Mulheres ocupam 44% da alta liderança farmacêutica
Pesquisa mostra avanço da presença feminina no setor, mas participação cai para 26% entre CEOs e revela desafios
As mulheres já representam 51% da força de trabalho da indústria farmacêutica brasileira e estão próximas da paridade nos diferentes níveis de liderança. Elas ocupam 49% das posições de coordenação e supervisão, 45% das gerências e 44% dos cargos de diretoria, presidência e vice-presidência. Quando o recorte chega aos CEOs, porém, a participação feminina cai para 26%.
Os dados são da quarta edição da “Pesquisa Presença e Liderança Feminina 2026”, realizada pela Central de Pesquisas do Sindusfarma a pedido da LeaderShe. O levantamento reúne respostas de 95 indústrias farmacêuticas que atuam no Brasil, equivalentes a 137 empresas e a 72% do mercado em faturamento, de acordo com a Auditoria IQVIA – Mercado Retail.
O cenário indica que a presença feminina já está consolidada em boa parte da estrutura das empresas. A diferença entre os 51% de mulheres na força de trabalho e os 44% na alta liderança é relativamente pequena. O principal descompasso aparece, portanto, no topo. Apenas pouco mais de uma em cada quatro posições de CEO é ocupada por uma mulher.
A distribuição também varia de acordo com a área. Mulheres estão à frente de 75% de Recursos Humanos, 66% de Compliance e 60% do Jurídico. Em Marketing e Assuntos Médicos, representam 52% das lideranças, enquanto Comunicação chega a 50%. Já em áreas como Financeiro, Tecnologia e Vendas, a presença é de 22%, 22% e 20%, respectivamente.
Diversidade dentro da liderança
Os números também mostram que o avanço da liderança feminina não acontece de maneira uniforme. Mulheres negras, pretas ou pardas representam 27% do total da presença feminina nas empresas pesquisadas, mas apenas 13% daquelas em posições de liderança. Entre as mulheres com deficiência, a diferença é ainda maior. Elas correspondem a 3% do total feminino, mas ocupam apenas 1% das posições de liderança.
No caso das mulheres acima de 50 anos, elas são 11% do total feminino e 14% das mulheres em cargos de liderança.
Contratar é insuficiente
A pesquisa mostra ainda que as mulheres continuam presentes nos processos de contratação e promoção. Nos últimos 12 meses, elas representaram 49% das contratações e promoções para cargos de liderança. O índice chega a 48% em coordenação e supervisão, 51% em gerência e 43% em diretoria, presidência e vice-presidência.
Mas, de acordo com a pesquisa, poucas empresas transformam esse movimento em metas formais. Apenas 30% das participantes afirmam ter objetivos específicos relacionados à presença feminina e ao desenvolvimento de lideranças de mulheres. Entre elas, 20% estabelecem um número mínimo de mulheres em cargos de liderança e 19% trabalham com programas de retenção de talentos que consideram diversidade de gênero.
Mais significativo ainda é o número de empresas que medem os resultado. Segundo o levantamento, 28% têm indicadores para acompanhar o avanço das metas. Entre os principais deles estão a proporção de mulheres na força de trabalho e na liderança, diferença salarial entre homens e mulheres na mesma posição e participação feminina em novas contratações, promoções e planos de sucessão.
Desenvolvimento ganha espaço
O investimento em desenvolvimento aparece como uma das frentes que mais avançaram. 49% das empresas têm programas voltados à formação de lideranças femininas, 13 pontos percentuais acima do ano anterior. Entre as iniciativas estão ações de mentorship, sponsorship, universidades corporativas para mulheres e ações de aceleração de carreira.
O suporte às diferentes fases da carreira também cresceu. Em 2026, 73% das empresas afirmam oferecer benefícios adicionais às mulheres além do previsto na legislação ou convenção coletiva. Entre as iniciativas estão apoio às gestantes, auxílio-babá e programas para o retorno da maternidade.
A pesquisa revela que a indústria farmacêutica chegou em um estágio onde a presença feminina passou a ser também uma questão de progressão, e não somente de acesso. O próximo desafio para estar em garantir que a participação conquistada nos diferentes níveis das organizações se converta em maior presença nos espaços de decisão, e que essa ascensão alcance mulheres com diferentes trajetórias, idades, raças e condições.
Nesse sentido, os 26% de mulheres entre CEOs funcionam como um indicador do quanto ainda falta percorrer.