Mídia tem queda em fusões e aquisições, aponta KPMG
Setor registra menos operações, com predominância de negócios domésticos e foco em plataformas digitais

Movimento de fusões e aquisições em mídia desacelera em 2025, segundo a KPMG (Créditos: Shutterstock)
O número de fusões e aquisições no setor de telecomunicações e mídia somou 27 operações em 2025.
Isso representa queda de 25% em relação às 36 registradas em 2024, segundo dados da KPMG.
Assim, foram 14 transações no período, ante 17 no ano anterior.
Apesar da redução no volume de negócios, os valores divulgados indicam estabilidade financeira, com cerca de R$ 267 milhões em 2025 e R$ 250 milhões em 2024.
Entre as operações de destaque estão a rodada de financiamento Série A da Music AI, que levantou US$ 40 milhões com a liderança da Connect Ventures e da Monashees, e o aporte de R$ 20 milhões na Fly Media, com participação de fundos como OneVentures e investidores internacionais, como Andreessen Horowitz.
De fato, em 2024, a aquisição de 50% da Nas Nuvens Catalog pela Primary Wave, por R$ 190 milhões, esteve entre os principais negócios.
Consolidação e perfil das operações
De acordo com Rodrigo Guedes, sócio de M&A da KPMG, o segmento de música e áudio lidera em volume financeiro, impulsionado por transações de maior porte.
Já em número de operações, o destaque é o de mídia digital e plataformas de conteúdo, com negócios que envolvem empresas como Play9, FlyMedia, Porta dos Fundos, Top10, X3M e Pixel Roads.
“O movimento predominante é de consolidação, com players estratégicos ampliando portfólio e investidores reforçando participação em plataformas já estabelecidas”, afirma o executivo.
Ainda, as transações domésticas continuam predominantes, com cerca de 79% das operações em mídia em 2025, em linha com a média histórica.
Ao todo, foram 11 negócios locais, contra três operações cross-border, que envolvem tanto a entrada de capital estrangeiro no Brasil quanto a expansão de empresas brasileiras no exterior.
Na distribuição geográfica, São Paulo concentra o maior número de transações, com sete operações em 2025, ainda que em queda em relação ao ano anterior.
Já o Rio de Janeiro ampliou a participação e passou de duas para quatro transações no período, enquanto Distrito Federal e Minas Gerais registraram novos negócios.
Tendências e impactos no setor
Entre as tendências que influenciam o cenário, o streaming aparece com peso relevante tanto em conteúdo audiovisual quanto esportivo e musical.
O retail media surge de forma indireta, ligado à monetização e ao uso de dados, enquanto iniciativas baseadas em inteligência artificial ainda têm presença pontual, com foco em eficiência operacional.
Segundo a análise, essas movimentações tendem a intensificar a competição no setor, com impactos sobre modelos de publicidade e distribuição de conteúdo.
O streaming se consolida como base para consumo, enquanto o retail media avança na integração entre marcas e plataformas.
