Camarote Favela usa Rock in Rio para acelerar expansão
Gabriela Lopes, CEO da MQ Eventos, mira novos eventos, marcas e mercados após irem da Sapucaí à Cidade do Rock

O Camarote Favela no Rock in Rio 2026 (Créditos: Divulgação)
Às vésperas do Rock in Rio 2026, o Camarote Favela se prepara para fazer sua estreia na edição brasileira do festival com uma ambição que vai além de ocupar um espaço em frente ao Palco Favela. Depois de se consolidar na Marquês de Sapucaí e passar pelo Rock in Rio Lisboa, o empreendimento liderado por Gabriela Lopes, CEO da MQ Eventos, quer usar a Cidade do Rock como vitrine para ampliar sua atuação no mercado de entretenimento.
O movimento faz parte de uma estratégia para transformar o Camarote Favela em uma plataforma de relacionamento presente em diferentes territórios culturais. No Rock in Rio, a operação terá dois andares, acesso ao gramado, open bar e open food, além de ativações e uma programação voltada a convidados, artistas, influenciadores e profissionais da indústria. A estreia também será um teste para medir o potencial de expansão do negócio para outros eventos nacionais e internacionais.
Rock in Rio vira teste para novas frentes de negócio
Gabriela não revela o valor investido na operação da Cidade do Rock. A executiva, porém, afirma que a estrutura exigiu uma operação proporcional ao tamanho do festival e que o objetivo foi adaptar para o Rock in Rio um modelo já testado no Carnaval carioca e na edição portuguesa do evento.
“O investimento precisa ser compatível com a grandeza do festival: robusto em estrutura, operação, segurança, curadoria artística e experiência. A gente mantém os mesmos pilares que nos trouxeram até aqui, com visão privilegiada para o palco favela e panorâmica para os outros palcos, open bar, open food e um serviço premium, mas agora com a sofisticação e a escala que o Rock in Rio exige.”
A venda de ingressos é apenas uma das fontes de receita do projeto. A estratégia comercial inclui cotas de patrocínio e espaços reservados para parceiros. Segundo Gabriela, empresas dos segmentos de bebidas e cosméticos já fizeram parte do camarote na Sapucaí, enquanto a operação busca ampliar o portfólio com novos parceiros. Entre eles está o Paris 6, citado pela executiva como uma das possibilidades para assinar a experiência gastronômica.
“Estamos a cada ano que passa buscando ampliar nosso relacionamento com marcas nacionais e internacionais. Na Sapucaí, já temos alguns grupos pelo segundo ano consecutivo. Ano passado fechamos pela primeira vez com diversas marcas dos segmentos de bebidas e cosméticos, e estamos entendendo novas possibilidades de parceiros. Trabalhamos com cotas de patrocínio, espaços reservados e venda de ingresso para o público geral.”

Gabriela Lopes, CEO da MQ Eventos, responsável pelo Camarote Favela (Créditos: Divulgação)
Estreia deve medir demanda para próximos eventos
Mais do que avaliar público e operação, a presença no Rock in Rio funcionará como um indicador para os próximos passos do Camarote Favela. Entre as métricas observadas pela companhia estarão a procura por ingressos, novas oportunidades de patrocínio e o interesse pelo projeto em outros grandes eventos.
“A partir do Rock in Rio Lisboa entendemos como proporcionar uma experiência exclusiva em um ambiente aberto de festival, e aplicaremos essa nova curadoria para que o Camarote Favela no Rock in Rio seja inesquecível. Com a nossa estreia na Cidade do Rock brasileira, mediremos a procura para os próximos grandes eventos na agenda nacional e internacional, mas principalmente o retorno do público que já acompanha a trajetória do camarote e da MQ Eventos.”
A diversificação já começou a aparecer fora do Carnaval e do próprio Rock in Rio. Em setembro, o Camarote Favela também integra o Runway, no Museu de Arte do Rio (MAR), durante a abertura da Semana de Arte do Rio. A MQ Eventos ainda levou o rapper Quavo ao Brasil para uma apresentação exclusiva no Festival OMNI, movimento que, segundo Gabriela, ajudou a aproximar a companhia de novos gêneros musicais e públicos.
De camarote de Carnaval a hub cultural
Para 2027, a estratégia não está restrita a um único formato de evento. A ideia de Gabriela é levar a marca para festivais, música, moda e arte, no Brasil e no exterior, aproveitando a procura que a expansão recente passou a gerar. “Queremos o Camarote Favela onde a cultura esteja, seja no Rio de Janeiro, no Brasil ou no mundo. Começamos no carnaval, mas não paramos por aí, estamos nos tornando um hub cultural que as pessoas já esperam nos grandes eventos.”
Nesse processo, Gabriela também aponta a liderança de uma mulher como parte do posicionamento comercial do empreendimento, especialmente na definição de parceiros e na construção de relações de longo prazo com patrocinadores: “Para mim, protagonismo feminino é gestão na prática e nos detalhes. Se traduz em escolher parcerias que compartilham dos mesmos valores e, sobretudo, respeitem a posição de liderança que ocupo. Busco sempre negociar com patrocinadores em um relacionamento contínuo e, para além da Marquês de Sapucaí, posicionar o Camarote Favela como o que ele é: um negócio de entretenimento que une sofisticação, potência da favela e acolhimento.”

