Opinião

A técnica entrega, mas a marca diferencia

O novo substancial do setor tech

Clara Ribeiro

head de Marketing da Zup 19 de março de 2026 - 14h01

No mercado B2B, principalmente em empresas de tecnologia, a marca não é apenas um acessório estético, mas o alicerce que sustenta a escolha do cliente em um cenário onde a entrega técnica é uma condição básica de existência, e não mais um diferencial competitivo. Para empresas que lidam com crescimento acelerado, branding é ferramenta de humanização. Ele surge, inclusive, como uma ferramenta estratégica capaz de alinhar o negócio à sua cultura e ambições.

Construir uma marca forte nesse setor é, antes de tudo, construir vínculos. É gerar uma sensação de segurança suficiente para que o cliente abra as portas — não apenas para uma prestação de serviço, mas para uma conversa estratégica que possa tratar até dos bastidores do seu negócio. A reputação passa a construir intencionalmente atributos emocionais, como confiança, proximidade e visão de futuro, que sustentam relações de longo prazo. Quando a organização investe em parcerias consistentes e posiciona seus executivos em palcos relevantes do setor, ela não está apenas ampliando a visibilidade; está reforçando autoridade, presença e conexão simbólica com quem decide.

Quando o assunto é branding – ou, sobretudo, rebranding -, o ponto central não é a cor, o logo ou o manual de aplicação. É a capacidade de perceber o momento de evoluir. Há empresas que crescem, sofisticam suas entregas, ampliam seu impacto estratégico, mas continuam se comunicando como se estivessem no estágio anterior. O desafio está em reconhecer esse descompasso. E mais: ter coragem para alinhar posicionamento à ambição do negócio, conectando stakeholders internos, board, liderança e mercado em torno de uma nova narrativa que reflita, de fato, o valor que a companhia entrega.

Tomar essa decisão raramente é confortável. Envolve provocar diferenciação em um setor que costuma replicar códigos visuais e discursos previsíveis. Implica fazer escolhas difíceis, inclusive abrir mão de elementos que funcionaram por anos, para atribuir à marca a capacidade de comunicar seu real valor ao público, sustentar conversas estratégicas e conquistar território em um mercado cada vez mais saturado. No fim, branding é menos sobre manuais e mais sobre processos: entender o que é relevante para os clientes hoje, onde a empresa quer chegar e o que tem de único. Para, só então, refletir os símbolos necessários na ocupação desse novo espaço com legitimidade.

Para gestores de marketing que passam por essa transição, minha recomendação é que não seja apenas uma mudança estética e uma pauta restrita ao time, ela precisa estar ancorada em uma estratégia 360º que envolva colaboradores, clientes, stakeholders, acionistas, a fim de mapear onde a corporação deseja ir a partir deste momento, traçar uma jornada onde tudo e todos constroem a marca.

A construção de dentro para fora começando por um trabalho de escuta e educação do público interno, envolvimento de áreas parceiras como RH, Produto e Vendas para que ao final dessa trajetória a construção seja coletiva e a implementação bem sucedida. Neste lugar é que está a mágica das estratégias de comunicação: fazer com que as pessoas entendam como a marca se manifesta no dia a dia em cada ponto de contato. Uma estratégia de construção e implementação bem sucedida é co-construída e gera pertencimento.

No fim das contas, ao subir a régua da sofisticação e desafiar convenções do mercado B2B, uma empresa de tecnologia pode deixar de ser apenas mais uma opção no mar de azul para se tornar uma referência de autoridade e vanguarda.