercado internacional. Outros itens de Páscoa que devem ter altas expressivas são: bacalhau (+7,7%) e a alimentação fora do domicílio (+6,9%).

O crescimento dos preços de chocolate e bacalhau importados devem ser ainda maiores, 37% e 19%, respectivamente, desestimulando as importações.

Como consequência disso, as encomendas desses produtos no mercado externo caíram 27% e 22%, respectivamente, em relação ao ano anterior, e a tendência é que produtos locais ganhem mais espaço neste ano, de acordo com a CNC.

No entanto, em nota, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, enfatizou que o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração do nível geral de preços deverão garantir o avanço nas vendas de Páscoa neste ano, alçando o volume de receitas ao maior patamar desde o início da pesquisa, uma vez que esses produtos são menos dependentes das condições de crédito.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, também destacou que, mesmo com a valorização do real frente ao dólar nos últimos 12 meses, é preciso ampliar as perspectivas de novos acordos internacionais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, a fim de contribuir para a redução dos preços de itens tradicionalmente consumidos nessa época.

Além disso, a CNC projeta que a tendência de recuperação iniciada em 2021, após o setor registrar em 2020 o menor patamar de vendas em quase uma década, por conta da Covid-19, se mantém. A confederação reforça que o dinamismo do mercado de trabalho e a melhora das condições de consumo têm sustentado o aquecimento da demanda nos últimos anos.