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Desligando o piloto automático

Por que saber quando não usar a IA é a nossa maior vantagem

Leonardo Naressi

CEO na DP6 Marketing Analytics 14 de março de 2026 - 13h24

Na minha atuação principal, pela DP6, nós respiramos eficiência, martech e automação. Se existe um atalho inteligente baseado em dados, nós queremos encontrá-lo. Mas, mergulhando nas discussões do SXSW 2026, outra ideia se formou na minha cabeça em ebulição. A evolução real dos nossos negócios agora depende de sabermos exatamente quando não usar a Inteligência Artificial.

A IA é incrível para escalar a produtividade em quase tudo, a qualquer momento. No entanto, automatizar os momentos que exigem o nosso esforço cognitivo tem um preço alto.

No painel “Thrive or Survive: Why Creativity is the Key to an AI Future”, o educador e autor Ned Johnson cravou uma analogia perfeita para isso. Ele explicou que usar a IA para resolver problemas complexos do zero é como ter um personal trainer na academia e deixar que ele levante os pesos por você. O nosso cérebro precisa do que ele chamou de fricção, que é o trabalho duro e o esforço para se desenvolver. Na mesma sessão, a discussão com outros participantes trouxe a reflexão de que a IA deve ser tratada como uma ajudante e nunca deve ser usada para pular o processo de pensamento crítico, pois isso fecha caminhos para a nossa criatividade.

O desconforto da tela em branco, o caos de um brainstorming em equipe e as conversas difíceis são parte do nosso processo humano. Esse atrito intencional é o que gera aprendizado e originalidade. Quando fugimos disso, caímos no que a sessão “Skills You’ll need to succeed in the post age AI” classificou como o choque entre Eficiência e Expertise. Os pesquisadores da Universidade de Sydney alertaram que a busca cega por eficiência está inundando as empresas com o chamado work slop. São aquelas entregas geradas por IA que parecem perfeitas na superfície, mas são rasas e não geram valor de negócio. A verdadeira fluência em IA, segundo eles, não é saber fazer o prompt perfeito, mas sim ter julgamento e discernimento.

E é justamente no discernimento que entra a empatia humana. No painel “Modern Comms Toolkit”, Emily Wright, que liderou a comunicação global da Bumble, trouxe um ponto vital. Ferramentas e dados não substituem a capacidade de ler o contexto em escala. Para tomar decisões críticas em tempo real, a infraestrutura de dados precisa estar aliada à fluência cultural e ao instinto humano, até as “vibes”.

Nós precisamos da tecnologia para nos dar previsibilidade e velocidade, mas precisamos do atrito humano para garantir inovação e autenticidade. Ufa, estou achando que encontrei a minha missão aqui: antes da convergência, vou em busca do atrito. Simbora!