IA autônoma, interfaces invisíveis e a nova infraestrutura financeira
Em sua 40ª edição, o evento reúne especialistas e empresas para debater o futuro da inovação
Todos os anos, o SXSW (South by Southwest) funciona como um radar antecipado das mudanças que devem impactar o mercado nos anos seguintes. O evento, realizado em Austin, reúne executivos, pesquisadores e empreendedores para discutir tendências que frequentemente saem dos painéis e rapidamente ganham espaço no mundo real.
Nesta edição, estarei nos EUA acompanhando o festival de perto, e a programação de 2026 já indica que o debate sobre inteligência artificial entrou em uma nova fase.
Se em 2025 grande parte das conversas girava em torno da IA generativa transformando a forma como buscamos informação e navegamos na internet, agora o foco parece mais estrutural: sistemas de inteligência artificial capazes de executar tarefas, tomar decisões e participar diretamente de processos econômicos.
Um dos painéis que chama atenção neste sentido é o When AI Shops for You, que discute um cenário em que assistentes digitais assumem parte da jornada de consumo, pesquisando produtos, comparando preços e executando compras em nome do usuário.
Esse movimento começa a ser chamado de agentic commerce, um ambiente em que softwares passam a atuar como representantes dentro das transações digitais. Para plataformas e empresas digitais, isso traz um novo desafio: não basta ser visível para as pessoas. É preciso também ser acessível e interpretável para agentes de inteligência artificial.
Outro conceito que se destaca na programação deste ano é o das chamadas interfaces invisíveis. A interação com tecnologia começa a migrar de aplicativos e sites para experiências mais conversacionais e contextuais, em que muitas ações acontecem sem que o usuário precise navegar por diferentes plataformas.
Nesse cenário, o pagamento deixa de ser um momento explícito da jornada e passa a acontecer simplesmente como consequência da ação executada pelo sistema.
Mesmo com a mudança nas interfaces, existe um elemento que permanece essencial: a infraestrutura financeira. Se agentes digitais passam a contratar serviços, negociar ofertas ou realizar compras, é necessário garantir que essas transações ocorram com segurança, autenticação e prevenção a fraudes.
Na prática, isso reforça o papel de APIs financeiras, plataformas de pagamento e sistemas de integração como base para essa nova dinâmica. Se a última década foi marcada pela digitalização dos pagamentos, a próxima pode ser definida por algo ainda mais profundo: transações programáveis em uma economia onde softwares também participam das decisões.
E, como costuma acontecer no SXSW, muitas dessas transformações começam como debate nos painéis, antes de se tornarem realidade no mercado.