opinião - erika moulin

Mini beauty, cultura da fofura e estética kawaii

Impulsionada por convivência, experimentação e estética, consumidores transformam produtos compactos e “fofos” em protagonistas de uma lógica de consumo

Erika Moulin

Head de Branding e Comunicação da Avon América Latina 22 de julho de 2026 - 6h00

A forma como consumimos a beleza mudou e as trends são as grandes responsáveis por essa transformação. Hoje, os consumidores buscam produtos que entregam senso estético, experiência, praticidade e conexão com seu estilo de vida. Nesse cenário, os mini beauty ganharam protagonismo e passaram a ocupar um espaço cada vez maior no mercado de cosméticos. Cada vez mais, consumidoras adultas têm procurado itens de beleza que despertam sensações únicas, desde embalagens fofas até produtos com texturas diferentes e aromas gourmand.

De acordo com dados do Circana, nos Estados Unidos, o segmento de mini beauty cresceu 13% em 2025, refletindo a consolidação dos formatos compactos como alternativa para experimentação, descoberta de marcas e consumo em movimento. O dado mostra como a praticidade se torna parte central da decisão de compra e esse fenômeno também é observado no Brasil.

A fofura é uma forma de despertar sentimentos positivos em nós, seres humanos. É uma característica inata, uma vantagem biológica de adaptação, para facilitar o cuidado com a espécie. É por isso que você adora ver vídeos de gatinhos e bebês no celular.

Em 1943, o zoólogo austríaco Konrad Lorenz* fez um longo estudo sobre como algumas características (que ele chamou de kindchenschema) ativam em nós o senso de fofura. Coisas, pessoas, objetos e animais mais inclinados a essas características despertam sentimentos mais positivos, atenção prolongada e mecanismos de recompensa no nosso cérebro.

Enquanto isso, hoje em dia, cresce a valorização da estética kawaii na moda e cultura, movimento cultural que nasceu no Japão em 1970 associado à fofura, delicadeza e afeto. O kawaii traz uma forma de criar conexão emocional com objetos do cotidiano, com embalagens lúdicas, formatos em miniatura e produtos que despertam encantamento, afeto e até mesmo uma sensação de aconchego. Essa tendência passa a ocupar um espaço relevante na cultura digital, especialmente entre as gerações mais jovens.

Produtos que trazem esse sentimento de fofura viraram escape do cotidiano nos tempos modernos.

Esses movimentos refletem uma maneira pouco óbvia de se relacionar com a beleza. Quando olhamos de verdade para a consumidora, vemos que ela busca, sim, produtos que entreguem funcionalidade e performance. Mas também busca entretenimento e dopamina quando compra a categoria.

*Pesquisa divulgada pelo Circana em 2025

*Ciência Hoje, Lucas Mascarenhas de Miranda, 2024