O sussurro da intuição e a gestão da vulnerabilidade
Onde a liderança encontra o equilíbrio entre o domínio da técnica e a coragem de ser simplesmente humano
O segundo dia de SXSW 2026 em Austin nos levou de uma conversa íntima com Steven Spielberg sobre a “gramática do cinema” para um debate sobre a última fronteira do bem-estar: o luto.
O fio condutor entre temas aparentemente tão distantes é a busca pela autenticidade em meio a tantos algoritmos.
Assistir a Steven Spielberg é uma lição de liderança. Ele nos lembrou que, embora a técnica seja fundamental e o planejamento (como o storyboarding) traga segurança, o que move o ponteiro é confiar nos “sussurros da intuição” em vez das vozes barulhentas do cérebro.
Para Spielberg, o cinema é uma experiência comunal que transforma estranhos em uma audiência unida.
Uma lição valiosa para qualquer estratégia de CX, não?
Sua postura firme contra o uso de IA em processos criativos não é um mero saudosismo, mas uma defesa da autoria humana.
Na liderança, isso se traduz na coragem de exercer o julgamento e a sensibilidade, calibrando o trabalho pela reação real das pessoas, e não por dados de simuladores.
Enquanto Spielberg falava sobre o exorcismo dos medos por meio da arte, outro palco discutia o luto como uma questão central de bem-estar e cultura organizacional.
A pandemia normalizou as conversas sobre perda, mas as nossas instituições e as nossas lideranças ainda precisam aprender a lidar com isso de forma direta e inclusiva.
Tratar o luto no ambiente de trabalho com linguagem clara, abandonando eufemismos, é um exercício de transparência e respeito. Integrar o suporte ao luto nos programas de wellness e no treinamento de gestão não é só humano, mas estratégico para reter talentos e construir uma confiança que sobrevive às crises.
O que Austin me ensinou hoje é que o mercado hoje está precisando de líderes que saibam ouvir a intuição e acolher a vulnerabilidade.
Seja na criação de uma obra-prima cinematográfica ou na gestão de uma equipe em luto, precisamos estar presentes e com coragem de ser úteis sem esperar um retorno imediato.
De fato, a tecnologia continuará acelerando as nossas entregas, mas a nossa humanidade é o que continuará definindo o valor das nossas conexões. Sem nenhuma escapatória!