decoração

Westwing amplia estratégia de marca própria

Com a Westwing Collection, marca amplia distribuição em marketplaces e usa embaixadores para avançar em gastronomia

i 16 de junho de 2026 - 6h00

Vanina Batista, diretora criativa da Westwing, fala sobre o novo momento da marca (Créditos: Divulgação)

Vanina Batista, diretora criativa da Westwing, fala sobre o novo momento da marca (Créditos: Divulgação)

Depois de atuar como clube de compras, com campanhas por tempo limitado e curadoria de produtos, a Westwing atravessa uma nova etapa no mercado de casa e decoração. Em meio a mudanças acionárias e ajustes na operação, a companhia trabalha para ampliar sua diferenciação.

Entre as frentes estão a Westwing Collection, marca própria que representa cerca de 30,6% do volume bruto de mercadorias (GMV) da companhia, collabs, embaixadores e novos canais de venda.

O movimento ocorre em paralelo a mudanças na composição acionária da Westwing. Em janeiro, a Mastercard Brasil passou a deter 3,5 milhões de ações da companhia, equivalentes a 31,87% do capital social, após a execução de garantias relacionadas a obrigações do Will Bank, instituição ligada ao grupo Banco Master, segundo a Bloomberg Línea e o InvestNews.

À época, a Mastercard informou que não pretendia manter participação acionária na varejista nem exercer direitos políticos relacionados às ações durante o processo de venda. A Westwing afirmou à Bloomberg Línea que sua administração não participou da operação e que a companhia não possuía dívida bancária ou exposição à instituição financeira envolvida.

Em maio, a Bloomberg Línea informou que gestoras como Oriz, HIX Capital, BlueOak, Três Ilhas e Leblon Equities adquiriram parte da participação que havia passado à Mastercard. À publicação, André Machado, CEO da Westwing desde agosto de 2025, afirmou que a empresa não tem exposição ao grupo Master.

Westwing Collection

Na frente de marca, a companhia tem ampliado a distribuição da Westwing Collection. Além do e-commerce e do aplicativo próprios, a linha passa a ser comercializada em canais como Mercado Livre, Amazon, Magalu e Fast Shop.

Parte dos produtos da marca própria é desenvolvida e produzida no Brasil, principalmente em categorias como móveis e têxteis, enquanto outra parcela é importada de mercados como a China.

Para Vanina Batista, diretora criativa da Westwing, a expansão da linha e dos pontos de venda acompanha o desafio de diferenciar a oferta em um mercado no qual preço, prazo e variedade ganharam peso na decisão de compra. “Você pode até comprar em outro lugar, mas não vai ser exatamente o que você encontra aqui”, afirma.

No varejo físico, a Westwing mantém lojas na Vila Madalena e em Moema, em São Paulo, e em Tamboré, em Barueri. A companhia chegou a ter nove unidades no País, mas fechou operações que não tinham a performance esperada.

Hoje, segundo Vanina, o online segue como principal canal, enquanto as lojas cumprem papel de relacionamento e contato com produtos, consumidores, arquitetos e especificadores.

“A gente quer que as lojas traduzam melhor a forma como apresentamos ambientes no site e, ao mesmo tempo, sirvam como ponto de contato para consumidores, arquitetos e especificadores”, afirma.

Loja da Westwing em Moema, em São Paulo (Créditos: Divulgação)

Loja da Westwing em Moema, em São Paulo (Créditos: Divulgação)

Segundo Vanina, móveis seguem como principal categoria da Westwing, mas a companhia também recompõe frentes como cozinha, mesa posta, têxteis, aromas e objetos para receber. A ampliação do portfólio acompanha a proposta de estar presente em diferentes momentos de consumo da casa.

“Não se troca de sofá todo ano, não se troca de tapete a cada semestre. Mas você tem etapas da vida em que vai precisando de coisas para a sua casa”, afirma.

Gastronomia e repertório criativo

A nova fase também passa por collabs e embaixadores. A chef e empresária Renata Vanzetto é a nova embaixadora, que também conta com os arquitetos Clara Nahas e João Gabriel.

“Desde o início do ano, buscávamos uma parceria ligada à gastronomia, um universo que conversa diretamente com a forma como entendemos a casa: um espaço de encontro, troca e expressão pessoal”, diz Vanina. A parceria prevê campanhas, conteúdos, experiências e ativações ao longo do ano.

Para a diretora criativa, a gastronomia amplia o território da marca a partir da relação com a casa. “Se a gente fala de sensações, de momentos dentro de uma casa, de convivência, de encontros e de receber, a comida está sempre presente”, afirma.

Na área criativa, Vanina afirma que a Westwing acompanha tendências de comportamento, feiras internacionais e repertórios de arquitetura e design. Entre os temas no radar estão bem-estar, desaceleração, excesso de telas e a casa como espaço sensorial.

Neste ano, por exemplo, a marca participou pela primeira vez da Bienal de Arquitetura Brasileira, com instalação assinada pelo arquiteto e designer Marcelo Rosenbaum.