MWC

Da rede universal de APIs à monetização da IA

Três anos depois do GSMA Open Gateway, para acesso global a desenvolvedores, é hora de monetizar tecnologias

i 4 de março de 2026 - 14h31

Em 2023, O GSMA, que organiza o Mobile World Congress (MWC), anunciou a iniciativa GSMA Open Gateway, rede universal de APIs cuja meta era fornecer acesso global das redes de teles a desenvolvedores.

No lançamento, o projeto teve a adesão de 21 empresas como America Movil (controladora da Claro), AT&T, China Mobile, Deutsche Telekom, KDDI, KT, Orange, Singtel, Swisscom, Telefónica (que controla a Vivo), Telenor, Telstra, TIM (acionista da TIM Brasil), Verizon e Vodafone.

O Open Gateway recebeu, ainda, o apoio da Microsoft. Na ocasião, o presidente e CEO da empresa, Satya Nadella, afirmou: “Estamos ansiosos para trazer a iniciativa GSMA Open Gateway para o Microsoft Azure, para capacitar os desenvolvedores e ajudar as operadoras a monetizar o valor de seus investimentos em 5G.”

No mesmo dia do lançamento da iniciativa, Orange, Telefónica e Vodafone, em parceria com a Vonage, que é desenvolvedora de APIs da Ericsson, anunciaram acordo para a abertura de suas redes 5G para desenvolvedores de aplicativos.

Da ambição à execução

Agora, três anos depois, ​​a GSMA afirma que o Open Gateway passou da ambição à execução.

“Nossa ambição era transformar as redes móveis em uma plataforma global de APIs padronizadas e de fácil utilização para desenvolvedores, empresas e provedores de nuvem”, afirmou o head de redes da GSMA, Henry Calvert.

Atualmente, 86 grupos de teles, que representam mais de 300 redes e 80% das conexões móveis globais, estão alinhados em torno de uma estrutura de API comum.

De fato, mais de 60 parceiros de canal comercializam APIs de rede em escala.

O que começou com oito APIs em 2023 evoluiu para um portfólio comercialmente ativo. “Temos mais de 300 instâncias de 20 APIs diferentes lançadas comercialmente em 65 mercados ao redor do mundo, do Canadá ao Chile e dos Estados Unidos à Nova Zelândia”, disse Calvert.

Soluções de APIs

As soluções de APIs incluem:

– Prevenção de fraudes: Lançamentos multioperadora em dezenas de países ao redor do mundo permitiem que bancos e varejistas verifiquem identidades, detectem fraudes de troca de SIM e protejam transações em tempo real.

– Qualidade sob demanda (QoD): permite que aplicativos solicitem desempenho de rede aprimorado para pagamentos online, streaming, jogos, veículos autônomos, segurança de drones e outras operações de missão crítica.

– Mobilidade e localização: APIs que permitem descoberta de borda, geofencing e inteligência de dispositivos expandem a capacidade dos desenvolvedores de otimizar o desempenho de aplicativos dinamicamente.

Automação via IA

Segundo o head da GSM, muitos anúncios e demonstrações desta semana no MWC apontam para a próxima oportunidade: a automação orientada por inteligência artificial (IA).

“Há evidências crescentes de que, na IA agêntica, agentes de software autônomos capazes de planejar tarefas, raciocinar sobre múltiplas fontes de dados e interagir com sistemas externos, estão prestes a remodelar a forma como as APIs de rede são expostas, descobertas e consumidas”, diz o executivo.

Em termos práticos, portanto, a IA agêntica transforma APIs estáticas em blocos de construção dinâmicos e auto otimizáveis, o que permite que as empresas integrem recursos de telecomunicações em seus sistemas com o mínimo esforço.

A próxima fase, segundo Calvert, será definida não apenas por APIs, mas pela inteligência que as sobrepõe.

“A IA agêntica tornará as APIs mais fáceis de usar, mais rápidas de implementar e mais interoperáveis, reduzindo as barreiras para desenvolvedores e desbloqueando a próxima geração de serviços de rede programáveis”, prevê.

Indústria móvel global

Segundo o Global Mobile Economy Report, da GSMA, a indústria móvel de conectividade global suporta, atualmente, 8,8 bilhões de conexões sem fio.

São, dessa forma, 5,8 bilhões de assinantes únicos, o que corresponde a cerca de 70% da população mundial.

Para a economia global, portanto, a contribuição de tecnologias e serviços móveis para o PIB global deve ser de US$ 7,6 trilhões em 2025 (6,4% do PIB) e de US$ 11,3 trilhões em 2030 (8,4%).

Ainda, no ano passado, o setor gerou 50 milhões de empregos em todo o mundo e mais de US$ 800 bilhões em receitas.

Dessa forma, sobre a monetização de IA, o relatório da GSMA aponta que 45% das operadoras consideram fluxos de receita habilitados por IA como prioridade estratégica.

De fato, a monetização de IA abrange um amplo espectro, desde implantações em nuvem privada e central até aplicações de borda (edge) em nível empresarial e de dispositivo, com distintas compensações técnicas e comerciais em cada etapa.

No entanto, enquanto as implantações de redes 5G continuam, o ecossistema móvel global trabalha com governos para planejar o espectro para redes 6G, as quais deverão entrar em operação na década de 2030.