Thinkaways; para pensar, fazer e compartilhar
Em lugar de takeaways clássicos de eventos, que inspiram, mas não se desdobram em práticas, sempre preferi o que me leva à ação
Quando termina um evento de inovação surge um monte de takeaways: lista de tendências, fotos de apresentações, cases inspiradores, números, frases de efeito. Mas quase tudo desaparece quando você vai para o dia a dia – entra no seu “to inspire”, mas não no seu “to do”. Por isso, sempre preferi thinkaways a takeaways, porque o que me faz pensar, me faz fazer, daí eu resolvi compartilhar.
Um thinkaway nasce quando um case deixa de ser uma curiosidade e passa a ensinar uma forma diferente de construir valor. Como sempre vi Cannes para além de uma competição, sempre mergulho nesse laboratório de inovação, construção de marcas e negócios para aprender algo novo. Eu não saía das salas para não deixar o aprendizado sair da minha cabeça.
Os Leões importam. Mas, para mim, a pergunta vai além de “qual campanha ganhou?”. É preciso saber “por que ganhou?” e “o que esse festival está me ensinando sobre o futuro dos negócios?” Aí, acompanhar o festival gera aprendizados que podem trazer mais resultados para todo mundo. Depois de Cannes, fiquei com seis thinkaways na cabeça:
1. As marcas que querem marcar o futuro precisam ajudar a construí-lo.
As pessoas querem consumir mais produtos e marcas que consumam menos suas vidas e o planeta. E quando essas pessoas percebem essa verdade na comunicação do que precisam comprar, a magia acontece. As marcas ajudando a construir um futuro melhor e conquistando admiração no presente. Acredite, não é papo woke, é papo money.
2. Ideawashing é o novo greenwashing.
Ideia pela ideia até gera resultado e ganha prêmio, mas pode pegar muito mal. Se a ideia é bacana, mas não está baseada na verdade do produto e da marca, as pessoas percebem. Hoje, o mundo é muito transparente e rápido. A verdade grita. Isso assombra. E não estou falando de fantasma.
3. And the Lion goes to… Quem deve ganhar de verdade com a criatividade premiada?
As melhores ideias são aquelas que fazem a agência ganhar fama e clientes, fazem os criativos ganharem respeito e promoções, mas também (e principalmente) fazem os clientes ganharem resultado e a sociedade ganhar um futuro melhor. E quando todo mundo ganha, você ganha por mais tempo.
4. O ativo não é o creator. O ativo é a comunidade que cria o creator.
Tem muitas marcas montando portfólio de influenciadores. Só que gente muda de ideia, contrato termina, concorrente pode fazer uma oferta maior. Quando você se vincula a um comportamento social, a comunidade se forma em torno de você. Aí você pode escolher os melhores creators e não depender deles.
5. Simplicidade funciona como ovo de colombo. Como ninguém pensou nisso antes?
Ninguém sabia como colocar um ovo em pé, até que Colombo deu uma batidinha sem
quebrar a casca e pronto, o ovo ficou em pé. Algumas ideias são assim, têm uma obviedade genial e um resultado no consumidor mais genial ainda.
6. Se os valores da marca são claros, conteúdo é comunicação. Tá claro?
Quando uma marca sabe exatamente quem é, conhece seus valores, valoriza sua história, tem clareza do seu diferencial, tudo a comunica. E como, eu acho, as pessoas não têm muito mais saco para interrupções, quando o conteúdo comunica, ninguém interrompe sua conexão com as pessoas.
Assista aos cases de Cannes pensando nesses thinkaways. O Meio & Mensagem tem uma ferramenta de inteligência artificial ótima para isso. Você vai ter horas bem divertidas, porque criatividade é ótima pra ver, pra vender e pra vencer, e vai perceber que melhor que ler um takeaway, é ter um thinkaway que pode te levar, far, far, far away.