Bola da Copa: como a Adidas emprega tecnologia no Mundial?
Fornecedora da bola do Mundial desde 1970, a Adidas vê o desafio de seguir inovando a cada edição do torneio

Trionda é a bola mais tecnológica da Adidas para a Copa do Mundo (Crédito: ACHPF-shutterstock)
Além dos jogadores e treinadores, que são capazes de mudar uma partida com algumas orientações e jogadas, um dos elementos protagonistas de uma partida de futebol é a bola. E na Copa, é claro, isso não é diferente.
Esse ano, a Adidas lançou a Trionda, a versão mais tecnológica que a marca de materiais esportivos já apresentou para a Federação Internacional de Futebol (Fifa), trazendo a Tecnologia Bola Conectada, capaz de diminuir gargalos de arbitragem, o que resulta em um jogo mais fluido e uma experiência mais transparente.
Embora a Trionda tenha nascido na era da inteligência artificial, o suprassumo da tecnologia até agora, a marca visa inovar na produção da bola desde 1970, quando apresentava ao mundo a clássica Telstar.
A versão, que estreou na Copa do Mundo do México, ficou conhecida por ser projetada especificamente para ser vista em transmissões para a televisão. O nome vinha da sigla Television Star e homenageava o satélite de comunicações lançado em 1962, que foi o que permitiu que o torneio fosse exibido ao vivo na TV.
Percebendo que a bola original, marrom, sumia nas transmissões que ainda aconteciam em preto e branco, a Adidas criou um design com gomos, sendo 20 hexágonos brancos e 12 pentágonos pretos, para se destacar.
Agora, o desafio da marca é seguir inovando juntamente com a evolução da tecnologia e do esporte. Lucas Barillari, gerente sênior de futebol na adidas Brasil, fala ao Meio & Mensagem sobre como foi a criação da Trionda para a 23ª edição da Copa do Mundo. Leia a entrevista abaixo:
Meio & Mensagem – A Copa do Mundo de 2026 tem o maior uso de tecnologia de todos os tempos, com recursos até na bola oficial da competição. Na prática, o que isso muda dentro de campo? O que essa nova era tecnológica no futebol deve trazer?
Lucas Barillari – A adidas, como uma marca esportiva, está sempre buscando inovar e trazer as melhores tecnologias do mercado em seus produtos, sejam os vestuários, chuteiras ou acessórios. Ao pensar na Bola da Copa do Mundo, o grande objetivo é inovar e trazer a melhor bola possível para a competição, já que somos responsáveis pela bola oficial desde 1970. Para a Copa do Mundo de 2026, a adidas apresentou a Trionda, que já se tornou a bola mais tecnológica de todos os mundiais. O desenvolvimento da tecnologia de produto para uma bola precisa levar em consideração todos os participantes do ecossistema esportivo, como os atletas, técnicos, árbitros e até mesmo os espectadores. Então, essa “era tecnológica” tende a contribuir cada vez mais com o esporte, aumentando o nível e dando melhores recursos para quem faz o jogo acontecer.
M&M – Pode explicar como a marca empregou isso na Copa?
Barillari –A Trionda conta com a Tecnologia da Bola Conectada, que inclui um sistema inovador de chip montado lateralmente. O chip de sensor de movimento, que antes ficava suspenso no centro da bola, agora está localizado em uma das quatro paredes da bola. Contrapesos foram adicionados nos outros três painéis para manter a estabilidade e o equilíbrio do voo dela. Essa tecnologia fornece uma gama gigantesca de informações sobre todos os movimentos da bola, contando com o envio desses dados precisos em tempo real para o sistema do VAR. Ajudando, por exemplo, a arbitragem em decisões mais complexas, como impedimentos e outras infrações que possam ser detectadas através do contato na bola, como toques de mão. Essas informações serão combinadas com dados de posicionamento dos jogadores e inteligência artificial para as tomadas de decisões.
M&M – Já na experiência do espectador, qual o impacto do avanço da IA na Copa do Mundo? O que muda para quem consome?
Barillari –A Inteligência Artificial tem um papel cada vez mais importante na experiência da Copa do Mundo, especialmente ao apoiar a arbitragem na tomada de decisões. Em conjunto com a Tecnologia da Bola Conectada, ela permite analisar dados captados em tempo real durante as partidas, ajudando a identificar com precisão momentos específicos, como toques na bola e situações de impedimento. O principal impacto é um jogo mais dinâmico e fluido. Com o apoio da IA, decisões que antes poderiam demandar mais tempo tendem a ser tomadas de forma mais rápida e precisa, reduzindo interrupções e aumentando a confiança nos lances revisados. Isso significa mais tempo de bola rolando e um futebol em que o protagonismo permanece dentro de campo, com a tecnologia atuando como suporte para tornar a experiência mais justa e transparente para todos.
M&M – Em contrapartida, que desafios isso cria? Especialmente considerando o papel que a imprevisibilidade sempre teve no futebol.
Barillari – Com o passar do tempo e essa maior abertura para a tecnologia dentro do futebol, o maior desafio é continuar evoluindo, trazendo resultados que realmente impactem no jogo de uma forma positiva. Não é sobre tirar a imprevisibilidade do futebol, o esporte vai continuar sendo a caixa de surpresas que sempre foi, mas, agora, os profissionais envolvidos no jogo, sejam atletas ou árbitros, terão recursos maiores para fazer o espetáculo acontecer.
M&M – Como você enxerga o papel da tecnologia evoluindo em grandes eventos nos próximos anos? Que desafios e oportunidades isso cria para as marcas?
Barillari – Quando falamos de tecnologia, como marca esportiva, temos um compromisso histórico. Desde a fundação da adidas, muito antes do cenário atual com inteligência artificial, já existia essa busca contínua por inovação. Ao longo da nossa trajetória, sempre utilizamos feedbacks de atletas, aliados à ciência e à tecnologia, para aprimorar nossos produtos. Esse princípio segue orientando todos os nossos desenvolvimentos e lançamentos até hoje.
