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Documentário apresenta as lições de Thomaz Souto Corrêa

Jornalista considerado maior revisteiro do mundo esteve à frente das publicações da Abril por mais de 50 anos

i 26 de outubro de 2026 - 6h03

Nesta quarta-feira, 28, acontece o lançamento do documentário Thomaz e as revistas: lições óbvias, sobre o braço direito da Editora Abril, Thomaz Souto Corrêa, com direção de Francisco Passarelli.

O produtor é sócio da produtora Movie Idea e trabalhou com um dos principais nomes da empresa fundada por Victor Civita.

O evento, de fato, se realizará a partir das 19h no Instituto Moreira Salles, na avenida Paulista, em São Paulo (SP).

Corrêa: mais de 50 anos

Por mais de 50 anos, Souto Corrêa esteve à frente da criação, desenvolvimento e consolidação de algumas das revistas mais importantes do País.

Entre essas revistas, estão títulos como Claudia, Playboy, Placar, Superinteressante e Quatro Rodas.

Em artigo publicado no Estadão em julho de 2024, o escritor Ignácio de Loyola Brandão escreveu: “Thomaz começou carreira aos 18 anos neste jornal, apelidado Estadão. Escrevia para o Suplemento Feminino, fazia uma coluna para a Revista Visão, e redigia um jornal inteiro, O Volante, house organ da Viação Cometa. Então foi para a Abril, pioneira em dezenas de publicações, fascículos, coleções de todos os tipos, discos, livros, música popular brasileira, grandes pintores. E uma infantil campeã, Recreio.”

Na Abril, continua Loyola, “Thomaz chegou a vice-presidente executivo e vice-presidente do conselho editorial. Por dois mandatos, presidiu a Associação Nacional de Editores de Revistas “Aner). Sem esquecer que foi o primeiro presidente latino-americano do conselho diretor da Fédération Internationale de la Presse Périodique (Fipp) A Abril, sob Thomaz, foi celeiro de centenas de jornalistas, boa parte hoje escritores reconhecidos, sendo que três deles estão na Academia Brasileira de Letras, Antonio Torres, Ruy Castro e eu.”

Meio século na Abril

Na verdade, o revisteiro entrou na Abril em 1966, completou meio século na editora em 2016.

Ainda, esteve ligado ao grupo em funções de conselho e consultoria editorial por mais alguns anos.

Trabalhou, portanto, com os Civita por décadas.

Com o fundador da editora, Victor, a princípio, e depois, ao longo de toda a jornada na Abril, com Roberto Civita (falecido em 2013).

O diretor do documentário, Passarelli, também trabalhou na Abril entre 2008 e 2013, justamente com Thomaz.

“Quando saí da Editora Abril para me dedicar à produtora Movie Idea, tive como uma das minhas últimas missões fazer o vídeo de homenagem aos 50 anos de Thomaz Souto Corrêa na Abril. Foi ali que nasceu uma ideia que, mais de dez anos depois, se tornou realidade: o documentário Thomaz e as Revistas: Lições Óbvias”, afirma.

Braço direito dos Civita

Passarelli diz que Thomaz era o braço direito dos Civita. “Era o executivo principal e foi o braço direito do Roberto durante quase toda a jornada. Entrou na Abril em 1966 como redator-chefe da revista Cláudia”, afirma.

O produtor conta que Thomaz começou a fazer várias mudanças, trouxe muita gente para trabalhar na Claudia e começou a dar uma estrutura para a revista e a estabelecer um padrão, o padrão Abril de qualidade.

Depois, assumiu outras revistas do núcleo feminino como a Manequim, Capricho, todas as revistas passaram a se reportar a ele que, depois, ampliou para as revistas masculinas, a Playboy, Placar, Superinteressante”, detalha o diretor.

Veja e Exame

A Veja e a Exame, contudo, nunca ficaram sob a alçada de Thomaz. “Ficavam sob a direção do Roberto, que tomava conta delas”, lembra Passarelli.

Nas demais revistas, diz o diretor, Thomaz começou a entender que uma revista deveria funcionar não somente na parte de texto, mas no visual, de forma a fazer o designer e os jornalistas trabalharem juntos.

E isso fez, portanto, com que as publicações se tornassem líderes de segmento.

“O documentário traça um paralelo entre a biografia dele e o peso que as revistas tinham. Queremos mostrar aos jovens como as revistas tinham um peso muito significativo e mostrar o óbvio que o Thomaz ensinou sobre uma boa edição. Defendemos que, por mais que as revistas estejam neste momento que é muito difícil, de queda de circulação, como todo o jornalismo impresso, a boa edição e os ensinamentos do Thomaz não se prendem aos meios, podem ser levados a um podcast, TV, blog. Se você tiver esses dogmas que são uma base muito boa do que deve ser feito, pode alcançar o sucesso na comunicação.”