71% das mulheres já sofreram assédio nas capitais brasileiras
Levantamento da Ipsos-Ipec revela que ruas, transporte público e ambiente de trabalho concentram os casos
Sete em cada 10 mulheres que vivem em grandes capitais brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio, e o ambiente de trabalho é o terceiro lugar onde esse tipo de caso mais ocorre. O dado faz parte da pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres 2026”, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, que investigou a percepção de moradores de 10 capitais sobre violência de gênero e divisão de tarefas domésticas.
Segundo o levantamento, 71% das mulheres entrevistadas relataram ter passado por situações de assédio em pelo menos um dos seis ambientes analisados: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares ou casas noturnas e transporte particular.
As ruas, praças e parques aparecem como os locais onde o assédio é mais frequente, seguidos pelo transporte público. Em um terceiro lugar surge o ambiente de trabalho. Embora os percentuais variem entre as capitais analisadas (Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), a incidência do problema permanece alta em todas elas.
Punição mais dura e proteção às vítimas
Para Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas estruturais. “Podemos e devemos fazer muito mais para enfrentar a violência contra a mulher. Além de punir os infratores, ampliar os canais de denúncia e promover campanhas, precisamos criar políticas públicas efetivas, que de fato promovam uma mudança estrutural na sociedade”, diz.
Entre as medidas consideradas prioritárias pelos entrevistados para enfrentar a violência contra as mulheres, o aumento das penas para agressores aparece em primeiro lugar, citado por 55% da amostra. Em seguida, 48% defendem a ampliação dos serviços de proteção às vítimas.
Essas duas propostas lideram o ranking de respostas em todas as capitais pesquisadas, indicando um consenso sobre a necessidade de respostas mais firmes do poder público.
Desigualdade dentro de casa
A pesquisa também investigou a percepção sobre a divisão de tarefas domésticas e encontrou diferenças significativas entre homens e mulheres. Para 39% dos entrevistados, as atividades domésticas são responsabilidade de todos, mas acabam sendo realizadas majoritariamente por elas. Já 37% acreditam que essas tarefas são divididas igualmente entre homens e mulheres.
Quando analisado o recorte de gênero, no entanto, surgem discrepâncias: 44% das mulheres dizem que acabam fazendo a maior parte das tarefas, enquanto apenas 32% dos homens reconhecem essa desigualdade. Por outro lado, 47% dos homens afirmam que as atividades domésticas são divididas de forma igual, percepção compartilhada por apenas 28% das mulheres.
O levantamento ouviu 3.500 pessoas com 16 anos ou mais, residentes nas dez capitais pesquisadas. As entrevistas foram realizadas em dezembro de 2025.