IA: segredo dos anúncios está nas buscas, diz Google
Dan Taylor, VP global de anúncios da companhia, declarou que as marcas terão de se adaptar à nova forma mais sofisticada e detalhada pela qual os usuários fazem as perguntas

(Crédito: Shutterstock)
“Os melhores anúncios serão as respostas”. É dessa forma que Dan Taylor, vice-presidente global de anúncios do Google”, definiu como deve ser a publicidade nessa nova era em que a inteligência artificial molda a maneira como as pessoas interagem, conversam e buscam por produtos e serviços nas redes sociais.
O executivo esteve no Brasil na semana passada, para participar do evento Re-Think With Google, encontro anual promovido pela empresa de tecnologia para apresentar suas soluções – e, especificamente neste ano, enfatizar como a inteligência artificial já modificou os hábitos de busca por produtos e pesquisas de preços no ambiente online.
De acordo com pesquisa realizada pelo Google em parceria com a Ipsos, 82% dos brasileiros usuários de internet já utilizam algum recurso de inteligência artificial. E a gigante das buscas já vem atuando, em diversos mercados, para transformar esses novos hábitos no novo centro da publicidade digital.
“O Gemini [chatbot de IA do Google] pode ajudar a criar demanda, capturar essa mesma demanda e convertê-la em vendas”, explicou Dan Taylor, descrevendo que essa grande transformação gerada pela nova tecnologia está calcada, na verdade, na possibilidade que os usuários ganharam de sofisticar suas buscas.
O líder de Ads do Google relatou que os aplicativos como Gemini e outras plataformas de IA permitem que as pessoas detalhem suas necessidades, em uma linguagem mais ampla e sofisticada. Se antes as palavras-chave, soltas e isoladas, eram a maneira pela qual o usuário dizia o que buscava, agora o detalhamento das necessidades pessoais cresce de nível – o que exige, também, maior precisão e assertividade nas respostas.
E é aí, na visão do Google, que entram os anúncios e inserções das marcas na era da IA. A área de publicidade da big tech já oferece soluções comerciais estruturadas na tecnologia e, agora, prevê ampliar a presença das marcas anunciantes nas conversas que as pessoas têm, diariamente, com os chatbots.
“A primeira tarefa que temos nessa nova era de IA é criar demanda, fazendo as pessoas dizerem o que elas querem e o que importa para elas, captando as oportunidades. E, depois, é preciso converter esse interesse em crescimento de negócios, removendo fricções e simplificando processos”, contou o executivo.
Shopping no Gemini
A empresa se prepara para lançar no Brasil, em português, a atualização da aba Shopping para o Gemini, que permitirá que, ao perguntar sobre determinado produto ou serviço, o usuário receba, nas respostas, listas de opções, com os respectivos preços e informações.
A solução, na verdade, já está disponível no idioma inglês e, em breve, deverá ganhar versão na língua local.
Taylor comentou que o Gemini oferecerá aos usuários um cardápio de mais de 50 bilhões de produtos, que já fazem parte do portfólio do Google Shopping. Em breve, segundo o executivo, a meta é sofisticar a ferramenta, ampliando as interações e permitindo, por exemplo, que as pessoas façam reservas ou entrem em contato diretamente com os estabelecimentos sem sair da plataforma.
“As marcas podem ganhar muito com a experiência de consumo aliada à inteligência artificial. No Brasil, 80% dos usuários relataram tomar decisões de compra com mais confiança a partir do IA Overviews e no Modo IA”, relatou o executivo.
De acordo com Dan Taylor, globalmente, as buscas no modo IA do Google são feitas por 75 milhões de usuários ativos. Um ponto interessante destacado pelo vice-presidente é o fato de que, diferentemente das buscas feitos no modo tradicional do Google, a procura na IA costuma ser feita a partir de descrições bem mais longas e complexas.
Protocolo Universal de Consumo
Dan Taylor também relembrou um passo importante que o Google deu para a era da publicidade atrelada à IA. Em janeiro, durante a edição de 2026 da Retail’s Big Show, o mais importante encontro de varejo do mundo, a gigante de tecnologia apresentou o Universe Commerce Protocol (UCP), novo padrão que pretende integrar sistemas de diversas empresas de varejo para que os consumidores possam efetuar toda a jornada de compra, da busca ao pagamento, dentro do chatbot Gemini.
O UCP foi criado com o apoio de mais de 20 grandes redes de varejo internacional, sendo as principais delas a Target, Shopify, Etsy, Wayfair e Walmart. Ainda não há previsão para o protocolo ser trazido ao Brasil.
Ter suas decisões de compra auxiliadas pelas plataformas de inteligência artificial é algo que, a depender do Google, deve fazer parte da jornada cotidiana dos consumidores, o que transformará, também, a maneira pela qual as marcas interagem com seu público-alvo no ambiente digital.
“O melhor anúncio será aquele que jamais interromperá a jornada do consumo e, sim, será capaz de complementá-la. Os melhores anúncios que os usuários verão no ambiente digital serão as respostas para suas perguntas”, resumiu.

