Opinião

Protagonismo da emoção

Women to Watch Summit chega ao quinto ano consolidado como ambiente de debates urgentes para o mundo corporativo e a sociedade e de reflexões sobre o papel das mulheres na evolução mais acelerada da indústria

Alexandre Zaghi Lemos

Editor-chefe do Meio & Mensagem 6 de abril de 2026 - 6h00

As conexões humanas como base para a infraestrutura emocional que sustenta as carreiras de mulheres líderes, criadoras, estrategistas e inovadoras — em uma arquitetura que origina um superpoder para a luta por espaços, a ascensão pessoal e profissional, o empreendedorismo e a mentoria capaz de contagiar novas gerações. Esse pode ser apontado como foco central da edição 2026 do Women to Watch Summit, realizado na semana passada, em São Paulo.

O evento, promovido por Meio & Mensagem, chega ao quinto ano consolidado como principal palco de debates para o mercado e a sociedade, e de reflexões e conexões para um protagonismo maior das mulheres no progresso mais acelerado do mundo corporativo, nas narrativas dominantes da publicidade e do entretenimento e na evolução da indústria de comunicação, marketing e mídia.

Acreditando na força que nasce do encontro entre pessoas, o Women to Watch Summit debateu temas diversos, complementares e urgentes, como a potência das redes de apoio, o esgotamento dos modelos tradicionais de liderança, a centralidade dos dados nas estratégias das marcas, os efeitos da dependência da tecnologia na capacidade de refletir, a valorização do futebol feminino e, até mesmo, o direito à eutanásia. Tudo isso sem perder a indignação com a epidemia brasileira de violência contra a mulher, em um momento importante, em que avança no Congresso Nacional o projeto de lei que poderá criminalizar a misoginia.

Reforçando tendência dos últimos anos, o evento manteve a agenda de mobilização por mais equidade — seu propósito inicial —, mas ampliou a abrangência de sua pauta, avançando tanto em abordagens inerentes aos ambientes corporativos como em reflexões sobre questões humanas, que não dizem respeito somente às mulheres, mas que, nesse caso, foram debatidas, majoritariamente, sob as perspectivas do olhar feminino.

Com público recorde de cerca de 700 pessoas presentes no espaço de eventos do hotel Unique, o Women to Watch Summit valorizou, sob diversos aspectos, a intencionalidade como atitude central para a criação de condições mais favoráveis de enfrentamento aos desafios futuros, da vida e do mercado, entre os quais destaca-se a enorme defasagem na presença de mulheres nas mesas de decisão — na série de reportagens Agenda CMOs, nas páginas 22 e 24, executivas de marketing reconhecem avanço da presença em postos de liderança, mas para se manter no C-Level e ascender ainda precisam de “sponsors que rompam a bolha”.

Um dos dados apresentados nos painéis — esse trazido por Priscyla Laham, presidente da Microsoft no Brasil — foi o de que somente 22% das lideranças atuantes em desenvolvimento de inteligência artificial são mulheres, o que pode acabar aumentando desigualdades no mercado de trabalho no futuro. Para enfrentar essa e outras trincheiras, o evento apontou diversos caminhos, muitos dos quais passam pela valorização da vivência, da presença e dos vínculos como diferenciais decisivos para novas dinâmicas sociais.

A reportagem especial das páginas 34 a 37 condensa o conteúdo desta edição 2026, cuja cobertura completa está disponível no site meioemensagem.com.br/womentowatch, com desdobramentos nas redes sociais de Meio & Mensagem e da plataforma Women to Watch.

Para além de ser um espaço de encontros e trocas de experiências, o Summit mostrou seu poder de energizar lideranças dispostas a enfrentar obstáculos com soluções originais, empatia e afetos — características inalcançáveis pelas máquinas em evolução, mesmo turbinadas pela IA. Dando palco a especialistas que são referências em suas atividades, e, paralelamente, abrindo espaços para novas vozes, o evento instiga a coletividade a progredir mais velozmente, privilegiando atributos tipicamente humanos, que serão determinantes para a sobrevivência nos ambientes futuros da vida, da sociedade e do mundo corporativo, além de ingredientes fundamentais para o combate a problemas em crescimento exponencial, como a síndrome da solidão.