O sonho virou pesadelo
Quando a empresa tão desejada se torna o último lugar em que você gostaria de estar
Recebi a seguinte mensagem de uma amiga: “quero combinar algo com você pra trocarmos figurinhas sobre o trem que desgoverna no ambiente de trabalho”. Ela trabalha em uma das empresas mais admiradas do País. Não era a primeira, nem a segunda, nem a terceira pessoa que queria discutir sobre as amarguras de trabalhar em marcas que um dia significaram um sonho realizado.
Lembrei de um gestor que quando eu comentei que amaria trabalhar com uma determinada marca que consumo muito, ele disse para eu nunca trabalhar com ela se quisesse continuar amando. Será que essa teoria é real? Queria muito que esse artigo fosse uma roda de conversa e eu pudesse ouvir as respostas e argumentações de vocês.
Fato é que eu encontrei com essa amiga dias depois e o testemunho dela era sobre uma liderança ausente somada a uma par dona da razão, que não abre espaço para diálogo e troca. Ela está sendo jogada de um lado para o outro sem ter para quem pedir ajuda e sem perspectiva de mudança.
A história dela me levou a um amigo muitíssimo premiado que foi contratado em uma agência que era o sonho de infância e foi desilusão atrás de desilusão. Sua contratação foi como diretor de criação, mas ele não tinha autonomia, suas criações um dia tão admiradas perderam completamente o valor, suas opiniões estratégicas eram ignoradas. Foi um show de horrores perde-perde triste de assistir.
Soa um pouco como o conselho de nunca conhecer seus ídolos. A gente se prende a uma fantasia e aquela pessoa é uma pessoa real, com qualidades e defeitos. Talvez mais defeitos do que gostaríamos. Não é diferente no mundo corporativo.
Eu acredito em culturas corporativas, mas também aprendi que muito do clima vem do gestor e de como ele conduz o dia a dia, como resolve os problemas, como lida com as relações interpessoais. Existem empresas constituídas de múltiplas culturas, uma em cada time. Claro que depende da alta liderança e da área de recursos humanos fomentar ou dar limite em certas situações, mas a verdade é que nem sempre dá para ter controle sobre tudo que acontece.
Com os meus mais de 20 anos de mercado, conheci gente o suficiente para sempre ter uma fonte segura dentro das empresas que me interessaram. Nunca perdi a oportunidade de perguntar os pontos que são importantes para mim antes de entrar em processos ou me mostrar interessada. Um date com referências é sempre mais seguro do que ir às cegas.
Fiquei pensando sobre os aplicativos de relacionamento e como eles podem ser comparados às ferramentas de match corporativo como LinkedIn e Gupy. Você tem ali uma vitrine e arrasta a tela em busca da empresa que pareça fazer mais sentido com os seus objetivos. A conversa começa, o interesse se torna recíproco, ambos os lados decidem seguir em frente. Dali em diante só a convivência vai dizer quem o outro lado é de verdade. Um exercício de tentativa e erro até achar o casamento ideal que será infinito enquanto durar.