O que a maternidade ensina sobre liderar
Executivas relatam como ser mãe fortaleceu habilidades cada vez mais valorizadas em ambientes complexos
Para quem não exerce o papel materno, à primeira vista, pode parecer que não existe relação alguma entre as habilidades necessárias para ser mãe e ser líder, mas muitas executivas demonstram que não é exatamente assim. Segundo elas, a maternidade ensina muitas capacidades essenciais para a liderança. A começar pela gestão do tempo, que se torna fundamental para as mulheres que equilibram os dois papéis.
A tomada de decisões e a priorização também são pontos de atenção na visão dessas lideranças, pois ficam cada vez mais refinadas. Além disso, o olhar para as pessoas é transformado pela empatia, paciência e individualidade. Sem romantizações, as mães também aprendem diariamente a importância da resiliência, da sensibilidade e flexibilidade, habilidades essenciais para lidar com contextos incertos.
Por isso, neste Dia das Mães, convidamos lideranças femininas a relatar as vantagens que a maternidade trouxe para suas carreiras e posições profissionais.
Ana Célia Biondi, diretora-geral da JCDecaux no Brasil

(Crédito: Divulgação)
A maternidade e a liderança se influenciam o tempo todo na minha vida. Sempre digo que sou uma mãe melhor porque sou uma profissional, e sou uma profissional melhor porque sou mãe. Cuidar, ouvir, estabelecer limites com empatia, lidar com crises e recomeços, tudo isso aprendi e reaprendo nos dois papéis. Levo para a liderança o olhar atento, a paciência e a capacidade de enxergar o potencial das pessoas; e levo do trabalho para a maternidade a organização, a resiliência e a clareza nas decisões. É nesse equilíbrio que construo, todos os dias, a minha forma de liderar.
Ana Clara Grana, VP de operações na Crispin

(Crédito: Divulgação)
A maternidade transforma a forma como enxergamos pessoas, e isso inevitavelmente se reflete na liderança. Ela amplia o olhar para a individualidade e mostra que não existe uma única forma de aprender, reagir ou evoluir. Isso ficou ainda mais claro para mim com a chegada do meu segundo filho, quando as diferenças se tornaram ainda mais evidentes no dia a dia. Esse processo me levou a desenvolver uma escuta mais atenta e uma liderança mais adaptada a cada pessoa. Também reforça que liderar não é sobre controle, mas sobre condução: estar presente, dar direção e ajudar a construir caminhos com mais autonomia. E traz uma consciência maior sobre a clareza: o que parece óbvio para você muitas vezes não é para o outro, então comunicar bem, alinhar expectativas e garantir entendimento passa a ser uma responsabilidade essencial de quem lidera.
Ana Verroni, CMO da 99

(Crédito: Divulgação)
A maternidade traz uma camada essencial para o exercício da liderança, especialmente na forma como organizamos prioridades e tomamos decisões. O tempo passa a ser um recurso ainda mais valioso. Ela também fortalece a adaptabilidade e a criatividade, já que lidar com o inesperado e encontrar diferentes caminhos para situações não previstas vira parte da rotina, algo muito conectado ao contexto dos negócios hoje. Além disso, amplia a escuta e a sensibilidade para diferentes perspectivas, o que contribui para liderar times mais diversos e colaborativos.
Florence Scappini, VP de marketing da Olx Brasil

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A maternidade ampliou de forma muito concreta o meu repertório como líder. Trouxe novas perspectivas para o meu dia a dia, fortalecendo minha empatia, resiliência e a capacidade de lidar com a complexidade com mais clareza e priorização. Passei a entender ainda mais que ninguém constrói nada relevante sozinho, que resultados consistentes vêm da atuação em rede, da escuta ativa e de um olhar genuinamente humano sobre as pessoas. Ao mesmo tempo, acredito que essas competências não são exclusivas da maternidade, mas podem ser desenvolvidas por diferentes caminhos. No meu caso, essa experiência foi um catalisador importante para uma liderança mais consciente, intencional e conectada com o que realmente importa.
Gláucia Montanha, CEO da Artplan e da Convert

(Crédito: Mario Coelho)
Escreveria um livro sobre essa reflexão, mas, resumindo, a maternidade acelerou um olhar de liderança que talvez eu levasse anos para desenvolver. Ela me ensinou a lidar com o caos, tomar decisões rápidas, conviver com imprevistos e priorizar o que realmente importa. Com a chegada do segundo filho, veio ainda mais serenidade diante dos conflitos e uma capacidade maior de adaptação, empatia e definição de limites. Mas, para mim, o principal aprendizado foi desenvolver leitura de contexto: saber a hora de apertar e a hora de acolher. Entender que liderar não é apenas cuidar, mas também direcionar e desenvolver pessoas. A maternidade não define liderança, mas certamente pode trazer aprendizados profundos sobre resiliência, humanidade e firmeza.
Helena Prado, presidente executiva e sócia-fundadora da Pine

