Potencial das agências melhor explorado
Marcello Serpa, Luiz Lara e Luiz Fernando Vieira destacaram que há muito mais para ser feito em termos de criatividade, durante encontro da APP
Um encontro realizado pela Associação dos Profissionais de Propaganda (APP), nesta quinta-feira 21, em São Paulo, colocou em discussão temas como a integração das plataformas de mídia, a “beleza” do modelo brasileiro de publicidade e alguns mais espinhosos como a valorização da criatividade e principalmente a remuneração das agências.
No debate mediado por Renato Pereira, diretor da APP e diretor de executivo de relações com o mercado da Rede Globo, os convidados Marcello Serpa, sócio e diretor de criação da AlmapBBDO; Luiz Lara, sócio da Lew´Lara/TBWA e Luiz Fernando Vieira, VP de mídia da Africa e presidente do Grupo de Mídia, tiveram a oportunidade de expor a visão que têm sobre essas questões.
Embora façam parte de grandes agências com uma ampla história de conquistas, é consenso entre os três participantes de que as chamadas concorrências predatórias e as mesas de compras promovidas por alguns anunciantes estão criando um círculo vicioso negativo. “Para que as marcas ganhem significado, é preciso que as pessoas que estão trabalhando para isso também sejam valorizadas”, disse Vieira. Ele citou um exemplo recente em que uma pesquisa do Grupo Consultores informou à sua agência que o mercado anunciante tem a percepção de a Africa é uma agência cara. Na opinião do executivo, isso é positivo. “Somos porque entregamos bons resultados”.
Em se tratando das mesas de compras, Serpa foi objetivo. “Não participamos, pois a qualidade cai. Um profissional ruim não vai fazer um trabalho melhor por conta disso, entretanto um profissional bom vai fazer um trabalho pior”, explicou.
Lara, que ocupa o cargo de presidente da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (Abap) até abril, também defendeu a posição e acrescentou que a diminuição dos prazos e a pressa por resultados podem dificultar o entendimento da cultura e organização das empresas. “Está provado que relações duradouras entre agências e clientes são mais benéficas para toda a cadeia e trazem mais conquistas”, afirma.
A falta de criatividade de alguns anunciantes também entrou na pauta. “Existe uma ânsia dos clientes por inovação e integração das disciplinas, mas dentro das próprias empresas os departamentos não conversam entre si”, diz Lara. Ele acredita que os anunciantes não estão sabendo aproveitar o potencial das agências. Para Serpa, o problema é ter medo de ousadia. Ele lembrou o uso de chavões na propaganda que são recorrentes, ao que exemplifica: “Música alta e pessoas bonitas correndo na praia sempre dá certo”. O criativo que é um profissional reconhecido por sua preocupação com a estética, também apontou uma situação que para ele é uma falha recorrente na comunicação de algumas marcas e veículos que querem estar em multiplataformas. “Você vê uma criação no papel, outra no outdoor e outra no tablet. Precisa haver uma unidade para aumentar a percepção do consumidor, tanto para os anúncios como para a identidade do veículo”.
Durante o encontro, os profissionais destacaram a criação do Grupo de Atendimento, que terá presidência de Marcelo Passos, diretor de atendimento da Africa, (clique aqui para saber mais sobre o assunto) e aproveitaram para enaltecer o papel do profissional desta área como grande regulador das relações que regem agências e clientes. “Ele deve ser muito mais do que mensageiro de um brieffing”, destaca Serpa.
O Fórum de Debates desta quinta-feira aconteceu no auditório da escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e faz parte de um ciclo de encontros que a APP irá promover ao longo de 2013 em comemoração aos 75 anos da entidade. O debate teve patrocínio da Rede Globo, Estadão, Metro e Editora Abril. Além disso, a associação está preparando o lançamento de um livro que conta a história da entidade com a participação de alguns dos profissionais mais destacados do mercado.
