OPINIÃO - maura coracini

A estratégia que conecta inovação e crescimento rentável

Channel-Pack-Price Architecture otimiza portfólio e auxilia no desenho de arquiteturas mais inteligentes

Maura Coracini

Managing Director da SKIM Group na América Latina 30 de julho de 2026 - 6h00

No mercado de bens de consumo, crescer de forma rentável ficou mais complexo. O cliente transita entre diferentes meios, compara preços em tempo real e espera soluções cada vez mais adequadas a contextos específicos de consumo. Nesse cenário, decisões sobre canais, embalagem e precificação deixaram de ser apenas questões operacionais e passaram a ocupar papel central na estratégia de crescimento das marcas.

É justamente nesse contexto que a abordagem de Channel-Pack-Price Architecture (CPPA) ganha relevância. Mais do que otimizar o portfólio atual, a estratégia ajuda empresas a desenhar arquiteturas mais inteligentes para o futuro – orientando desde decisões de sortimento até o desenvolvimento de lançamentos e pipelines de inovação com papéis claros para cada canal, ocasião de consumo e faixa de preço.

Na prática, isso significa entender que um mesmo produto dificilmente terá o mesmo papel em todos os ambientes de compra. O shopper que compra um snack em uma loja de conveniência, por exemplo, busca imediatismo e praticidade. Já no atacarejo, o foco passa a ser abastecimento, volume e eficiência no custo-benefício. A combinação entre canal, pack e preço precisa refletir essas diferenças para maximizar relevância e rentabilidade.

O desafio é que, dentro de muitas organizações, essas decisões ainda acontecem de forma fragmentada. As áreas responsáveis por inovação, desenvolvimento de embalagens, preço e negociação com o varejo frequentemente trabalham com fontes de informação distintas e objetivos pouco conectados. Em muitos casos, prevalece uma lógica baseada apenas no histórico de vendas e em práticas repetidas “porque sempre funcionaram assim”.

A construção de uma estratégia robusta de CPPA, por sua vez, depende de uma visão integrada do negócio. Mais do que analisar dados isoladamente, se coloca diferentes stakeholders em volta da mesa para discutir prioridades, objetivos de crescimento e o papel de cada elemento do portfólio. Workshops colaborativos têm se mostrado especialmente valiosos nesse processo, porque ajudam empresas a alinhar perspectivas entre áreas comerciais, marketing, inovação e revenue management, criando decisões mais consistentes e orientadas para crescimento sustentável.

Ao mesmo tempo, a evolução das ferramentas analíticas permite que as empresas tomem decisões com muito mais precisão. Modelos avançados de dados e inteligência preditiva ajudam a antecipar reações do consumidor a mudanças de preço, volumetria ou posicionamento entre canais, reduzindo riscos e aumentando a assertividade tanto na gestão do portfólio atual quanto na definição de futuras inovações.

No fim, dominar o Channel-Pack-Price Architecture é menos sobre ajustar variáveis isoladas e mais sobre construir relevância contínua em um ambiente de consumo cada vez mais fragmentado. As marcas que conseguem integrar inovação, canais, embalagem e preço de forma estratégica criam portfólios mais resilientes, fortalecem sua diferenciação e ampliam sua capacidade de capturar crescimento sustentável no longo prazo.