Metade das brasileiras não vê avanço em equidade nas empresas
Levantamento da Catho mostra que presença feminina na liderança cresce, mas trabalhadoras não percebem mudanças reais na cultura corporativa

(Crédito: Shutterstock)
Mesmo com o aumento de mulheres em cargos de liderança nas empresas brasileiras, a percepção de compromisso real com a equidade de gênero ainda é limitada. É o que mostra uma nova pesquisa da Catho.
Segundo o levantamento, 68% das profissionais afirmam que há mulheres em posições de liderança nas empresas onde trabalham. No entanto, apenas 48% acreditam que essas lideranças estão de fato comprometidas com a promoção da equidade de gênero.
Os dados revelam um descompasso entre representatividade e transformação cultural. Embora a presença feminina em cargos estratégicos venha crescendo, muitas trabalhadoras ainda não percebem mudanças concretas no ambiente corporativo.
Entre as entrevistadas, 29% afirmam que as lideranças de suas empresas não demonstram compromisso com o tema, enquanto 22% dizem não conseguir identificar esse engajamento na prática. Para especialistas, isso indica que o avanço na ocupação de cargos de decisão por mulheres ainda não se traduz, necessariamente, em políticas estruturais voltadas à igualdade de oportunidades.
De acordo com Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, a diferença entre presença feminina e mudança cultural é um dos principais desafios da agenda de diversidade nas empresas. “Nos últimos anos, houve avanços importantes na representatividade feminina em posições de liderança e isso é fundamental para ampliar perspectivas dentro das empresas. Mas os dados mostram que ainda existe uma distância entre a presença de mulheres nestes cargos a construção de uma cultura corporativa verdadeiramente comprometida com a equidade”, afirma.
Segundo a executiva, ampliar a participação feminina no topo das organizações é um passo importante, mas não suficiente para promover mudanças estruturais. A transformação cultural depende da adoção de metas, políticas e práticas que garantam igualdade de oportunidades para todas as profissionais.
“A presença feminina em cargos estratégicos abre portas e amplia o debate, mas a transformação real acontece quando esse tema passa a fazer parte da estratégia da empresa, com metas, políticas e práticas que garantam igualdade de oportunidades para todas as profissionais”, explica.
