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A Copa mais marketeira de todas

Evento deste ano será um ambiente contínuo de entretenimento e com alta disputa por engajamento

João Branco

Professor e conselheiro 26 de maio de 2026 - 6h00

Vai ser difícil ganhar esta Copa do Mundo. E não estou falando (somente) da seleção brasileira. Estou falando da gente.

Estamos a poucos dias do maior evento esportivo do planeta e chegaremos lá em um contexto esquisito: mais da metade dos brasileiros está endividada, o varejo vem acumulando meses difíceis e as pesquisas mostram níveis baixíssimos de confiança no hexa. Isso sem falar no ambiente político cada vez mais polarizado.

Era para estarmos empolgados, mas estamos preocupados. E isso também afeta o consumo.

Mas há uma esperança: o brasileiro se empolga com facilidade. Somos uma fogueira que precisa apenas de uma faísca. E ela pode vir de qualquer lugar. Até da comemorada convocação do Neymar. Isso não mudou. Mas várias outras coisas vão mudar neste mundial.

Teremos mais seleções (+50%), mais jogos (+60%) e mais dias de competição (+10). Esta será a primeira Copa “Pro Max” da história. Além disso, teremos uma audiência muito mais fragmentada do que em qualquer edição anterior: nunca houve tantos veículos diferentes transmitindo os jogos ao mesmo tempo.

Os horários estarão mais espalhados. Haverá partidas começando às duas da tarde e outras à uma da manhã. Isso muda a dinâmica de audiência, de consumo e até da rotina das pessoas.

A Fifa também estabeleceu o “intervalo de hidratação” de três minutos em cada tempo, criando um novo espaço publicitário. E prometeu adicionar uma dose extra de entretenimento com um grande show na partida final.

Falando em show, a equipe francesa deu aula de marketing na divulgação da sua escalação. Entenderam uma outra mudança que vem por aí: os jogadores estão ganhando muito protagonismo. Há uma geração de torcedores que acompanham mais os atletas do que os clubes. Nunca tivemos tantos brasileiros “simpatizando” com outras equipes como agora, por gostar de alguns jogadores.

Você está preparado? Porque isso muda muita coisa. Para começar, ninguém vai conseguir acompanhar tudo que gostaria. São jogos demais. Então o interesse por resumos, vídeos curtos, compilados, resenhas e até memes dos jogos vai explodir.

Entenda: esta será uma Copa com mais gols, mais conversas e mais oportunidades. Mas também com mais gente competindo pela atenção do seu cliente.

Será o primeiro mundial depois da consolidação das casas de apostas, o que gera um envolvimento maior das pessoas, mas um cenário de forte disputa por engajamento.

Provavelmente será menos um “evento que para o País só por alguns minutos” e mais um ambiente contínuo de entretenimento funcionando o dia inteiro.

Onde vai estar o seu consumidor no horário dos jogos? No bar desde o almoço? Trabalhando com um olho no celular? Assistindo de pijama? Ou em um evento do seu concorrente?

Com que sentimento ele vai estar? O que vai querer consumir? Em que momento vai começar a se envolver? Como vai se comportar se o Brasil perder?

Quem vai ganhar essa Copa não é quem apostar no time que vai vencer o título. É quem conseguir acompanhar o momento, o interesse e a necessidade dos clientes. Esse é o gol. Chute pra lá.

Será que o Brasil ganha? Está difícil. Mas “tá liberado acreditar” (valeu, time Brahma, por essa pérola). E o seu marketing, ganha?