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Queda da patente: o que muda nas canetas emagrecedoras?

Farmacêuticas nacionais, como EMS e Cimed, buscam registro na Anvisa para competir no mercado com suas versões de medicamentos à base de semaglutida

i 20 de março de 2026 - 10h10

canetas emagrecedoras

(Crédito: Shutterstock)

Nesta sexta-feira, 20, expira a patente da semaglutida, substância utilizada em medicamentos como Ozempic e Wegovy, que se popularizaram para tratamento de diabetes e obesidade.

A data era esperada pela indústria farmacêutica nacional por abrir o mercado para que outras companhias também possam entrar no segmento e competir com seus próprios medicamentos.

Ao longo dos últimos 20 anos, a produção da semaglutida era de propriedade exclusiva da Novo Nordisk, farmacêutica que ganhou grande projeção internacional por conta do Ozempic e da popularização dos medicamentos capazes de tratar a obesidade.

As canetas e o mercado brasileiro

A partir da queda da patente, as farmacêuticas brasileiras podem investir na produção de versões próprias do medicamento com semaglutida, o que, na teoria, tende a abrir ao mercado e apresentar aos consumidores opções mais baratas das canetas emagrecedoras, que são produtos de valor mais alto.

De acordo com reportagem do G1, há 15 pedidos de farmacêuticas brasileiras para a produção de medicamentos com semaglutida. Todos estão em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por enquanto, nenhum foi aprovado.

Há, porém, a expectativa de que o primeiro medicamento brasileiro da categoria seja aprovado pela Anvisa até junho. E quem deve sair à frente na corrida pela competição nacional das canetas é a EMS.

Nesta sexta-feira, 20, a farmacêutica divulgou comunicado para reforçar que é a única do País a produzir peptídeos (categoria em que se encaixa a semaglutida), diretamente de sua fábrica de Hortolândia, em São Paulo. Segundo a EMS, o investimento no projeto foi de R$ 1,2 bilhão e a meta é produzir até 20 milhões de canetas por ano.

A EMS ainda aguarda a conclusão da análise do processo do registro de seu medicamento à base de semaglutida por parte da Anvisa.

“Ainda não temos a definição de preço, mas podemos adiantar que chegaremos de forma competitiva a esse mercado. A EMS tem uma longa trajetória de compromisso com a saúde e de ampliação do acesso a medicamentos importantes para a população brasileira”, declarou, em comunicado, o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez.

Ainda que não tenha autorização para comercializar seu medicamento à base de semaglutida, a EMS já vem atuando no segmento de canetas emagrecedoras desde o ano passado, com outras substâncias. A farmacêutica comercializa o Olire, que é indicado para o tratamento de obesidade, e Lirux para o controle de diabetes tipo 2, ambos produzidos com liraglutida, outro peptídeo.

No Brasil, a liraglutida também está presente nas canetas Saxenda e Victoza, da Novo Nordisk.

Cimed e os planos de caneta emagrecedora

A Cimed também é outra farmacêutica nacional que está se preparando para entrar no segmento das canetas emagrecedoras à base de semaglutida.

No início do ano passado, durante a conferência Meu Sangue Amarelo, feito pela companhia, o CEO, João Adibe, comentou sobre os planos da empresa em relação às canetas.

“Temos mais de 150 produtos em espera de registro na Anvisa. A indústria farmacêutica brasileira, hoje, depende de quebra de patentes para ter novos produtos. A corrida da caneta não é só da Cimed, é de todas as farmas. Aproveitamos todo o nosso branding e pensamos por que não lançar a caneta amarela?”, explicou, na época, sem dar mais detalhes.

De acordo com reportagem do G1, outra farmacêutica brasileira que também deve conseguir a aprovação da Anvisa para a produção de medicamentos com a semaglutida é a Ávida Care.