Opinião

O que as marcas devem saber sobre GEO

As marcas sabem mesmo o que estão comprando quando investem no novo SEO para IAs?

Leandro Scalise

CEO e fundador da Rank 14 de agosto de 2026 - 14h00

O mercado de marketing digital costuma adotar novas siglas antes de compreender completamente o que elas exigem. Foi assim com SEO, depois com ASO, e agora acontece novamente com GEO (Generative Engine Optimization ou Otimização para Motores Generativos): termo recém criado para representar boas práticas para a presença das marcas nas respostas geradas por inteligência artificial (IA).

A discussão ganhou espaço rapidamente em apresentações, planejamentos e reuniões de marketing. Entretanto, em muitos casos, a prática ainda não acompanhou o discurso. Parte do que hoje é vendido como GEO continua sendo produção de conteúdo com uma nova nomenclatura.

Conteúdo é importante, mas representa apenas uma parte desse trabalho. No SEO, a empresa otimiza canais próprios, como site, blog e páginas institucionais, e acompanha seu posicionamento em uma lista de resultados. Nas ferramentas de inteligência artificial, a lógica é diferente: a resposta é construída a partir de conteúdos voltados para as IAs, com FAQ page, ou seja, voltados para a busca conversacional.

Isso significa que produzir mais textos no próprio site não garante que uma empresa será citada ou recomendada pela IA. A marca controla apenas uma parte das informações utilizadas para formar a resposta. O restante depende da maneira como ela aparece em todo o ecossistema digital.

Por isso, antes de entrar no hype e para não cair no “conto do vigário” ao contratar uma solução de GEO, um diretor de marketing deveria fazer perguntas objetivas. Como a presença da marca será medida? Quantos motores de inteligência artificial serão monitorados? Com que frequência essa análise será atualizada? O que acontece quando a resposta cita um concorrente ou uma fonte intermediária? E, principalmente, quais indicadores vão realmente demonstrar que houve melhora?

Sem respostas claras, existe o risco de a empresa contratar apenas uma estratégia de conteúdo apresentada como uma nova disciplina. Não se trata de diminuir a importância do conteúdo, mas de reconhecer que a presença nas respostas de IA envolve mensuração, acompanhamento e leitura de fontes externas.

O consumidor continua pesquisando antes de tomar uma decisão. O que mudou foi o ambiente em que essa pesquisa acontece. Em vez de navegar por uma lista de links, ele pode receber uma resposta pronta, com recomendações, comparações e caminhos de

compra. Nesse cenário, estar bem posicionado em um buscador não significa necessariamente fazer parte da recomendação gerada pela IA.

A transformação lembra o que ocorreu com o ASO há pouco mais de uma década. Quando começamos a trabalhar com otimização de aplicativos no Brasil, era comum ouvir que ASO era apenas “SEO para aplicativos”. A simplificação parecia conveniente, mas ignorava métricas, comportamentos e métodos próprios das lojas digitais.

O mercado levou tempo para entender essa diferença. Primeiro vendeu a sigla; depois descobriu o que ela realmente exigia.

Com o GEO, o padrão parece se repetir. A questão para as marcas não é apenas adotar um novo termo, mas compreender o que de fato está sendo contratado. Caso contrário, muda-se o nome da entrega, mas não a estratégia.