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Fortnite retorna à App Store em meio à batalha judicial

Apesar da vitória, Epic Games, dona do jogo, diz que continuará contestando as práticas anticompetitivas da Apple

i 19 de maio de 2026 - 13h00

Fortnite Apple

Fortnite, jogo da Epic Games, retorna ao catálogo de aplicativos da Apple (Crédito: Vladimka production/Shutterstock)

Em meio a batalha judicial, nesta terça-feira, 19, o Fortnite retorna à App Store, loja de aplicativos da Apple, em todo o mundo, com exceção da Austrália.

O jogo da Epic Games foi retirado do catálogo de aplicativos da Apple em 13 de agosto de 2020, após a desenvolvedora ter criado seu próprio sistema de pagamento, que dribla a taxa de 30% cobrada pela Apple para os desenvolvedores que vendem apps em sua loja.

Desde então, ambas as companhias têm travado uma batalha judicial que já teve várias reviravoltas. Em agosto de 2020, por exemplo, a Apple foi poupada de ter que reestabelecer imediatamente o jogo ao seu catálogo. A disputa entre as empresas, inclusive, ultrapassou os termos legais e entrou no campo da comunicação, quando a Epic Games lançou uma paródia do icônico comercial “1984” da Apple, como forma da crítica as políticas de monopólio da big tech.

No entanto, mais recentemente, quem obteve a melhor nos tribunais foi a Epic Games. No início deste mês, segundo informações da Reuters, a juíza Elena Kagan, em nome da Suprema Corte dos EUA, rejeitou o pedido da Apple para bloquear temporariamente uma ordem judicial que considerou a big tech “culpada de violar mudanças abrangentes, determinadas pelo tribunal, em sua lucrativa App Store, como parte de um processo antitruste movido pela Epic Games”.

Com isso, Apple precisará retornar à juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers, para discutir qual comissão pode legalmente cobrar por determinadas transações relacionadas a aplicativos.

Posicionamento da Epic Games

Em nota, a Epic Games ressaltou que o retorno do Fortnite à App Store aconteceu depois que a Apple informou à Suprema Corte dos EUA que “órgãos reguladores em todo o mundo estão acompanhando este caso para determinar qual taxa de comissão a Apple pode cobrar em compras abrangidas em grandes mercados fora dos Estados Unidos”.

A desenvolvedora ainda enfatizou que a big tech tem conhecimento de que o tribunal federal dos EUA a obrigará a ser transparente sobre como cobra suas taxas na App Store. “Fortnite está retornando à App Store agora porque estamos confiantes de que, uma vez que a Apple seja obrigada a mostrar seus custos, governos ao redor do mundo não permitirão que as taxas abusivas da Apple continuem”, cutucou.

A Epic Games também reforçou, em comunicado, que continuará contestando as práticas anticompetitivas da Apple na App Store, que incluem a proibição de lojas de aplicativos alternativas e a concorrência nos pagamentos.

“Temos visto um movimento crescente em todo o mundo para combater essas práticas, com órgãos reguladores aprovando leis no Japão, na União Europeia e no Reino Unido — mas, repetidamente, a Apple burla as leis com telas de aviso, taxas e exigências onerosas”, disse a desenvolvedora.

A empresa de games ainda alertou que é hora de os órgãos reguladores aplicarem as leis para que desenvolvedores e consumidores em todo o mundo possam se beneficiar de um “ecossistema de aplicativos móveis aberto e justo”.

Tim Sweeney, cofundador e CEO da Epic Games, usou sua conta no X para comentar a decisão: “Fortnite está de volta à App Store da Apple enquanto nos preparamos para a batalha final entre a Epic e a Apple nos tribunais”.

Na postagem (veja abaixo) o executivo também teceu críticas à postura da big tech. “Durante anos, a Apple fragmentou os recursos e taxas do iOS por região, adotando posições de negociação regulatória em segredo e atrasando intencionalmente a busca por justiça”.

O jogo, no entanto, continua bloqueado na App Store da Austrália, porque, segundo a Epic Games, apesar de ter vencido o processo judicial contra a Apple no País, big tech segue aplicando termos considerados “ilegais” pelo tribunal.

Em nota, a desenvolvedora também pede ao tribunal que ponha fim à conduta ilegal da Apple e emita ordens que beneficiem todos os desenvolvedores de aplicativos e usuários do iOS. “A Epic não pode retornar sob um acordo de pagamento ilegal com a Apple; portanto, a menos que a Apple concorde em adotar termos de pagamento legais nesse ínterim, devemos aguardar uma decisão judicial”, concluiu.

Retorno à Play Store

O Fortnite, que também havia sido retirado da Play Store, loja da aplicativos do Google, em 2020, retornou ao catálogo em março deste ano, após ambas as empresas chegarem em um acordo em novembro de 2025, no qual o Google anunciou a redução da comissão sobre compras internas de 30% para valores entre 10% e 20%.

Como parte do acordo, Sweeney, CEO da Epic Games, concordou em não criticar publicamente a loja de aplicativos do Google até 2032.

Procurada pela reportagem, a Apple ainda não se pronunciou sobre a decisão.