Conexão Austin

Nada disso aqui cabe num streaming

O SXSW é um evento que realmente se vive. Não é sobre assistir, é sobre viver cada coisa

Eduardo Megale

chief operating officer da Talent 14 de março de 2026 - 14h15

Esta é a minha primeira vez no SXSW. E apesar de sempre ter lido muito sobre o evento, ouvido relatos e, hoje em dia, ter praticamente todo o conteúdo disponível online, a verdade é simples (e clichê de tanto que já ouvimos): a experiência completa é só vivendo aqui pra saber.

O SXSW é um evento que realmente se vive. Não é sobre assistir, é sobre viver cada coisa.

Logo do início, o impacto foi grande.
Filas imensas.
Reservas para sessões especiais superdisputadas.
Bares cheios.
Jantares que viram HH depois.

Keynotes selecionados e que só de pensar em enfrentar uma fila enorme dá uma preguiça, mas a vontade de viver a experiência de assistir um “Steven Spielberg” falando, vale a pena. (Infelizmente, não consegui entrar nessa sessão, a sala lotou!).

Aqui o FOMO é praticamente um estado permanente. Enquanto você está em uma palestra incrível, sabe que, a poucos quarteirões dali, pode estar acontecendo outra conversa transformadora.

A sensação é estar em um campus totalmente urbano. E, agora, entrando no meu terceiro dia de evento, uma coisa fica evidente: Austin inteira vira o festival.

A não concentração das palestras, iniciativas, exposições etc. te obrigam a andar muito e, do nada, você está no Hilton, ora no Fairmont, ora no Marriot, na SP House e por ai vai.
Você anda muito. E quando é para prestigiar amigos que estão em painéis, vale ainda mais a pena.

Amigos como Gabi Borges, Makul, Renata Moraes, Thiago Bispo, Ju Elia e seguimos… É o Brasil em Austin!

A cada esquina parece haver uma nova conversa acontecendo.

Além de escolher um patinete para se locomover mais rapidamente para tentar não perder a próxima atração, há a loucura climática. Você acorda com 8 graus e chega à tarde com 29/30. “Coloca casaco, tira casaco.”

E no meio disso tudo, ainda se depara com carros autônomos de um lado para o outro. Aqui isso é mais do que realidade. Robô dançando Michael Jackson? Temos também.

O mais legal é que cada um vive um SXSW diferente. São diferentes visões sobre um mesmo tema. E dependendo do café ou da cerveja, fica melhor ainda.

Em meio a esse festival de assuntos, deixo aqui alguns temas que estou vivendo por aqui e alguns dos tais “takeways”:

. IA virou praticamente um eixo central de discussões.
. Impacto no trabalho e na educação
. Creator Economy
. Novos papéis para essa frente
. Longevidade
. Humanidade
. Saúde mental e saúde social
. Arte e ativismo
. Cidades inteligentes
. Comédia e música

Um painel me chamou muito a atenção: jovens resilientes em um mundo de IA.
Essa mesa discutia um tema atual e polêmico, que é justamente como formar jovens nesse mundo maluco.

A conversa reuniu especialistas e estudos através de pesquisas envolvendo 50 países e cerca de 500 educadores, estudantes e especialistas em tecnologia.

A conclusão central é provocadora: a inteligência artificial pode ampliar o aprendizado, mas também pode enfraquecê-lo.

A conversa passa por aprendizado personalizado, tutores digitais, adaptação de conteúdo ao ritmo de cada aluno, apoio para alunos neurodivergentes… Mas também surgem riscos: dependência excessiva da tecnologia, redução da criatividade, impactos emocionais, perda do lado social.

A palavra mais usada foi intencionalidade. Usar tecnologia com propósito.

Ensinar crianças e jovens não apenas a utilizar ferramentas de IA, mas também a:
• questionar
• interpretar
• desenvolver pensamento crítico
• entender ética digital.

Ou seja: formar não apenas usuários de tecnologia, mas pensadores em um mundo mediado por tecnologia.

É isso!

Já, já tem Jane Fonda, Amy Webb… E depois, podemos acompanhar todo o conteúdo no online. Mas a experiência do todo, essa ainda não dá para fazer streaming.