opinião - michel tauil

Se ficar o leão pega, se correr o Tigrinho come

No cenário atual de Reforma Tributária e das Bets, para onde o varejo deve andar?

Michel Tauil

Presidente de B2C da VTEX 12 de agosto de 2026 - 6h00

O cenário do varejo brasileiro continua longe de ser simples e a busca por eficiência operacional nunca foi tão necessária.

Vivenciamos diversas questões no setor empresarial, com taxa de juros elevada, endividamento das famílias, a expansão dos marketplaces internacionais até a necessidade vital de descobrir a próxima Trend para viralizar um produto com influenciador. Mas, mais do que nunca, vemos dois bichos querendo comer nosso negócio: o leão e o tigre.

De um lado, o Leão representa a elevada carga tributária e um ambiente de negócios que continua pressionando margens e exigindo ganhos constantes de eficiência. A beira de uma reforma tributária, com Split Payment e novas diretrizes, o varejo traz à tona uma preocupação grande com os próximos movimentos da economia.

Do outro, o Tigre simboliza um fenômeno escancarado nessa Copa do Mundo: o crescimento escancarado das apostas online e sua capacidade de disputar uma parcela cada vez maior da renda disponível das famílias.

Popularmente conhecido como “jogo do Tigrinho”, as Bets, movimentaram centenas de bilhões de reais por ano. Segundo dados da Anbima de 2025, as apostas já ultrapassaram R$250 bilhões, recursos que deixam de circular em outros segmentos da economia.

Essa é uma reflexão importante para todo o varejo. Mais do que um novo segmento de entretenimento, as apostas passaram a competir diretamente pelo orçamento do consumidor.

Os números ajudam a entender esse movimento: ainda segundo a pesquisa, 63% dos apostadores, afirmam que parte de sua renda já está comprometida com as apostas online, sendo que 23% deixou de comprar roupas, 19% deixou de fazer compras no supermercado, 14% produtos de beleza e 11% cuidados com a saúde.

Sem contar o disparo no preço do CAC, uma vez que essas empresas brigam para comprar a audiência e a atenção das pessoas, elevando bastante o custo de aquisição das mídias digitais.

Independentemente do debate sobre a regulamentação do setor, esse comportamento revela uma transformação importante. O varejo já não disputa apenas mercado com outros

varejistas. Hoje, compete com uma série de categorias que disputam o bolso e a atenção do consumidor: plataformas de streaming, delivery, games, assinaturas digitais, viagens, experiências e, cada vez mais, as apostas online.

Diante do cenário atual, a resposta prática será sempre a mesma: foque no seu negócio!

Lente de aumento nas margens, reduções de custos, busca do desenho ideal de arquitetura para sua venda phygital e ser agnóstico a canais de venda. Criando maneiras diferentes para incrementar receita e com olhar holístico para CD’s e disposição de estoques.

Traga IA para o centro da sua discussão na empresa e a utilize em prol desse objetivo. Busque parceiros que te auxiliem nesse caminho e tenha tecnologia como meio de realizar essa transformação. O varejo sempre foi um setor de constantes revoluções e os negócios mais bem-sucedidos são aqueles que conseguem se adaptar às novas realidades.

No fim do dia, sobreviver na selva do varejo nunca foi apenas escapar do leão.

Agora, é preciso entender que o tigrinho (e tantas outras formas de consumo digital) também passaram a disputar, todos os dias, uma fatia do bolso do consumidor.