(Crédito: Leo Franco)
A maternidade traz para a liderança, antes de tudo, uma grande capacidade de priorização. Uma vez que você tem um filho, ele passa a ser a coisa mais importante da sua vida, e isso faz com que você desenvolva um olhar muito mais claro sobre o que realmente importa, aprendendo a organizar melhor o tempo, decisões e entregas. Essa experiência ensina a conciliar resultados profissionais com qualidade de vida e presença na família. Além disso, acredito que a maternidade fortalece competências essenciais para a liderança, como foco, resiliência, habilidade para lidar com múltiplas demandas ao mesmo tempo e agilidade na resolução de problemas.
Heloisa Pupim, co-COO da Africa Creative

(Crédito: Rodrigo Pirim)
A maternidade trouxe uma mudança profunda e concreta na forma como eu lidero e lido com a minha equipe. Passei a liderar com um senso mais apurado de responsabilidade sobre pessoas, não só em relação à performance, mas ao desenvolvimento, bem-estar e contexto individual de cada um do time. É uma sensação de ser mais “mãe” de cada um. Ao mesmo tempo, me tornei muito mais disciplinada e estratégica na gestão do tempo. Quando você se torna mãe, entende na prática que tempo é um ativo escasso e inegociável, e isso se traduz em reuniões mais objetivas, maior priorização, decisões mais assertivas e, principalmente, respeitar o tempo das outras pessoas com muito mais consciência. No fim, ser mãe não me tirou nada como líder, pelo contrario; ela me expandiu, me tornou mais humana, mais empática e, consequentemente, mais potente.
Nara Iachan, cofundadora e CMO da Loyalme

(Crédito: Divulgação)
A maternidade traz para a liderança feminina uma capacidade mais refinada de priorização, escuta e adaptação. Ao lidar com múltiplas demandas e um tempo mais limitado, a tomada de decisão se torna mais intencional e menos reativa, com foco no que realmente gera impacto. Além disso, a convivência com a maternidade amplia a empatia e a sensibilidade para diferentes contextos, fortalecendo uma liderança baseada em confiança, desenvolvimento e construção de relações mais consistentes. Esse olhar contribui para ambientes mais seguros, colaborativos e preparados para lidar com a complexidade do presente e do futuro do trabalho.
Nathalia Garcia, diretora da Bradesco Consórcios

(Crédito: Divulgação)
A maternidade me ensinou, antes de tudo, sobre escuta e presença. Liderar, pra mim, passou a ter menos a ver com respostas prontas e mais com criar espaço para que as pessoas possam se desenvolver com confiança. Também trouxe uma nova perspectiva sobre tempo, prioridade e impacto. Entender o que realmente importa e agir com mais intenção. No fim, é sobre construir relações mais verdadeiras, com empatia, consistência e responsabilidade, dentro e fora do trabalho.
Renata Gomide, VP de marketing do Grupo Boticário

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A maternidade me ensinou que liderança é, acima de tudo, presença, exemplo e propósito. Nunca acreditei em separar completamente vida pessoal e trabalho, porque somos uma só pessoa. Levo para o trabalho tudo o que sou — mulher, mãe, atleta e executiva — e levo para casa os aprendizados, desafios e conquistas da minha trajetória profissional. Minhas filhas crescem vendo de perto o prazer que tenho em trabalhar, os frutos das minhas escolhas e também a importância de errar, aprender e recomeçar. Para mim, isso é uma forma de mostrar que elas podem sonhar alto e ocupar os espaços que quiserem. A maternidade me ajuda a liderar com mais verdade, empatia e consciência de impacto, olhando não apenas para resultados, mas para as pessoas e para a transformação que podemos gerar.
Sully Siena, head of growth do Grupo Dreamers

(Crédito: Mario Coelho)
Por muito tempo, achei que precisava escolher entre ser uma mãe presente ou uma profissional de sucesso. Quando meu primeiro filho nasceu, percebi que essas duas partes de mim não competem, se completam. A maternidade me trouxe clareza de prioridades, me ensinou a diferenciar o urgente do importante e a valorizar o tempo. Também aprendi a impor limites e dizer “não” para proteger o que realmente constrói e entrega valor. Passei a agir com mais autenticidade, me comunicar com mais clareza e ouvir com mais atenção quem está ao meu redor. No fim, a maternidade me ensinou que liderar não é dar conta de tudo, mas saber onde colocar foco, energia e o coração.