Opinião

Black Friday desafia marcas a facilitar o “sim” do consumidor

Se antes o foco era dominar a busca e melhorar posicionamento, hoje o desafio é ser a resposta definitiva ao cliente

Thays Klemp

Gerente de estratégia da Cheil Brasil 28 de outubro de 2026 - 14h00

A Black Friday tradicionalmente foi construída sobre a lógica do “mais desconto, mais mídia, mais urgência e mais repetição”. A pergunta que guiava o planejamento das marcas era sempre a mesma: “Como fazemos mais barulho do que os concorrentes?”. Entramos, agora, em uma nova dinâmica onde o papel do marketing é ajudar o consumidor a descobrir, entender, comparar, confiar e comprar. Afinal, qualquer marca consegue oferecer um desconto, mas poucas conseguem tornar a escolha simples, segura e evidente. A provocação agora é outra: “Como tornamos essa decisão de compra mais fácil?”.

Essa mudança reflete a transformação do consumidor de 2026. Ele pesquisa com antecedência, consulta históricos de preço, acompanha creators, navega por marketplaces e integra a inteligência artificial à sua rotina de compra. Na prática, a Black Friday deixou de ser um evento de um único dia e virou uma verdadeira temporada de decisão. Embora a busca pelo preço baixo continue existindo, o cliente agora tem todas as ferramentas para avaliar se o desconto é real e se o produto é a escolha certa.

Nesse contexto, a jornada de compra tornou-se fluida e fragmentada. Um consumidor pode descobrir um item no TikTok, validar a utilidade em um vídeo de review, tirar dúvidas com uma IA, comparar preços no Google, testar o produto na loja física e fechar o pedido pelo WhatsApp. Cada ponto de contato passa a ter um papel estratégico: social gera descoberta, creators constroem confiança, retail permite o contato físico, commerce reduz o atrito e a IA atua como assistente pessoal de recomendação. O objetivo final deixa de ser apenas entregar a “melhor oferta” para ser a entrega do melhor negócio completo.

Por isso, em um ambiente hiper digitalizado, onde algoritmos e IAs disputam cada segundo de atenção, estar presente em múltiplos canais não é mais o suficiente. A verdadeira omnicanalidade consiste em captar os sinais de intenção do usuário e responder a eles em tempo real, de forma personalizada e eficiente. Cada canal precisa guiar o consumidor até a conversão. Assim, a disputa deixa de ser apenas pelo menor preço e passa a ser pelo “sim” mais fácil e fluido.

Para que isso aconteça, estratégia, criatividade, consumer intelligence, mídia, tecnologia e commerce precisam operar de forma totalmente integrada nas agências e nos times de marketing das marcas. O comportamento do público já mudou e a busca migrou do “onde encontro esta TV?”, com o foco no ponto de venda, para o “qual TV faz mais sentido para mim?”, ou seja, uma recomendação. Se por anos as marcas focaram em dominar a busca, e aparecer bem posicionadas, agora o desafio é outro: ser a resposta definitiva para o consumidor.