Games e música revivem combinação histórica

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Games e música revivem combinação histórica

Travis Scott no Fortnite, Haikaiss no Avakin Life, DJ Alok no Free Fire e Lexa em Just Dance são alguns dos exemplos de um movimento alternativo à ausência de shows e festivais

Luiz Gustavo Pacete
18 de maio de 2020 - 6h00

 

Travis Scott se mantém como recorde de público em uma apresentação dentro de Fortnite (Crédito: Reprodução)

Durante o isolamento social, alguns hábitos de conteúdo se potencializaram, outros se tornaram alternativos a eventos presenciais, como é o caso das lives. No mundo dos games, a junção da música com o ambiente gamer, que já era algo em ascensão, ganhou ainda mais força. No dia 23 de abril, o rapper Travis Scott fez uma apresentação virtual dentro do jogo Fortnite que reuniu mais de 14 milhões de usuários, recorde da plataforma, superando a performance do DJ Marshmello, que havia tocado para 10,7 milhões de pessoas em fevereiro de 2019.

Conectado a esse movimento da junção entre música e o universo gamer, a Som Livre, no Brasil, se associou ao game Avakin Life, da inglesa Lockwood Publishing, para a transmissão do primeiro show virtual de um artista de rap brasileiro, o Haikaiss, que ficou disponível aos fãs do jogo até o último domingo, 17. O jogo possui mais de 8 milhões de gamers pelo mundo sendo 2,1 milhões no Brasil. Além do repertório da banda, a ação inclui venda de itens virtuais exclusivos criados para o Haikaiss como roupas, acessórios e tênis.

“À medida que um jogo ou uma rede social começa a concentrar audiências relevantes eles entram no nosso radar. Nossa parceria com o Avakin Life abre um novo canal de contato com potenciais consumidores para o Haikaiss e leva uma experiência nova para os que já são fãs do grupo. No ano passado trilhamos caminho parecido com a Lexa, quando fechamos com o jogo Just Dance, maior do segmento de dança, para lançamento global da faixa Só Depois do Carnaval. Foi a única faixa nacional do game em 2019″, diz Guilherme Figueiredo, diretor de marketing e digital da Som Livre.

 

A Som Livre se associou ao game Avakin Life para a transmissão do primeiro show virtual de um artista de rap brasileiro (Crédito: Divulgação)

Assim como mencionou Guilherme, no ano passado, a Som Livre conectou a cantora Lexa para o game Just Dance, em parceria com a desenvolvedora Ubisoft que levou, em julho do ano passado, o hit “Só Depois do Carnaval” para representar o Brasil no ano em que a série de jogos Just Dance completou uma década. A parceria também contou com um pocket show de Lexa na Game XP, no Rio de Janeiro, realizada em julho de 2019.

Em novembro do ano passado, o DJ Alok se transformou em personagem na final do ‘Free Fire World Series 2019’, campeonato mundial do ‘Free Fire’, realizado pela primeira vez no Brasil. Depois disso, o avatar de Alok ficou disponível no game. “Fazer uma transmissão para todos os jogadores de Free Fire no mundo foi algo realmente novo. Utilizamos uma tecnologia que sincroniza a música com os lasers, fogos e realidade aumentada para materializar um sentimento muito forte” diz Alok ao Meio & Mensagem.

“Se antes os games já eram sólidas redes sociais, de convívio, lugar de fazer novas amizades e compartilhar experiências, agora caminham para se tornarem grandes ‘Parques Temáticos’, onde a experiência por si só já é recompensadora mas compartilhando-a se cria memórias afetivas ainda mais fortes. Tudo ‘covid-safe’, imune às leis e intempéries do mundo físico, acessível a qualquer momento e na maioria das vezes gratuito. A diferença inicial entre o Travis Scott e a Marília Mendonça não são somente as 13 milhões contra os 3 milhões de pessoas assistindo simultaneamente ao show ao vivo, mas eram 13 milhões de pessoas vivendo e compartilhando aquela experiência dentro do Fortnite”, diz Bernardo Mendes, game specialist na Cheil.

Dj Alok: “A tecnologia sempre foi elemento de transformação na música”

 

DJ Alok

No dia 2 de maio, o DJ Alok se apresentou ao vivo no programa “Em Casa”, da Globo. A agência Cross Networking, de Tati Oliva, trabalha com o artista há um ano e cocriou o projeto que contou com a participação de 3 Corações, Budweiser, Free Fire, Nutren, Fraternidade Sem Fronteiras e Todos Pela Saúde. Somente no grupo Globo foram mais de 24 milhões de visualizações totais e quase 2 milhões de espectadores simultâneos. Ao Meio & Mensagem, Alok comenta a experiência da live e a conexão entre game e música.

Meio & Mensagem – Como foi a experiência da live feita em parceria com a Globo?
DJ Alok – Eu queria me conectar com o público de uma maneira muito ampla e intensa, o que as vezes não acontece neste formato ‘live’. E fico muito feliz que conseguimos desenhar um projeto com a Globo e todas suas plataformas e também em parceria com o Free Fire, um game mobile incrível e também o mais baixado do mundo. Acho que essa possibilidade de um DJ estar ao mesmo tempo no horário nobre da TV aberta de maior audiência do país e “in game”.

“Com a volta de shows e grandes festivais apenas em 2021 ou até 2022, a aproximação da música com o mundo virtual do games passa a ser uma realidade”

Você virou um símbolo associado ao mundo dos games, como enxerga a importância dessa cultura e o que ela ensina sobre comunidade e conectividade?
Os games possuem uma capacidade gigante de transportar o usuário pra uma outra dimensão, uma experiência realmente coletiva e imersiva; e eu vejo também como uma amplificação das possibilidades de interagir socialmente num momento em que o mundo on line e o real estão sendo completamente redefinidos. Neste sentido, a experiência de consumo de música sem os shows e grandes festivais, necessita deste ferramental fortemente estabelecido pelo universo gamer para se reinventar e ampliar suas possibilidades de interação com o público. Neste sentido acredito que em pouco tempo, será difícil definir uma fronteira entre estes dois territórios. Eu particularmente, já não consigo mais enxergá-la.

“Acredito que em pouco tempo será difícil definir uma fronteira entre música e games”

Temos casos cada vez mais recentes como do Travis Scott no Fortnite e outros, você é um exemplo disso também, enxerga essa junção do real com o virtual no mundo dos games e da música como uma tendência?
A tecnologia sempre foi um elemento de transformação não somente na produção musical, mas principalmente no comportamento de consumo da música ao longo dos anos. Antes as mídias rígidas, depois os devices portáteis, o streaming. Enfim, a tecnologia cria novas oportunidades para a experiência da música que acaba transformando o comportamento das pessoas. Numa realidade que se anuncia com a volta de shows e grandes festivais apenas no segundo semestre de 2021 ou até 2022, a aproximação da música com o mundo virtual do games deixa de ser uma tendência e passa a ser uma realidade. São comunidades gigantescas , alinhadas por uma mesma cultura, extremamente conectadas que habitam plataformas e vivem experiências coletivas de alta intensidade.

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