Opinião

Vale a pena disputar atenção com gigantes na Copa do Mundo?

Para empresas de pequeno e médio porte e até para grandes marcas que não são patrocinadoras surge a dúvida: vale a pena investir durante o evento ou existem alternativas mais eficientes ao longo do ano?

Izabel Pentegrosso

Diretora de Relacionamento com Clientes e Insights LATAM  da Circana 11 de junho de 2026 - 14h00

A Copa do Mundo comprime investimentos, infla os custos de mídia e estreita o espaço competitivo para marcas fora do círculo de patrocinadores oficiais. Para empresas de médio porte, a pergunta estratégica é objetiva: faz sentido entrar nesse leilão, ou realocar capital onde o retorno é mais previsível?

Em ambientes de alta saturação, o retorno de mídia se deteriora. Conforme a pressão competitiva aumenta, cada real adicional investido gera menos impacto incremental, efeito ainda mais pronunciado para marcas com share of voice reduzido. Mais investimento não é necessariamente sinônimo de mais retorno. Em períodos como a Copa, a disputa por atenção funciona quase como um leilão inflacionado, ou seja, visibilidade é cara, e pode não se converter automaticamente em resultado. O ponto central, portanto, não é investir mais, é investir com precisão.

Uma análise interessante para se fazer é o quanto existe a ganhar sem aumentar orçamento. Entre 20% e 25% dos investimentos em mídia podem ser redistribuídos para canais e formatos que vão ser mais eficientes para a marca. Em um cenário complexo de meios, esse ajuste tem impacto direto na linha de resultado. Igualmente crítica é a leitura integrada das ações. Desempenho não é gerado por um único canal isolado, mas pela combinação entre variados pontos de contato com o consumidor. Avaliações segmentadas tendem a superestimar o papel de cada iniciativa individualmente.

Quando analisadas de forma conjunta, revelam o que efetivamente gera vendas e volume incremental.

O timing importa tanto quanto o canal. Fora de grandes eventos, a disputa por atenção recua e o retorno tende a ser mais estável e previsível. Para empresas médias, períodos sem concentração massiva de investimento frequentemente oferecem condições melhores para gerar resultado com o mesmo orçamento, sem precisar competir por escala com marcas de alcance global. Essa lógica redefine o papel do Marketing Mix Modeling, já que mais do que avaliar a performance pontual de um evento, a modelagem contínua e ampla orienta decisões ao longo de todo o ano, ajustando a alocação de acordo com o contexto competitivo, a sazonalidade e os objetivos de negócio.

Para marcas que optam por ativar durante o período da Copa, algumas abordagens podem trazer retorno mais consistente. Priorizar campanhas segmentadas em detrimento de grandes ondas genéricas de mídia pode ser uma opção, explorar micro momentos de consumo vinculados ao evento também e integrar canais sob uma lógica única de ativação. Esses são caminhos que tendem a gerar mais resultado com menos desperdício. Além disso, tratar grandes eventos como laboratório de aprendizado contínuo, e não como obrigação de calendário, é o que diferencia marcas que apenas participam daquelas que evoluem a cada ciclo.

A Copa do Mundo continuará sendo um dos maiores picos de atenção do mercado. O que muda é a forma como cada marca decide se posicionar diante desse fenômeno.

Para empresas médias, a vantagem competitiva não está em disputar escala com os gigantes e sim em operar com precisão. Isso significa saber quando entrar, onde alocar e como transformar atenção em resultado mensurável. Essa é a diferença entre participar por pressão de mercado e participar com estratégia