Opinião

Marketing, diversidade e estratégia para gerar valor e reputação

Reputação não se estabelece em um único movimento; é resultado de um esforço recorrente, consistente e alinhado à estratégia do negócio

Vivianne Pelegrini Geiger

Diretora de marketing da Bain para a América Latina 19 de março de 2026 - 6h00

O Marketing ocupa um lugar central nas organizações porque influencia o modo como as empresas se posicionam, vendem seus produtos e serviços, dialogam com a sociedade, interagem com seus diversos stakeholders e constroem relevância ao longo do tempo. Ele não se limita à comunicação: integra estratégia, reputação e relacionamento – dimensões que, juntas, sustentam o crescimento.

Reputação não se estabelece em um único movimento. É resultado de um esforço recorrente, consistente e alinhado à estratégia do negócio. Essa construção contínua influencia decisões de alto impacto e abre espaço para grandes oportunidades – e depende da capacidade de compreender diferentes perspectivas, contextos e realidades. É nesse ponto que diversidade deixa de ser discurso e passa a integrar a lógica de geração de valor.

Assim, quando diferentes perspectivas são incorporadas de forma estruturada, as organizações tendem a tomar decisões mais robustas. O estudo Sem Atalhos, da Bain, mostra que mais de 80% dos profissionais associam lideranças diversas a maior potencial de sucesso organizacional. Em um ambiente marcado por complexidade e transformação constante, repertório é vantagem competitiva.

Nesse contexto, equidade não significa tratar todos da mesma maneira, mas criar condições para que talentos performem em diferentes realidades. No Marketing, que atua na interseção entre estratégia, marca, comunicação e relacionamento, essa reflexão ganha ainda mais relevância. Não é possível sustentar confiança se as lideranças não refletirem a pluralidade do próprio mercado.

Alguns avanços já são visíveis. Hoje, 53% das posições globais de CMO são ocupadas por mulheres, segundo a Spencer Stuart. Esse movimento reflete uma combinação cada vez mais valorizada nas organizações: visão analítica, leitura cultural, capacidade de articulação e influência – competências fundamentais para marcas que buscam relevância e crescimento sustentável.

Em contrapartida, o cenário ainda revela desafios estruturais. No Brasil, as mulheres são maioria nas universidades e apresentam maiores taxas de conclusão, segundo o IBGE. Ainda assim, essa qualificação não se traduz proporcionalmente em presença nos espaços de maior poder e decisão. Parte dessa diferença reflete condições ainda desiguais: mulheres dedicam, em média, sete horas a mais por semana às responsabilidades domésticas, o que impacta disponibilidade e progressão ao longo do tempo. Ignorar essas realidades significa desperdiçar talento e limitar visão estratégica.

Ao longo da minha trajetória, aprendi que alta performance não se conquista apenas com metas claras. Constrói-se com ambientes que combinam exigência com desenvolvimento intencional e estratégia com coerência. Diversidade, quando incorporada de forma estruturada, fortalece decisões e amplia impacto.

Por isso, empresas que desejam crescer no longo prazo precisam olhar para seus modelos de gestão com a mesma disciplina com que analisam seus resultados financeiros. Reputação, influência e fechamento de grandes negócios estão diretamente ligados à qualidade das lideranças que representam a marca.

Diversidade, portanto, é uma escolha estratégica que impacta diretamente a qualidade das decisões, a consistência da reputação e a capacidade de gerar crescimento sustentável para sociedade. O Mês das Mulheres amplia a visibilidade do tema, mas sua relevância não se limita a um período específico. Ela se materializa nas decisões diárias, na forma como estruturamos oportunidades, na construção de ambientes seguros e na divisão mais equilibrada de responsabilidades.

Quando falamos de mulheres avançando, falamos de um ecossistema inteiro que precisa evoluir – nas organizações, nas lideranças e na sociedade. Transformação consistente não é circunstancial nem obra de um grupo isolado. É resultado de responsabilidade coletiva.