Itaú investe R$ 2,9 bi para acelerar modelos de IA
Banco anunciou aquisição da startup NeoSpace e investiu na Simile, de audiências sintéticas
O Itaú anunciou, por meio de um fato relevante nesta segunda-feira, 26, um acordo para adquirir a NeoSpace, startup brasileira especializada no desenvolvimento de grandes modelos de dados. A transação envolve o pagamento de R$ 2,92 bilhões e depende de aprovações regulatórias do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Aquisição vai impulsionar plataforma ia.i, lançada em julho (Crédito: sidneydealmeida – stock.adobe.com)
Segundo o comunicado do banco, as empresas já trabalham juntas há dois anos e desenvolveram soluções próprias de inteligência artificial generativa em escala, com aplicações de crédito, gestão financeira, relacionamento com o cliente e prevenção de fraudes.
A experiência nesse período teria demonstrado o potencial de modelos especializados para compreender contextos financeiros complexos e desenvolver soluções. Assim, com a NeoSpace dentro do seu ecossistema, o Itaú pretende ampliar sua capacidade de desenvolver modelos proprietários.
No anúncio, a instituição financeira ainda citou o potencial da aquisição de contribuir com a ia.i, plataforma de inteligência artificial generativa e conversacional do banco, lançada em julho. Entre as possibilidades, estariam interações mais contextualizadas, soluções de crédito adequadas ao perfil e novas formas de ajudar o planejamento financeiro dos clientes.
Apesar da aquisição, a NeoSpace seguirá com gestão e operação autônomas e Bruno Pierobon permanecerá como CEO. A operação também prevê manutenção da equipe e continuidade das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
A compra da NeoSpace segue em uma esteira de investimentos em IA. Em setembro, o Itaú Ventures, vertical de corporate venture capital do banco, participou de uma rodada de investimento da Simile, empresa de tecnologia baseada nos EUA que desenvolve modelos para simulações com audiências sintéticas (grupos de consumidores virtuais gerados por IA que simulam o comportamento, as opiniões e as reações de pessoas reais).
Na época, em comunicado, a companhia informou que o Itaú foi o primeiro cliente da Simile na América Latina. Também por meio de sua vertical de venture capital, o Bradesco Venture Capital, liderou uma rodada de R$ 15 milhões em investimentos, com participação da Vibra Ventures, na startup Luria (antiga PX Data).
O aporte, realizado em abril, tinha como objetivo acelerar a expansão da plataforma de agentes de IA voltados à análise de dados corporativos. Os dois investidores, Bradesco e Vibra, já são clientes da solução.
Investimento em tecnologia no setor bancário
Nos últimos cinco anos, o orçamento destinado a tecnologia no setor bancário cresceu 58%. Em 2026, a expectativa é que o investimento totalize R$ 50,4 bilhões, um crescimento de 8% na comparação com o ano passado. O dado é fruto da 34ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada pela Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos.
O relatório foi desenvolvido em duas etapas. A coleta da primeira fase ocorreu entre dezembro de 2025 e março de 2026, com 25 bancos e 53 executivos. Já a segunda fase foi realizada entre janeiro e abril de 2026, com 23 bancos.
Dentro do investimento em tecnologia, cibersegurança, cloud e inteligência artificial generativa estão entre as prioridades na agenda.
Ao todo, R$ 29,4 milhões estão previstos para disseminação dos conhecimentos em IA e IA generativa, um avanço de 31% na comparação com o período passado. Os aportes acompanham o comportamento do consumidor.