Mídia e eleições: grupos investem em IA e dados para cobertura
Grupos de comunicação se preparam para eleições com foco em tecnologia, credibilidade e transparência em suas coberturas
Antes mesmo do horário eleitoral gratuito ter início, nesta semana, as emissoras de TV vinham abrindo sua programação para a cobertura das Eleições de 2026. Ainda no mês passado, o Grupo Bandeirantes exibiu o primeiro debate eleitoral presidencial. Os confrontos entre os postulantes aos cargos de governo também tiveram espaço na Band, ainda em agosto, em debates realizados em parceria com poutros veículos.
De forma a atrair a atenção do público em torno das eleições de 2026, emissoras e veículos de comunicação preparam uma agenda de coberturas que envolve dar voz ao cidadão, cobrir a disputa para o Senado Federal e apostam em tecnologia e transparência.

Debate dos candidados à Presidência da República na Band teve presença de três candidatos (Crédito: Reprodução)
Importância da cobertura eleitoral
Para veículos jornalísticos, o período eleitoral concentra uma audiência qualificada que não busca distração e entretenimento, e sim explicações, contexto e informação confiável, aponta a diretora-executiva de jornalismo do Grupo RBS, Marta Gleich. Especialmente durante esse momento, em que a produção de conteúdo falso é substancial, os cidadãos buscam informação confiável e checada. Veículos jornalísticos se beneficiam dessa busca ativa, que resulta no aumento da audiência.
Na televisão, debates, entrevistas e acompanhamento dos resultados mantêm picos de audiência. “Mais do que volume, é um momento de audiência qualificada, concentrada nos produtos jornalísticos de maior relevância”, pontua Marta.
Credibilidade, inovação, pluralidade, presença nacional, compromisso com a informação e qualidade se tornam atributos de marcas reforçados no período eleitoral, aponta a Globo.
Novos quadros e estratégias
Entre as inovações para a cobertura deste ano, os grupos de comunicação querem reforçar aspectos importantes de sua marca.
Para sublinhar a transparência, pela primeira vez, o Grupo RBS abre as portas das redações para o público. A RBS TV tem um programa novo que exibe os bastidores do trabalho de repórteres, editores, produtores, comunicadores e colunistas, como escolha de pautas, processo de apuração e checagem de informações, edição de conteúdo e distribuição do material jornalístico. Esse tipo de conteúdo também tem quadros nos telejornais e intervalos da programação.
Conhecida por estrear a temporada de debates, o Grupo Bandeirantes estreia um debate entre os candidatos ao Senado na BandNews TV com transmissão para várias praças. “Uma das lições das últimas eleições foi a necessidade de estar cada vez mais próximo das dúvidas e das demandas reais do eleitor”, divide Andressa, do Grupo Bandeirantes.
Já a Globo optou por antecipar a realização do debate presidencial para às 21h. A faixa também foi eleita para exibir as entrevistas com os candidatos para ampliar o acesso da população aos conteúdos. O g1 promoverá, pela primeira vez, debates com candidatos ao Senado nas sedes da Globo em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Recife e Brasília.
Entre os novos formatos, a Globo destaca o “JN nas Ruas – Brasil que Ensina”, projeto em que os apresentadores do Jornal Nacional entrevistam brasileiros de diferentes regiões sobre prioridades e expectativas em relação à eleição. Além disso, o grupo passou a trabalhar de forma mais integrada algumas entrevistas, como as realizadas pela GloboNews e pelo g1 com os pré-candidatos à Presidência, que foram veiculadas na TV linear, no digital, nas redes sociais, no streaming e em plataformas de áudio.
O Grupo RBS criou o “Promessômetro”, onde registra promessas feitas pelos candidatos ao longo das campanhas e serve como insumo para debates, entrevistas e reportagens.
Deepfakes e uso da IA
Com os avanços dos sistemas de inteligência artificial, os diferenciais do jornalismo profissional ficam em evidência. A disseminação de deep fakes impõe estratégias de verificação. Antes de veicular conteúdo que está sendo alvo de debate nas redes sociais, as equipes apuram a veracidade.
Além disso, os veículos firmam parcerias com agências de verificação.
O Grupo Bandeirantes conta com a Lupa para identificar conteúdos suspeitos, verificar origem e confrontar informações em todos os veículos do conglomerado. Os canais do grupo visam deixar claro ao público quando o conteúdo é falso. “A tecnologia tornou muito mais fácil produzir conteúdos falsos com aparência de verdade, e isso exige uma resposta ainda mais rápida e cuidadosa do jornalismo”, afirma Andressa, do Grupo Bandeirantes.
O Grupo Globo aumentou a quantidade de colaboradores atuando na verificação de conteúdos para ganhar agilidade na identificação e verificação de conteúdos falsos através da iniciativa Fato ou Fake. O projeto conta com jornalistas do g1, TV Globo, GloboNews, O Globo, Extra, Valor e CBN para acelerar os processos de verificação. Demais times receberam treinamento para identificar material manipulado e aumentar o protocolo de apuração.
Além de combater o mau uso dela, os grupos utilizam inteligência artificial ao seu favor como ferramenta de apoio ao trabalho dos jornalistas. Entre seus usos, estão: apuração de informações, processamento de documentos e dados, análise de dados, monitoramento de informações, decupagem de entrevistas, sugestões e escolha de fontes e de distribuição de conteúdo, reformatação de conteúdos, elaboração de pautas, entre outras funções sob supervisão humana.
Para o período eleitoral, a Globo cruza dados históricos e informações atualizadas sobre os candidatos para apoiar identificação de tendências, temas de interesse público e para enriquecer a cobertura, de forma geral.
Métricas
A audiência segue como a principal métrica de sucesso para a cobertura eleitoral, mas alguns dos grupos passam a olhar para demais indicadores qualitativos, como construção de relevância e confiança, aponta Andressa, do Grupo Bandeirantes. No digital, o Grupo deve acompanhar engajamento, interesse pelos debates e alcance de novos públicos. “Uma cobertura eleitoral bem-sucedida precisa combinar alcance, relevância e confiança”, diz. O Grupo conta com a Sala Digital, equipe que acompanha em tempo real os assuntos que mais despertam o interesse dos brasileiros, fruto de uma parceria com o Google.
Acordos comerciais
Para além de mobilizar audiência, o período eleitoral é uma oportunidade para novos acordos comerciais que envolvem soluções customizadas, integradas e multiplataforma surfando a onda do aumento de atenção qualificada para as marcas.
Os anunciantes se associam a espaços que transmitem credibilidade no momento em que a informação confiável se torna mais relevante, pois o público procura ativamente por explicações, contexto e informação confiável, promovendo mais atenção no conteúdo e tempo, em vez de entretenimento ou distração.
“A capacidade de atrair atenção indica um momento único e precioso para as marcas se comunicarem com o público. É neste momento que o investimento gera um retorno positivamente desproporcional”, coloca Marta, do Grupo RBS.
Conforme o Grupo Globo, quadros e projetos especiais aumentam o inventário de mídia para que as marcas fortaleçam suas jornadas durante meses de alta audiência e relevância.
Para Rogério Domingues, diretor-geral Comercial do Grupo Bandeirantes de Comunicação, a relevância comercial é “consequência de uma cobertura que tenha credibilidade, relevância e seja realmente útil para o público”. O conglomerado aposta em fazer entregas em diferentes formatos.





