Paramount e Warner Bros. Discovery: nasce a nova gigante da mídia global
Empresas oficializam fusão após oferta massiva da Paramount e compartilham planos para o longo prazo
A saga da venda da Warner Bros. Discovery (WBD), finalmente, toma um rumo concreto.
Após a Paramount Skydance oferecer o equivalente a US$ 108,4 bilhões pela WBD, as companhias anunciaram, na última sexta-feira, 27, um acordo de fusão definitivo para a aquisição.

União entre WBD e Paramount Skydance dá origem a portfólio de mais de 15 mil títulos e prevê aumento da competitividade em streaming (Crédito: Shuttestock)
A transação inclui US$ 47 bilhões em capital próprio, garantidos pela Família Ellison, também controladora da Oracle, e pela RedBird Capital Partners. No fechamento da transação, o capital próprio pode incluir outros parceiros estratégicos e financeiros.
Com a oferta da Paramount, a Netflix desistiu da compra, anunciada no início de dezembro. A gigante do streaming estava disposta a desembolsar cerca de US$ 82,7 bilhões, US$ 27,75 por ação.
Em declaração, Ged Sarandos e Greg Peters, coCEOs da Netflix, afirmaram que “não é mais financeiramente atraente” e que “sempre foi bom se fosse pelo preço certo, e não obrigatório a qualquer preço.”
A concretização do acordo entre a Paramount e WBD, contudo, ainda está sujeito à aprovação do órgãos reguladores responsáveis.
Em comunicado, as empresas indicaram a expectativa de que a aquisição renda mais de US$ 6 bilhões em sinergias. O resultado seria fruto de integrações de tecnologia, maior eficiência corporativa, otimização da presença imobiliária combinada, entre outras.
“A fusão abre oportunidades inovadoras e envolventes para contar histórias nos estúdios de cinema e televisão de primeira linha da empresa combinada, bem como em suas plataformas de streaming e lineares. Juntas, a Paramount e a WBD oferecerão mais opções aos consumidores por meio de suas principais plataformas de streaming, com um portfólio excepcional de propriedade intelectual que produziu franquias populares como Game of Thrones, Missão Impossível, Harry Potter, Top Gun, o Universo DC e Bob Esponja“, indica a nota aos investidores.
A combinação entre as gigantes resultará na união de um acervo com mais de 15 mil títulos. O portfólio esportivo também ganha destaque. A gigante deterá a transmissão de campeonatos como a National Football League (NFL), Jogos Olímpicos, Champions League, UFC, entre outros.
David Ellison, presidente e CEO da Paramount, relembra que “desde o início, nossa busca pela Warner Bros. Discovery tem sido guiada por um propósito claro: honrar o legado de duas empresas icônicas e, ao mesmo tempo, acelerar nossa visão de construir uma empresa de mídia e entretenimento de próxima geração”.
Já David Zaslav, atual presidente e CEO da Warner Bros. Discovery, indica que a prioridade ao longo do processo de venda da WBO foi garantir a maximização o valor dos “ativos icônicos” e do estúdio centenário, ao mesmo tempo em que buscavam oferecer a maior segurança possível para os investidores.
A fusão acirra competição no setor de entretenimento. As empresas manterão os estúdios de ambas e comprometem-se com a produção de, no mínimo, 30 filmes de cinema anualmente, com uma janela de 45 dia para a disponibilização em plataformas de streaming. Será possível a ampliação para 60 a 0 dias a depender do conteúdo e os prazos deverão seguir as diretrizes de cada país em que a Paramount opera.
O crescimento a longo prazo inclui o investimento no negócio D2C para encarar os principais serviços de streaming.
Os planos incluem uma plataforma combinada entre Paramount+, HBO Max e Pluto, ampliando oportunidades de acesso não apenas para os consumidores, mas para talentos, mão de obra e fornecedores de conteúdo. Os estúdios deverão seguir como compradores ativos de conteúdo de estúdios terceirizados e produtores independentes, indica o comunicado.
