Consumo

Venda e consumo de cerveja sem álcool crescem no Brasil

Representatividade de bebidas zero tem ajudado a segurar queda do segmento, além de ampliar o portfólio das marcas

i 7 de agosto de 2026 - 6h01

Cerveja sem álcool ajuda a sustentar consumo da categoria no Brasil (Crédito: STOCKEROcr-shutterstock)

Cerveja sem álcool ajuda a sustentar consumo da categoria no Brasil (Crédito: STOCKEROcr-shutterstock)

Associada a uma escolha que permite que o consumidor não renuncie aos momentos de happy hour e descontração, ao mesmo tempo que não sai dos hábitos saudáveis, as bebidas zero (seja zero álcool, ou açúcar) se tornam cada vez mais expressivas entre os consumidores. No segmento das cervejas, essa modalidade é responsável por segurar a queda do consumo do produto.

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o consumo de cerveja no País decaiu entre 6,5% e 7% em volume de janeiro a setembro de 2025, comparado ao mesmo período em 2024. Embora os dados apontem desaceleramento do consumo, as cervejas sem álcool tiveram uma evolução na participação de vendas.

O Varejo360 aponta que de 2024 para cá, o segmento cresceu em número de dinheiro, volume e unidade. No primeiro trimestre de 24, por exemplo, a categoria representava um volume de 2,47%, enquanto no período atual (2º trimestre de 2026) esse valor subiu para 3,47%. Para Fernando Faro, diretor de operação e um dos fundadores da empresa, esse comportamento é reflexo de uma mudança no foco do consumidor, que passou a se preocupar mais com questões de saudabilidade, especialmente por conta do uso de medicamentos como as canetas emagrecedoras.

O executivo comenta que isso fez com que as produtoras evoluíssem em questão de sabor para as cervejas zero, se aproximando mais das tradicionais. “Isso foi uma revolução no desenvolvimento de produtos. A categoria vem enfrentando desafios para sustentar o crescimento de venda e as cervejas sem álcool são uma alavanca para isso”, diz. Entre as marcas o reflexo é claro.

Dados da NielsenIQ apontam que a Heineken foi a cerveja zero álcool mais vendida no mercado brasileiro no ano passado, enquanto na Ambev o segmento cresceu 10% no primeiro trimestre de 2026 versus o mesmo período de 2025, impulsionado pela Corona Cero, que saltou 70%, e pelo lançamento da Skol Zero Zero (informações da própria empresa). No Grupo Petrópolis, Itaipava Zero, presente no mercado desde 2011, possui um crescimento acima de 20% de venda de volume em um apanhado desde 2023.

 

Evolução da participação das vendas
de cervejas sem álcool na categoria cervejas
Métrica 2024
1T 2T
R$ 3,99% 4,08%
Volume (l) 2,47% 2,60%
Unidade 3,43% 3,59%
Métrica 2025
1T 2T
R$ 4,52% 4,33%
Volume (l) 3,03% 2,92%
Unidade 3,91% 3,86%
Métrica 2026
1T 2T
R$ 5,35% 5,15%
Volume (l) 3,25% 3,47%
Unidade 4,73% 4,76%

 

Impacto em inovação

Essa dinâmica impacta diretamente no formato de produção das cervejeiras, que passaram a investir mais em inovação, tecnologia em novos produtos. A Ambev, por exemplo, ampliou o seu portfólio de “escolhas equilibradas” ao entrar no mercado de bebidas proteicas.

Em setembro, público brasileiro receberá o piloto da Spaten Pro, uma cerveja com 10 gramas de proteína por unidade e sem álcool. O produto foi desenvolvido no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), da Ambev, no Rio de Janeiro, em um processo que levou cinco anos e mais de cem protótipos testados.

Nas 10 gramas de proteína presentes no líquido, 75% são de whey protein hidrolisado e 25% de colágeno hidrolisado. Já com Skol, a marca quer impulsionar a presença da Skol Zero Zero, como uma cerveja que não precisa sair de cena quando a rotina muda.

No grupo Petrópolis, somente no primeiro semestre deste ano Petra Ultra, cerveja puro malte de baixa caloria, sem glúten e com baixo teor alcóolico e a Black Princess Zero, cerveja premium puro malte e sem glúten.

Por fim, Heineken, além de seu rótulo zero, lançou Heineken Ultimate, seu primeiro produto sem glúten, com menos calorias e teor alcoólico baixo. Para Eliana Ricci, Business Lead na Ogilvy para Baden Baden, Blue Moon, Lagunitas, Eisen e Sol, marcas da Cervejaria Heineken, o portfólio evoluiu porque as marcas passaram a se posicionar com base em um discurso aspiracional, não sendo mais uma substituta da cerveja tradicional.

“A lógica agora é: ‘você continua vivendo o momento da cerveja’ e não ‘você está abrindo mão do álcool’”, explica a executiva. Para ela, essa mudança acompanha um fenômeno de transformação comportamental, em que as pessoas buscam consumir álcool de forma mais consciente, sem necessariamente abandonar a bebida por completo. “A cerveja zero passa a representar equilíbrio, bem-estar, performance e liberdade de decisão”, completa.