O que o seu cliente precisará em 2027?
Nunca tivemos tantas possibilidades de acertar, mas, em um ambiente mais difícil, errar pode custar muito mais caro
Estamos naquela época de planejar os próximos 12 meses e escrevi esse artigo para te deixar uma dica muito importante sobre isso. Não preciso saber quem vai ganhar a eleição, nem prever exatamente onde estarão os juros, o dólar ou a inflação para dizer uma coisa: 2027 não vai ser 2026.
Chegaremos ao próximo ano com as famílias muito endividadas, empresas pressionadas, uma sequência preocupante de recuperações judiciais e um ambiente institucional bastante incerto.
Ao mesmo tempo, vivemos uma época de avanços tecnológicos históricos. Temos à disposição novas ferramentas para produzir, analisar, automatizar, personalizar e vender. Nunca tivemos tantas possibilidades de acertar. O problema é que, em um ambiente mais difícil, errar também pode custar muito mais caro.
Por isso, acredito que 2027 será um ano de prudência. Mas prudência não significa ficar parado. Significa escolher muito melhor quais riscos vale a pena correr.
A pressão por resultados de curto prazo deve aumentar muito. Veremos marcas ainda mais desesperadas por vendas, promoções e performance. Consigo ver o mercado migrando dos “cursos para construir um lar amoroso” para os “métodos para salvar seu casamento em sete dias”. Faça o paralelo disso com o seu negócio e prepare-se.
Inteligência artificial para criar máquinas de vendas? TikTok Shop? Afiliados? Menos campanha institucional e mais promoção? Tudo que encurta a distância entre investimento e venda ganhará espaço.
Do outro lado, o consumidor também estará fazendo contas. Quando os recursos ficam mais escassos, ele não deixa de desejar. Mas recalcula tudo. Começa a olhar para escolhas que pareciam automáticas e pergunta: “isso ainda vale a pena?”.
Seu cliente pode ter que tomar a dura decisão de não consumir nada do que você ou os seus concorrentes oferecem. Em 2027, uma das principais missões do seu marketing será fazer muita gente chegar a uma nova conclusão: “Agora vale a pena”.
Só que isso não se faz apenas com ações do tipo “10% de desconto”, “agora com mais sabor” ou “conheça a nova tampinha”. Você precisa dar um “reset” na percepção de valor, mudando algo importante o suficiente para zerar a base de comparação e fazer o cliente calcular tudo novamente.
Um restaurante que sempre vendeu por quilo e passa também a oferecer “coma à vontade por R$ 39,90” te obriga a repensar se “agora vale a pena”, percebe? O mesmo acontece se uma academia dá a opção de pagar por “dias utilizados”, se uma faculdade oferece uma “garantia de emprego ao final do curso” ou se uma marca de celulares oferece trocar aparelhos usados por novos.
São coisas que mudam a “conta” que o cliente faz. Aumentam sensivelmente a percepção de benefício ou diminuem sensivelmente a percepção de custo. Se não mudar a conta, dificilmente muda a decisão. Precisa ser algo capaz de gerar aquela sensação de “ah, agora vale a pena”.
Muita gente está tentando fazer isso apenas diminuindo embalagens ou piorando o produto. Cuidado para não exagerar. Chega uma hora em que o detergente fica tão aguado que o consumidor não pensa mais: “Essa empresa é parceira”. Ele começa a pensar: “essa marca ficou uma porcaria”.
Com menos recursos, o cliente não fica apenas mais sensível ao preço. Ele fica também mais sensível ao erro.
Seu objetivo é mostrar que está do lado dele, criando uma solução para a sua nova realidade. Pode até ser oferecendo algo mais caro ou mais completo. Mas isso exige entender quanto dinheiro ele tem e, principalmente, o que ele precisa.
Para seu plano de 2027 não se esqueça: seu cliente não quer um produto. Ele quer ajuda.