Ponto de vista - Comunicação

Cannes 2011 uma semana depois: ideia, estratégia ou tática?

i 8 de julho de 2011 - 3h15

Uma semana após o término do festival, muitas reflexões continuam na nossa mente. No ano em que o festival mudou de nome para Festival Cannes Lions de Criatividade, o esperado seria uma explosão de ideias incríveis. Na minha opinião, o que aconteceu foi justamente o contrário. Em uma década de Cannes, nunca vi tanta gente com foco na condução do negócio. A maior prova disso, foram as filas e um Palais cheio de participantes querendo assistir a…palestras. O fato é que o festival este ano foi bem técnico. Assim o festival de conceito rendeu-se a estratégia e tática. Em estratégia, o caminho apontado foi mais ou menos a mesmo para todos. Migrar para o on, conseguir ineditismo, timming, escalabilidade de custos, abrangência, cobertura e sobretudo, simpatia e proximidade de marca. Na parte tática também foi senso comum a migração de advertising para a ideia neutra, potencializada em plataformas digitais e, nestes canais, a migração de presença paga para conteúdos e prestação de serviços. O melhor de tudo foi constatar que este ciclo termina exatamente onde o nosso trabalho na comunicação dirigida começa: transformar, categorizar e rentabilizar leads gerados a partir de impactos bem feitos, construindo vínculo e relacionamentos duradouros, de um para um, ou de um para muitos.

É assim que rentabilizaremos todo o burburinho causado pelo boca a boca digital. Em direct tudo andou e se misturou, contrariando alguns colegas da indústria do marketing direto. Mas isso já vem acontecendo a algum tempo e, num festival de muita tradição publicitária, fica ainda mais acentuado. A questão é que o consumidor mudou sua forma de viver e de conversar diretamente com as marca. O resultado não-monetário conta também em marketing direto como moeda de troca para deixar nossos bancos de dados e modelos preditivos mais assertivos. Isso é Money! É resultado! Engana-se quem acha que o “marketing direto” está perdendo espaço. Agora nossa disciplina está em absolutamente tudo. Que venha o buzz digital, nós somos capazes de rentabilizá-lo ao máximo, seja a partir de ideias, de estratégias, táticas e de tudo isso junto!

Marisa Furtado é sócia, vice-presidente e diretora de criação da Fábrica Comunicação Dirigida