Como a Cimed quer se tornar a P&G brasileira?
João Adibe, CEO da companhia, que faturou R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, vê na expansão do portfólio a sustentação dos planos de expansão

João Adinbe, CEO da Cimed: companhia prevê faturar R$ 4,6 bilhões em 2026 (Crédito: Divulgação)
Os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, divulgados nesta semana, indicam que a Cimed faturou R$ 1 bilhão nos meses de janeiro, fevereiro e março. Esse montante é 20% superior ao que a companhia havia registrado no primeiro trimestre de 2025 e são interpretados pela farmacêutica como um passo importante para alcançar a meta de R$ 4,6 bilhões em receitas até o fim do ano.
Esses resultados também apontam para uma nova configuração do portfólio. Do total faturado no trimestre, 55% é proveniente do segmento farma (medicamentos) enquanto os outros 45% provêm das marcas do grupo (como Lavitan e João e Maria).
“Considerando que a Cimed nasceu como uma farmacêutica, já temos um equilíbrio importante e estratégico dos nossos portfólios”, comenta João Adibe, CEO da Cimed, em entrevista ao Meio & Mensagem.
Enquanto, do lado dos medicamentos, a empresa se estrutura na força dos genéricos, no segmento dos produtos de consumo, a companhia tem uma estratégia que, de acordo com Adibe, é direcionada por comportamento, cultura, conexões e lifestyle.
Além de Carmed, que se tornou um dos cases de maior sucesso da companhia, ocupando o espaço de marca de beleza dentro do grupo, e de João e Maria, com portfólio de produtos para bebês, a farmacêutica atualmente aposta na Super, marca de cuidados pessoais, que foi lançada no BBB, e a Milimetric, marca do segmento B2B, direcionada aos profissionais de saúde.
BBB e Urso
A farmacêutica aproveitou o primeiro trimestre do ano para se envolver em um dos temas que mais movimentam assuntos e geram buzz. No Big Brother Brasil, a empresa lançou a linha Super, de desodorantes e cuidados pessoais. Apenas no primeiro trimestre, a Super gerou um faturamento de R$ 150 milhões.
“O BBB não é só uma vitrine. O programa acaba criando uma cultura com o brasileiro. Super, marca de higiene pessoal, já nasceu dentro desse contexto, com uma estratégia pensada para gerar conversa no digital e a identificação do Brasil. Foi construção de marca em tempo real”, conta Adibe.
Passado o período do reality, a Cimed, agora, voltará suas energias para a promoção de seu novo pilar: Urso, marca que nasceu com a proposta de angariar uma importante participação no segmento de suplementos esportivos.
Com um portfólio de 32 itens, Urso concentrará suas vendas no ambiente digital. O CEO da empresa explica a estratégia. “São produtos grandes e pesados e as pessoas buscam por essa facilidade na rotina. Por isso, nossa estratégia é focada em venda digital, com uma operação que será conectada com os nossos 26 centros de distribuição, espalhados pelo Brasil”, conta.
No primeiro ano, a expectativa é de que a nova marca de suplementos seja responsável por um faturamento de R$ 500 milhões. “Nosso grande diferencial vai ser a logística, com entrega rápida, eficiência e escala”, promete.
P&G brasileira
No comunicado a respeito dos resultados da companhia, o CEO reforçou que a Cimed segue com a meta de alcançar o faturamento de R$ 10 bilhões até 2030. Isso, na visão do executivo, colocaria a farmacêutica na posição de uma espécie de P&G brasileira, em referência à gigante internacional de bens de consumo.
Ao Meio & Mensagem, Adibe esclarece que, quando a companhia menciona a ideia de ser uma P&G brasileira, a referência está em construir um portfólio de marcas extremamente fortes, que liderem suas categorias e tenham escala nacional.
“Hoje, a gente já alcança números muito relevantes em volumetria, competindo com os players líderes do mercado. Nosso diferencial está na velocidade e proximidade com o consumidor e na agressividade de execução. Vamos continuar entrando em novas categorias, sempre baseados em dados e oportunidades reais de mercado. Super é exemplo disso, com os desodorantes masculinos, enxaguante bucal e paste de dente, que têm um sabor muito diferente do mercado”, exemplifica.
Canetas emagrecedoras
A Cimed já havia revelado, desde o ano passado, a intenção de competir no segmento de canetas emagrecedoras, que deve entrar em um cenário mais disputado com a queda da patente da semaglutida, que até então pertencia a Novo Nordisk, fabricante de Ozempic.
Adibe ressalta que, apesar de serem parte um segmento extremamente relevante, as canetas emagrecedoras trazem o desafio da regulação.
“A gente já iniciou esse processo, com a submissão de dossiês à Anvisa, e estamos em uma fase inicial regulatória”, antecipa o CEO da Cimed, acrescentando que se trata de um projeto de longo prazo. “Se tudo evoluir como planejado, podemos falar de um lançamento a partir de 2027. Mas aqui o mais importante não é a velocidade, é fazer da forma certa, com responsabilidade”, diz.
